A B I G A I L Talvez eu sempre tenha tido medo do escuro. Não por ele indicar o desconhecido; sou agraciada com uma abençoada indiferença àquilo que as pessoas comuns temem. O que me assusta no escuro, é o fato de que se nos acostumarmos a ele, podemos de fato enxergar. As sombras se movem, formando uma massa escura e familiar. Enxergamos, mas não totalmente, e isso me angustia. Enxergar através da luz é mais uma necessidade do que uma indulgência. O escuro é o combustível que alimenta os meus demônios, e eu sou um mero mortal que assiste os seus pecados serem dispostos à mercê de uma salvação. Talvez eu sempre soubesse que da mesma maneira que o meu mundo foi forçado à uma parada brusca pela parca luz, ele pode voltar a girar e girar se eu me acostumar com a escuridão novamente. Talvez.

