I will always be with you

3621 Palavras
A música é "So far Away" de Avenged Sevenfold! x.x.x Never feared for anything Nunca teve medo de nada Never shamed but never free Nunca se envergonhou mas nunca foi livre A light that healed a broken heart with all that it could Uma luz que curou um coração partido com todas as forças A casa na Toscana não demorou muito para ficar realmente perfeita pra se morar. Em uma semana, eles tinham escolhido todos os móveis, detalhes e feito reparos necessários. Johannah os ajudou com tudo, desde compras até escolha da cor das cortinas. O piano foi um presente da mãe, afinal, já era de Louis de qualquer forma, e Harry achou que era importante também que ficasse com eles, já que marcou um momento importante para ambos. Harry foi quem teve a ideia de manterem algumas pequenas plantações para vender e para consumo próprio, já que morar no interior tinha esse benefício. Não precisavam de rios de dinheiro, e com aquilo, poderiam fazer o básico para se manter, sem contar, que ainda se divertiam cuidando do que era deles e até mesmo usufruindo do próprio trabalho Passam as tardes cuidando de seus afazeres, sempre juntos, passeavam pelos campos onde a companhia era apenas a brisa leve, o céu azul — ou as estrelas — o verde das colinas, e o belo cenário, muitas vezes do famoso pôr-do-sol na Toscana. Iam muito pouco a cidade, uma vez que Johannah lhes trazia quase tudo que precisavam nas visitas constantes que fazia. Louis insistia pra que ela fosse viver sua vida agora, que talvez arrumasse algum namorado, mas ela sempre fingia que não ouvia e Harry achava graça. Conversas na cozinha, na sala, os três acabaram ficando muito unidos. Harry não tinha problemas com os olhares reprovadores quando ia à missa, em Roma, até mesmo para ver o sacerdote Jeffrey Dean Morgan, e para conhecer o novo padre que o substituíra. Outro jovem na paróquia seria o pupilo do sacerdote. Se não lhe falhava a memória, apesar das poucas vezes que o viu, achava que ele se chamava Jake. Os dias foram passando tranquilos, aprenderam coisas juntos, aprenderam um sobre o outro e tinham todo aquele processo como conhecimento de si mesmos e um do outro. Louis aprendeu a cozinhar, Harry a montar a cavalo. Louis assim compusera muitas músicas para o moreno alto. O sexo era sempre perfeito e parecia cada vez melhor. Harry ainda tinha certa inocência, mas com certeza Louis estava sendo um excelente professor. E, claro, Tomlinson estava gostando de ter esse "papel". Numa tarde de outono, em que saíram para fazer uma espécie de piquenique — coisa que Louis não queria chamar assim, porque segundo ele, era antiquado e infantil demais — foi que, pela primeira vez, tiveram uma discussão. Live the life so endlessly Viveu uma vida tão interminável Saw beyond what others see Viu além do que os outros viam I tried to heal your broken heart Tentei curar seu coração partido With all that I could Com todas as forças — Essa geleia que sua mãe fez... — Harry dizia enquanto comia mais um pedaço de pão com geleia de uva. Louis riu porque tinha mais geleia que pão. — Eu sei, ela é ótima nessas coisas. — Louis sorriu observando o moreno sujar as mãos e a boca. — Achei que chamaria ela pra morar conosco. — O moreno alto dizia enquanto limpava a boca. — Não... — Tomlinson respondeu tranquilo. — Ela tem que viver a vida dela, Hazza... Ela tem que se acostumar sem mim, por isso quero que ela arrume alguém que cuide dela. Harry não respondeu. De repente, tinha perdido a vontade de continuar comendo. Há tempos, ele preferia acreditar que aquilo não existia, que fora colocado à parte. Ele queria do fundo de seu coração esquecer que Louis não tinha mais tanto tempo de vida. Will you stay? Vai ficar? Will you stay away