Arizona Robbins P.D.V
Eu era uma i****a. Não havia outro jeito de explicar isso. Parada lá encarando Lana, as palavras simplesmente saíram e elas não poderiam ter sido piores. Foi um erro.
Merda. Merda. Merda.
Pude sentir Callie olhando para mim e mesmo que fosse pelo canto dos olhos vi a dor e o choque marcarem seu rosto. Aquilo me fez sentir como se tivesse sido socada no estômago. Eu sequer poderia imaginar como ela estava se sentindo. Porque diabos eu disse aquilo para começar? Sim, eu era fraca, mas fraca por não ter sido corajosa o suficiente para dizer antes para Callie como eu me sentia de verdade. Que não era só sexo. Que eu estava... muito, muito, ferrada por ela.
Nenhuma mulher antes havia feito meu coração bater daquela forma, e eu fui uma cuzona que disse que ela era um erro. Deus, até eu queria me dar um chute na b***a.
– Erro ou não, ele precisa parar agora. – As palavras de Lana me tiraram dos meus pensamentos. – E se tivesse sido Bárbara? Você sabe exatamente tudo que teria de ouvir da sua mãe e até com alguma razão, ou você esqueceu que é a chefe? Não só de Callie, mas de toda Robbins Corp!
Suas constatações só aprofundaram a vergonha que eu senti pelo meu comportamento. Eu estava tirando vantagem do fato dela ser minha assistente? Parei um momento e respirei fundo. Relembrei que ao decorrer de nossos já inúmeros encontros ela sempre era bem ativa, literalmente me deixando de joelhos por ela; não dava para eu estar tirando vantagem dela, quando ela claramente abusava de mim, contudo, nem isso aliviou a minha culpa.
– Olha, eu sei que vocês duas são adultas, e eu não sei nada do que pode estar acontecendo entre vocês, mas se não for sério, não permitam que Daniel descubra.
Meu pai. Em tudo o que tinha ocorrido, não pensei nenhuma vez nas consequências de como seria quando ele descobrisse. Óbvio, Callie era como a grande protegida do meu pai, mas a nossa relação poderia muito bem parecer muito errada para ele. Não por ela ser uma outra mulher, mas por eu ser a sua chefe. E a minha mãe, oh, ela eu nem precisava falar sobre o quão devastada ficaria. Ainda mais quando ela estava tentando empurrar Callie para o filho engomadinho de Rhea.
Senti a expressão de Callie pesar quando Lana falou de meu pai. Eu sabia que ela estava tendo o mesmo debate interno que eu estava, mas ainda assim, não estava nem um pouco pronta para sua resposta quando ela veio.
– Isso não será um problema. Eu pretendo aprender com meu ERRO. – Sim, ela estava muito além de p**a comigo. Ela estava irada. – Desculpe-me por ter de lidar com isso, Lana. Com licença.
Antes que eu pudesse até pensar em um modo de pará-la, ela virou as costas e desceu as escadas.
– Você perdeu a cabeça, Ari? – Disse minha amiga em um tom mais alto, estapeando meu braço esquerdo.
– Que merda! – Gritei, esfregando o lugar dolorido no meu braço e olhando para ela. – O que é que há de errado com você?
– A quanto tempo isto está acontecendo entre vocês duas? Tenho a sensação de que isto não é coisa de uma vez só, por alguma razão. Nunca te vi olhando uma mulher como você olha para ela.
Eu realmente não queria discutir sobre isto, especialmente aqui.
– Lana, você sabe como eu te amo, mas isso não é da sua conta.
Os seus olhos arregalaram e a sua boca caiu aberta.
– Não é da minha conta? – Ela cuspiu furiosamente. – Desculpe, mas se você queria deixar isso entre vocês duas, você não deveria ficar fodendo ela no banheiro enquanto a sua família inteira estava bem lá embaixo.
– Não vou ficar discutindo isso com você. – Disse com um ar de encerramento. –E estou pedindo que você por favor guarde isto entre nós. Eu preciso resolver isso com ela antes de conversar qualquer coisa que seja com meus pais.
Ela continuou me encarando, mas não respondeu. Decidi que eu tinha demorado muito tempo e virei para partir, mas fui parada por uma mão no meu antebraço.
– Você realmente é uma i*****l às vezes. Você sabe disso, certo? – Sem esperar por uma resposta, ela deslizou para longe de mim para voltar à festa. Ao dar o primeiro passo, ela virou para me olhar. – E pelo amor de Deus, retoque esse batom. Parece que alguém fez um ótimo trabalho tirando tudo.
