QUATRO HORAS ATRÁS H E N R Y Ele segura a bolsa de gelo contra as juntas dos dedos dilacerados e apóia a cabeça no tampo da mesa. A pele enrugada pelo frio não treme, a respiração é perfeitamente calma, e ele teria continuado a extravasar toda a sua indignação socando o rosto do pai de sua namorada — isso se o homem não tivesse tantos seguranças para defendê-lo. Henry fora possuído por aquela já tão conhecida força que raramente usava em sua vida normal. Ele só conseguia ver e sentir o ódio. Estava cansado de agir do modo justo, esperar e rezar para que as coisas dessem certo. Ele assistiu, mais uma vez, enquanto Abigail desmoronava a sua frente. Da primeira vez, ele esteve por perto para ajudar a conter o sangue, mas agora, estava mais do que claro que não podia fazer nada do que pret

