Capítulo 38

4746 Palavras

Não há rachaduras no teto. Nas paredes acolchoadas ao meu redor não há indícios de que estou em um prédio de seis andares, embora eu tenha certeza de que é essa a minha realidade. Estou distraída demais procurando por falhas no teto branco para dar importância aos gritos daqueles que estão no mesmo andar que o meu. Uma hora eu sei que eles vão parar. Todos param. Eu, inclusive, parei de gritar há duas horas atrás. Não há motivos para gritar. Percebo agora que realmente se trata de uma reação exagerada. Os meus demônios rosnam para mim e eu rosno de volta para eles, e assim nós nos entendemos. A minha claustrofobia não existe mais. Eu me ajeito livremente dentro da camisa de força ao meu redor, contorço-me até conseguir o mínimo de espaço para respirar. Chega a ser reconfortante poder me

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