Fiz uma carranca para o seu comentário, mas automaticamente levei minha mão até minha boca, checando como parecia no espelho. Merda, passei um pedaço de papel na boca e tirei tudo de uma vez enquanto descia as escadas.
Ao chegar no pátio, fui esmagada pelo impulso de estrangular Mike. Ele sentou inclinando-se nela, uma expressão importunada no seu rosto, perguntando se ela estava bem. Ela estava? Antes que eu tivesse até tido uma possibilidade de me sentar, ela disse que não se sentia bem e se desculpou. A culpa me consumiu e eu estava quase me oferecendo para acompanhá-la até lá fora quando Mike foi mais rápido. Oh, merda. Ele realmente fazia as coisas mais fáceis para mim odiá-lo.
Usando a desculpa de uma chamada telefônica importante, calmamente segui os dois e esperei na porta de entrada. O meu peito encheu-se com uma raiva animalesca quando os vi juntos, e o ar deixou os meus pulmões quando o vi dando o seu telefone a ela. Ela digitou algo nele; ela ia vê-lo novamente, até mesmo depois do que acabamos de fazer. Praguejei baixinho quando ele se aproximou e beijou a mão dela, colocando uma mecha do seu cabelo atrás da sua orelha. A mesma orelha que eu tinha acabado de beijar e sussurrar tantas coisas. Mike parou e olhou ela ir embora antes de virar para trás em direção à casa. Os nossos olhos encontraram-se, e juro que vi um desafio lá. Era isso. Ele só poderia estar querendo morrer lentamente.
Se eu consegui dormir aquela noite? Praticamente não. Fiquei rolando na cama durante horas, olhando as luzes da cidade pela minha enorme parede de vidro; as memórias desta tarde repetiam diversas vezes na minha cabeça. Eu só queria bater na sua porta no meio da noite e lhe roubar um beijo de desculpas.
A luz do sol começou a clarear a cidade lá fora, com relutância desisti de dormir e fui até o chuveiro; se eu me apressasse poderia dar uma corrida antes de encontrar April kepner e assinar o documento de doação. Normalmente eu nunca faltava trabalho, ainda mais em plena quarta-feira, mas aquela manhã eu apenas relaxei na banheira e tomei suco de laranja sem avisar qualquer um que não estava disponível. Claro, a minha razão principal era o fato de eu não saber como diabos encarar Callie me odiando como nunca, ou relembrar que ela havia dado seu número para o mané engomadinho.
Já passava das onze quando eu encontrei com minha amiga ruiva do lado de fora de um pequeno bistrô, próximo de um hospital no centro da cidade. A minha família conhecia a família dela há anos, e ela dirigia uma das instituições beneficentes mais influentes para crianças autistas no país, além de ter pós-doutorado em ciências botânicas. Em nossos anos de Harvard todos a chamavam de Hera Venosa, pela forma incisiva e meio v***a de agir com todo mundo, o que a fazia rir pela sua "fama de má". Ela era linda de morrer, ainda assim sempre deixamos claro que nada aconteceria entre nós. Éramos ótimas em sermos só amigas.
April reclamou que estava quente ali fora, por isso entramos aos risos no bistrô, eu tinha tantas coisas para compartilhar com minha amiga durante o almoço, que eu poderia ficar toda a tarde ali sentada, não fosse o pequeno ataque cardíaco que tive ao notar quem também estava ali.
Era Callie Torres. Merda. Nossos olhares se encontraram e eu senti minhas mãos gelarem. Estava cada vez mais difícil negar que meus sentimentos por ela estavam aumentando cada dia mais. Ela desviou o olhar rapidamente, de alguma forma envergonhada pela estranha coincidência. Ela também estava acompanhada de Lexie.
Sentei no lugar que o garçom de forma simpática nos guiou, mas não fiquei tanto tempo sentada, pois notei quando Callie atendeu o celular e acabou seguindo até o fim do restaurante para falar melhor. Antes mesmo que eu tivesse um plano, eu disse a April que eu voltaria logo. Ela acenou com cabeça com uma pequena risada e uma piscada, enquanto eu levantei para seguir a Srta. Torres através do salão.
Deus, ela estava sexy. Ela obviamente estava na pausa para o almoço e trajava roupas de trabalho. O seu cabelo estava puxado em um coque, e enquanto ela andava na minha frente eu não pude fazer nada a não ser olhar a sua b***a perfeita, lembrando-me na última vez que eu a tinha visto.
Agarrando o seu braço, forcei-a a me olhar. Eu sabia que ela lutaria; nada entre nós era fácil. As nossas emoções estavam sempre em uma constante batalha, o que me fazia pensar sobre se um dia as coisas entre nós seriam mais simples.