forever? Vai ficar longe para sempre? — O que foi? — Louis perguntou diante do silêncio pensativo do outro, mas já sabia a resposta. — Eu vou cuidar dela. — O moreno respondeu triste. Louis não conseguia evitar de sentir culpa por aquilo. De repente, sua chance de fazer o homem da sua vida feliz estava lhe sendo arrancada do peito literalmente. Estava ali, bem à sua frente, a pessoa que ele mais amou em todos aqueles anos e, ironicamente, estava prestes a deixá-lo. O pianista sabia que, se pensasse muito naquilo, enlouqueceria. — Você tem que me prometer uma coisa. — Louis disse, repetindo o que disse à mãe. Harry apenas olhou pra ele ainda com a expressão triste. Ele evitava ficar daquele jeito na presença de Louis porque sabia exatamente que ele se sentiria culpado, e eles já haviam decidido aproveitar o máximo que podiam e simplesmente não pensar mais naquilo. — Hazza, quando a minha hora chegar... — Não. — Harry já o interrompeu imediatamente, sabendo o que ele iria pedir. — Não vou encontrar ninguém, não vou mais abrir meu coração, isso não vai acontecer. — Harry... — Não me peça, por favor. — Harry estava segurando o choro. Não queria fazer aquilo na frente do outro. — Como acha que vou ficar sabendo que está aqui sozinho? — Louis agora também segurava as lágrimas. — Não quero, Harry... — Ele pegou em uma das mãos do namorado e beijou carinhosamente. Harry seguiu a boca de Louis com a sua e o beijou lentamente, como se aquilo pudesse durar pra sempre. Não existia dor pior pra ele no mundo do que a de imaginar ficar sem Louis. Justo agora? Que sua vida parecia finalmente fazer sentido, que Louis estava bem, ele merecia uma chance. Uma nova chance. XxX How do I live without the ones I love? Como vivo sem aqueles que amo? Time still turns the pages of the book it's burned O tempo ainda vira as páginas do livro queimado Place and time always on my mind Lugar e tempo estão sempre na minha mente I have so much to say but you're so far away Tenho tanto a dizer, mas você está tão longe Já haviam se passado quatro meses. Ir a praia a noite se tornou uma constante pra eles, quase como um ritual. O mar purificava por causa do sal e, apesar do clima frio da Ilha de Elba, era bom apenas ir lá pra sentir o vento gelado cortar a pele. Louis precisava daquilo, queria todos os momentos que podia sentir-se vivo. Queria sentir todas as sensações possíveis e, aquele dia, quando voltaram pra casa, ele sentia-se diferente. Harry acompanhou todas as consultas ao médico de Louis, o lembrava dos remédios, mas não tinham mais a esperança de que o câncer regredisse. Desde que ele tivesse estabilizado, para eles estava de bom tamanho. Louis sentia-se feliz simplesmente pelo fato de poder ter aquela chance com Harry, nem que fosse por pouco tempo. — Ouvi uma música hoje. — Harry começou a falar enquanto andava de mãos dadas no fim da tarde, na praia, com Louis. — Hm? — Louis olhou pra ele distraído e eles pararam de andar, ficando de frente um pro outro. — Eu só quero que você saiba que eu prefiro perder você do que nunca ter tido você pra lembrar. — Harry falou sério e Louis sorriu quase imperceptivelmente, era um jeito que ele tinha de sorrir somente para Harry, porque parecia que só o moreno notava os milímetros que seus lábios se moviam. — A música dizia isso? — Louis perguntou num sussurro, passando as mãos pelos cabelos de Harry. Ele adorava fazer aquilo, por isso talvez que o moreno usava-os ainda mais compridos agora. — Sim. — Ele sorriu beijando os lábios bonitos de Tomlinson. — Só queria que soubesse... — Eu sei, Harry. — O pianista respondeu seguro. — Só que é inevitável me preocupar com o depois... — Vou ficar bem. — O moreno tentava soar convincente para não deixar Louis aflito, mas por