– O que é que você quer?
Ela parecia absolutamente indiferente, e eu não podia culpá-la. O meu comportamento tinha sido tão... desprezível.
– Eu só queria falar com você sobre a noite passada. E pedir desculpas. – Disse, os meus dedos correndo nervosamente pelo meu cabelo. – E acredite eu sei o quanto eu fui estúpida, mas... Lana apenas me pegou de guarda baixa, eu não quis dizer realmente aquilo. Eu só quero te explicar...
– O que há para ser explicado? Você obviamente não perde tempo. – Comentou com certo desdém na voz, acenando com cabeça em direção à minha mesa. – Confesso, que foi rápido até mesmo para você.
O que? Sobre quem ela estava falando?
Oh, foi quando me toquei: April. Ela pensava que eu estava em um encontro? Olhei-a durante um breve momento, pasma. Eu queria perguntar a ela por que ela até mesmo se importava, mas eu tinha de fazer isto em um lugar privado. Notando uma porta adiante, puxei-a para dentro e tranquei tudo atrás de mim. Foi só então que me dei conta de onde estávamos. Oh, merda ... outro banheiro.
Antes que eu pudesse responder, ela começou a me questionar; droga, ela achava que eu estava saindo com outras mulheres e parecia não só estar enciumada, ela parecia querer me marcar como sua! m*l ela sabia que eu já era.
Até tentei explicar sobre April, que éramos somente velhas amigas e que nossa amizade nunca passou disso. Os seus olhos girando me dizia que ela não tinha acreditado. Merda. Era incrível como eu queria a todo momento me justificar com ela, quando quem claramente estava tentando sair com alguém era ela com Mike-amigo-da-onça-Mattews.
– Não estive com ninguém desde que... – Parei. Aquilo iria delimitar certas coisas entre nós sem dúvida, por isso eu sentia que precisava ter cautela. – Desde que nós ... você sabe ... começamos isso aquela noite. Eu disse que não haveria outra, o que custa você acreditar em mim?
– Como você quer que eu acredite com você sendo Arizona Robbins? Todas as mulheres apenas se jogam em cima de você, você é toda cheia de si e poderia ter qualquer mulher que quisesse, mas está saindo logo comigo? A assistente? – Disse com todo o sarcasmo que podia na voz.
– Não é assim tão difícil de acreditar. – Rosnei de volta. Não era óbvio que eu estava amarrada nela?
Como sempre ela não me escutou e tentou ir embora, mas parou para me encarar por cima do seu ombro.
– Se você me desse uma única razão para acreditar em você eu faria isso. Mas sabe de uma coisa? Isso nem importa. Foi somente um erro, certo?
Uma sensação de enjoo instalou-se no meu estômago. Eu sabia que aquelas palavras a tinha machucado, mas eu não tinha entendido exatamente quanto m*l eu tinha feito a ela. Não podia deixá-la ir.
– Por favor. – Disse enquanto chegava mais perto. – Eu nunca quis dizer isso.
Antes que eu pudesse voltar atrás, notei que a sua mão se congelou na maçaneta.
– O que isto é para você? – Ela perguntou calmamente. Callie parecia está lutando com a ideia de ir embora, e como de hábito eu não sabia o que eu queria que ela fizesse. Nunca era uma boa ideia para nós ficarmos sozinhas assim. Menos de dois minutos tinham passado desde que começamos a falar, e o meu corpo traidor já respondia a sua presença. Sem pensar, dei passos em direção a ela, apertando o meu corpo nas suas costas.
– Pensei que tínhamos discutido isto na noite passada. – Respondi simplesmente. Céus, eu já tinha deixado mais do que claro a cada vez que a tocava que eu a queria ela e somente ela. Porque diabos ela achava que eu ficava tão furiosa a cada vez que ela dava atenção para Mike ao invés de para mim?
– Muitas coisas foram ditas na noite passada. – Respondeu com sua melhor voz cínica.
– Não quis dizer isso. – Murmurei já próxima demais dela.
– O que não significa que não seja verdade. – A sua cabeça caiu de lado ligeiramente, permitindo-me provar o seu pescoço.
– Não para mim. – Minha voz fraquejou ao sentir seu perfume tão próximo do meu nariz. Se ela olhasse para o meu rosto perdido agora, finalmente, entenderia o que eu estava tentando dizer todo aquele tempo. Movi seu coque para poder beijar as suas costas e senti sua respiração falhar. O seu corpo respondia tão insanamente ao meu como o meu ao dela.