dentro ele sentia que seu coração se despedaçava. — Promete? — O que quiser. — Harry abraçou-o forte. — Qualquer coisa pra você se sentir melhor. — Eu te amo. Quero que lembre disso todos os dias, confio em você, sempre aprovarei suas escolhas, o que te fizer feliz, Hazza... — Ele realmente parecia não querer mais soltá-lo. — Se é algo que vai te fazer bem, não pense duas vezes em fazer... De alguma forma, eu sinto que vou estar sempre com você... — Eu sei. — O moreno respondeu secando uma das lágrimas de Louis que caíam, apesar dele sorrir pra ele. Depois que o dia se foi, eles voltaram pra casa. Jantaram, praticamente não conversaram mais. A casa estava mais silenciosa que o normal. Apenas se pegavam olhando um para o outro sem absolutamente nenhuma razão. Quando se davam conta, estavam lá, se olhando sem dizer nada, eram praticamente declarações de amor com o olhar. Louis tocou piano para Harry, beberam vinho e era o ritual deles antes de dormir. Fizeram amor como nunca haviam feito antes. Demorado, cheio de declarações, carinhos e olhos nos olhos. Daqueles que são quase que uma necessidade, porque não se tem mais nada pra se dizer. "Eu te amo" parecia não apenas gasto, mas já era insuficiente. Era supérfluo. Seus corpos tentavam encontrar a forma mais segura, mais realista, mais profunda de se provar o amor que tinham um pelo outro. Era cósmico. Harry deitou a cabeça no peito de Louis e sentiu seu coração bater acelerado. O tomou em seus braços e dormiu ouvindo aquilo. Foi a última coisa que ouviu. Na manhã seguinte, no entanto, o barulho havia cessado. Para sempre. Plans of what our futures hold Planos para o futuro que nos aguarda Foolish lies of growing old Mentiras bobas de envelhecer juntos It seems we're so invincible Parece que somos invencíveis But the truth is so cold Mas a verdade é tão fria XxX A calça escura, a camisa branca e a jaqueta jeans que ainda tinha o perfume dele. Tudo escolhido da maneira mais despojada possível. Calçou o par de tênis de corrida, checou as horas no relógio de pulso que ele lhe deu de presente, e que havia sido de seu pai: faltava meia hora. Teria tempo de sobra para chegar antes da missa e caminhar com calma entre as ruas e os caminhos de onde se manteve distante nas últimas semanas. Abrir a porta foi a tarefa que mais lhe pareceu difícil. Respirou fundo diversas vezes antes de finalmente ganhar a varanda e pegar o carro, ainda com o olhar aturdido sob os óculos escuros. A pequena viagem até Roma correu tranquila, sem muito movimento na estrada. Quando desceu do carro em frente à catedral, sentiu pela primeira vez o peso dos olhares sobre si. Era estranha e incômoda a sensação de ser discretamente apontado e seguir deixando um rastro de cochichos e comentários maldosos atrás de si. Ele nunca havia reparado nisso. Mas antes Louis estava com ele, e ficava difícil reparar em qualquer coisa que não fosse o sorriso dele ou o brilho daqueles olhos azuis. Quando finalmente alcançou a porta principal do templo religioso, notou suas mãos tremerem e o coração disparar. Guardou os óculos escuros num bolso interno da jaqueta e entrou humilde, cabeça baixa, procurando um banco mais afastado do altar. A celebração começou como de praxe e tudo seguia seu ritmo normal. Até que havia chegada a hora do sermão e o sacerdote Jeffrey, que ocupou o púlpito e, mesmo de tão longe, reconheceu os cabelos rebeldes cobrindo os olhos de seu amigo. Com um sorriso contido e cheio de compaixão, o sacerdote olhou o livro aberto com a passagem que seria lida aquele dia e, quebrando o protocolo, fechou o livro, retirou os óculos de leitura e se debruçou sobre o aparador. — Sabe, eu fico impressionado, como Deus encontra meios de mudar o rumo das nossas vidas dia após dia. Hoje