– Eu me viciei em beijar você. – Sussurrei contra o seu cabelo, esperando pela sua resposta. Isso tinha que ser escolha dela. A minha cabeça quis que ela me parasse, me esbofeteasse na cara e me mandasse parar de gostar tanto dela. Mas o meu corpo tinha outras ideias. O meu corpo egoísta queria beijá-la e tocá-la; fazê-la minha. Olhei a sua mão, esperando que ela partisse, enquanto também orava para que ela não o fizesse. Quando a sua mão caiu ao seu lado, os meus olhos fecharam em derrota. Ela não foi forte o bastante, eu também não seria, ou queria ser. Eu gostava de ser fraca, se fosse ela me segurando.
Virando lentamente, ela olhou nos meus olhos; os olhos que refletiam a mesma derrota que eu sentia. Puxei-a para mim, a minha mão indo ao seu cabelo. Tentei parar; tentado falar para eu mesma ir embora, mas eu não poderia. Nos beijamos, mãos explorando, dentes beliscando, corpos perto. Eu precisava de mais e puxei-a para cima, nos unindo onde mais precisávamos. Os nossos gemidos misturaram-se e as nossas bocas procuraram por mais, as minhas mãos deslizando para dentro de sua calça, apertando as suas costas contra a parede. Eu podia sentir a seda suave e o fio que cobria a sua b***a, com o traçado de um recorte de coração no tecido. Gemi.
– p***a. O que você está usando? – Sussurrei no seu pescoço. Levantei-a de novo, e ela respondeu enrolando as suas pernas em volta da minha cintura.
Escovando os meus lábios pelo seu peito enquanto abaixava a sua camisa, eu tinha acabado de colocar um mamilo perfeito na minha boca quando ouvi um barulho de telefone próximo. Claro. Colocando-a de pé, ela ajeitou a blusa e procurou pelo seu telefone na bolsa. Rudemente corri as minhas mãos pelo meu cabelo novamente, me impedindo de agarrar aquele telefone e jogá-lo pelo vaso.
Era dessa forma desastrosa que Calliope Torres me deixava.
Repentinamente os seus olhos estreitaram-se ao olhar o telefone, e uma pequena voz no meu interior me disse que eu devia estar nervosa.
– Oi. – Sua expressão clareou. – Não acredito. Isso é interessante. Sim. Sim, eu irei. Ok. Sim, te ligarei quando decidir. Obrigado por ligar, Mike. – O que? Oi? Era mesmo Mike?
Ela terminou a ligação e lentamente repôs o telefone na sua bolsa. Olhando pra baixo, ela sacudiu a sua cabeça lentamente, um pequeno sorriso escapando dos seus lábios. Aquela pequena voz dentro de mim estava ficando mais alta. Levantando os olhos para mim, um sorriso pequeno, m*l adornou a sua boca.
– Ainda há algo que você gostaria de me dizer, Mrs. Robbins? Preciso voltar para a empresa.
Minha expressão se resumia a confusão por sua pergunta fora de contexto e ao fato de que ela estava mesmo saindo com Mike?
– Não? Porque acabei de receber uma ligação bem estranha de Mike, sobre como ele verificou o seu e-mail hoje de manhã e uma confirmação da entrega das minhas flores. Você nunca adivinhará o que ele disse.
Ela deu um passo na minha direção, e instintivamente dei um passo para trás. Eu não gostava do caminho que isso estava tomando.
– Parece que alguém assinou pelas flores. – Oh merda. – O nome no papel dizia Arizona Robbins. – Aí não. Pooooooorra. Por que é que assinei o meu próprio nome? Tentei pensar em uma resposta, mas a minha mente estava repentinamente em branco. Obviamente, o meu silêncio abrupto disse-lhe tudo que ela tinha de saber.
– Sua desgraçada! Você assinou por elas e então mentiu para mim?! É assim que eu devo acreditar na sua sinceridade?
Sua voz era cínica ao mesmo tempo que parecia enfurecida.
– Engraçado você me perguntar sobre sinceridade e honestidade, quando acaba de me questionar de estar saindo em um encontro, quando você claramente está dando mole para o i****a do Mike. Esse é seu senso de justiça, Srta. Torres?
– Não fuja do assunto. A questão aqui é porque você fez isso e eu não vou sair daqui até você me responder.
– Você é tão hipócrita.
– Não me importo com o que você pensa de mim. Só quero que me resposta.
– Tudo bem, eu recebi aquela porcaria de buquê. –Respondi com exasperação. Ela só me fitou, o seu maxilar apertado e os seus punhos tão apertados que os nós dos seus dedos estavam brancos.