de manhã, assim que acordei, tive essa sensação... Uma espécie de pressentimento, um sussurro de algum anjo me dizendo que meu dia não seria como todos os outros. Os fiéis prestavam atenção, curiosos com a mudança de postura e de tom de voz do padre. — Por isso, meus queridos amigos, peço a liberdade para não ler o Livro da Sabedoria hoje. Vou seguir o que me aconselha meu coração. Porque, acreditem, é através do coração de cada um que Deus fala conosco. E é o que diz uma das passagens bíblicas mais profundas que existem e que eu gostaria que vocês ouvissem, mais uma vez. "Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou. Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita. O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará. As profecias terão o seu fim, o dom das línguas terminará e a ciência vai ser inútil. Pois o nosso conhecimento é imperfeito e também imperfeita é a nossa profecia. Mas, quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Mas, quando me tornei homem, deixei o que era próprio de criança. Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face. Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior de todas, é o amor." Harry conhecia aquela passagem muito bem. O mundo inteiro conhecia a Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios. Era a passagem preferida de noivos e noivas, embora o jovem soubesse que o conteúdo daquelas palavras ia além do amor conjugal. A final song, our last request Uma música final, nosso último pedido Another chapter laid to rest Mais um capítulo perfeito terminado Padre Jeffrey suspirou. Olhou para o nada por alguns segundos, fechou os olhos e Harry sabia que ele agradecia a seus anjos e santos de devoção. Uma coisa dele, sempre que se sentia inspirado. — Ainda que eu seja capaz de falar com homens e anjos. Ainda que eu seja um exímio profeta, capaz de acertar os números da loteria toda semana... — Ele gracejou. — Ou que eu seja um cientista capaz de encontrar a cura para as mais graves doenças, ainda que eu tenha a fé capaz de transpor montanhas, que eu me ajoelhe diante do altar e acenda mil velas, e reze vinte vezes por dia o rosário. Sem amor... O que eu sou sem amor? Um nada, meus amigos. Sou um pedaço de carne sem razão de ser. Sou como um metal que só produz barulho e nenhum fruto. Porque só quem ama é capaz de produzir frutos. Ele esperou que os fiéis comentassem entre si aquela fala e continuou: — Não pensem que com frutos eu quero dizer filhos. Porque Jesus não teve filhos. Madre Teresa não teve filhos. Mas produziram os frutos mais lindos que a humanidade conhece: a caridade e a esperança. Assim é na nossa vida. Se tivermos amor, e NÃO IMPORTA como seja esse amor que sentimos, produziremos frutos ao nosso redor. Seja dando um sorriso sincero a um estranho na rua, seja levando uma palavra de alento a uma alma solitária, seja amparando uma mãe cujo filho está doente. — Ele olhou diretamente para Harry, que já sentia o rosto molhado pelas lágrimas — O amor é o maior de todos os dons de Deus. Quem pensa que o maior dom é o livre arbítrio está enganado. Amar, meus amigos, amar é uma dádiva concedida a poucos. "Porque amar implica em não julgar, em ter compaixão, resignação, renúncia, tolerância. Não só para com o ser amado, mas para com a humanidade. E sabe o que é mais surpreendente? É que este dom, muitas vezes, é dado para pessoas que nem sabem que o possuem. Elas apenas se permitem amar, sem preconceitos, sem estereótipos, sem medos. "Injusto? Eu diria que não há nada mais justo que isso... Existe um conto brasileiro chamado "O santo que não acreditava em Deus". Nome divertido, assim como a história que conta a saga de Deus para convencer um humilde feirante a se tornar santo. E este