– E ...? – Ela disse esperando que eu continuasse. Seus olhos nunca deixando os meus.
– E...eu joguei as flores fora.
– Você é inacreditável! – Callie disse praticamente gritando. – E porque você faria isso?
Essa era a parte em que eu não queria chegar. Eu temia jogar meus sentimentos sobre ela e não haver nada para mim em troca. Callie era boa demais para mim e isso me aterrorizava em todos os níveis.Tim riria dessa droga de situação em que entrei, afinal, quem diria que um Robbins se deixaria ser tão fraco assim por alguém. Por um momento me perguntei se era assim que se sabia que estava apaixonado.
– Porquê... – Mordi o meu lábio e arranhei a parte de trás da minha cabeça, ainda tentando encontrar o melhor modo de responder isto. – Porque eu não queria que você saísse com Mike, ok? Ele não merece você.
– E quem diabos você acha que é para tomar as decisões por mim? Nem se você fosse minha namorada, eu iria achar legal uma conduta dessas pra cima de mim, entendeu?
– Aí qual é, você nem teria gostado do buquê, eram rosas genéricas. Você nem gosta de rosas, pelo amor de Deus! – Exclamei sem pensar. – Desculpa, ok? Eu só reagi, não foi um plano maligno, só agi pelo impulso de pensar que vocês poderiam se dar bem, e ele te tocaria como...
Os meus punhos fecharam firmemente e a minha voz diminuiu enquanto tentava recuperar a minha calma. Eu ficava mais zangada a cada segundo; por mim sendo fraca e deixando as minhas emoções saírem fora do controle, e por ela por ainda ter esse inexplicável poder sobre mim.
– Olhe, não estou dizendo que concordo com você, mas entendo que você fez...até um ponto.
Os meus olhos correram para ela em choque.
– Eu estaria mentindo e sendo hipócrita se eu dissesse que não tive sensações parecidas...possessivas, talvez, em relação a você. – Ela disse com relutância. Não podia acreditar no que eu ouvia. Ela realmente admitiu que sentia isso, também?
– Mas isto não muda o fato de você ter mentido para mim. Você mentiu bem na minha cara. Eu poderia pensar que você é uma i****a arrogante a maior parte do tempo, mas você sempre era alguém que confiei para ser honesta comigo.
Estremeci quando as suas palavras bateram em mim. Ela tinha razão.
– Eu sinto muito. – As minhas palavras soaram perdidas, eu não tinha certeza de quem estava mais surpresa agora; ela ou eu. Ficamos lá paradas, os nossos olhares fixos nunca oscilando, nenhuma de nós sabendo o que dizer.
– Prove. – Ela me olhou tão calmamente, nenhum pingo de emoção visível nas suas feições.
O que ela queria dizer? Então, tive um estalo. Prove. Não podíamos falar através de palavras, porque as palavras só levaram à problemas. Isto? Era isto o que éramos, e se ela me daria esta possibilidade de compensar o que eu tinha feito.
E foi por isso que acabei com a distância entre nós, enrolando a minha mão na sua nuca. Puxei-a para mim com uma certa força encontrando o seu olhar fixo enquanto moldava a sua boca na minha. Havia um desafio não dito lá. Nenhuma de nós daria para trás ou admitiria que isso ... o que quer que isso seja ... estava fora do nosso controle.
O momento em que os nossos lábios se tocaram, fui tomada por um zumbido familiar que percorreu todo o meu corpo. As suas mãos permaneceram ao lado do seu corpo, permitindo-me conduzir o beijo; quando a minha língua encontrou a dela, ela gemeu na minha boca.
As minhas mãos se enfiaram profundamente no seu cabelo, forçando-a a se entregar ao meu beijo. Isto poderia ser para ela, mas eu estava completamente segura de que iria controlar isso. Apertando o meu corpo a seu, gemi por cada uma das suas curvas perfeitas contra meu corpo tenso.
E mesmo adorando a sensação de sua pele na minha, eu fui terminando o momento com uma delicadeza inédita entre nós. Callie Torres parecia sem ar e sem palavras. Eu parecia uma i****a completamente viciada nela.
– Você não está desculpada. – Ela disse e pegou a sua bolsa, deixando o banheiro sem dizer mais nada.
Levantei-me lentamente e olhei a porta fechar atrás dela, tentando denominar o que acabara de acontecer. E um sorriso tomou conta da minha boca.
Talvez, ir para a Robbins Corp trabalhar o resto da tarde não fosse tão r**m assim.