homem, mesmo diante do Criador, não quer aceitar porque diz não acreditar n'Ele. Posso ver pelas expressões de alguns aqui presentes que estão pensando no quão herege é esse texto. Mas sabe o que este texto nos ensina de verdade? Que não importa se você não acredita em Deus. Se existir amor no seu coração, é sinal de que Deus acredita em você." Do fundo da catedral, ainda sentindo os ombros chacoalharem com os soluços doloridos, Harry encontrou nas palavras do padre exatamente aquilo que havia ido buscar: uma certeza de que Louis, mesmo à revelia, estava com Deus. Parte de si rezava cada prece, direcionava cada energia contida em seu corpo para pedir a Deus que o devolvesse seu amado. Ele sabia que deveria tirar forças de algum lugar, que ele não sabia de onde, para seguir em frente. Quando descobriu que seguir em frente é simples. Difícil é deixar pra trás. Ele havia dito a Louis eu cuidaria de Johannah, no entanto, quando ela apareceu para sentar-se ao lado de Harry, ele percebeu que ela era a mulher mais forte que ele já tinha conhecido. Quem perde marido e filho e ainda busca forças em Deus para consolar os outros? — Dê tempo ao tempo... — Foi o que ela disse, em lágrimas, abraçando o moreno alto. — Eu acho que quem disse que o tempo cura tudo, nunca se apaixonou. — Ele respondeu e retribuiu o abraço da sogra. Não tinha nada pra ser dito naquele momento. Tudo parecia inútil, até mesmo sua própria existência. Sua fé o salvava para deixar o rumo da vida correr naturalmente. Sua fé o salvava de não ir imediatamente ao encontro de Louis. Now and then I try to find a place in my mind Agora e sempre, eu tento achar um lugar em minha mente Where you can stay Onde você pode ficar You can stay awake forever Onde você pode ficar para sempre XxX Ele tinha feito uma promessa. Ele disse que ficaria bem, mas não conseguia ficar pleno. Após a missa de sétimo dia, ele ficou com Johannah durante uns dias na casa dela. Ele admirava o senso dela de tentar retomar sua vida mesmo sabendo que nada nunca mais seria como antes. Ela criava forças sabe-se lá de onde, Harry achava que era de algum lugar secreto onde apenas as mães sabiam onde era, para continuar dando aulas e mantendo sua mente ocupada. Mas ele sabia. Ele sabia que os momentos em que ela desaparecia durante o dia era porque estava chorando e apenas não queria que ele a visse. Roma ainda era a mesma. Ele ainda conhecia muito bem todas as esquinas daquela cidade. Foi por isso que pegou sua jaqueta e saiu andando pelas ruas movimentadas. Não se deu conta, apenas andou. E, quando percebeu, estava encarando a pedra esculpida da lápide de Louis. Ele sentou-se em frente e baixou os olhos para a grama. — Lembra quando eu disse que preferia te perder do que não ter você pra lembrar? — Ele sorriu sem achar graça. — Digamos que é mais fácil falar. Soa poético numa música, mas... — Ele não conteve as lágrimas. — Lou... Essa dor não passa... Eu não sei, não sei o que espera... Você disse que sempre aprovaria o que eu fizesse, mas... E quando eu não sei o que fazer, hein? — Ele fez uma pausa para secar o rosto com as costas das mãos. — Não, não se sinta culpado... Eu só... sinto sua falta, entende? Ele respirou fundo e uma brisa leve correu por seus cabelos, uma carícia. Seu coração se acalmou ao ouvir o barulho das árvores por causa do vento. O cemitério não era exatamente um lugar que as pessoas considerariam bonito, mas era filosófico. Por todas as tardes daquela semana, Harry ia até lá para "conversar" com ele. Johannah o acompanhava vez ou outra, mas Harry começou a perceber que aquilo já estava se tornando torturante pra ela. Ele voltou a morar na casa da Toscana. As visitas de Johannah eram constantes assim mesmo. Ele não iria sair de lá, era o jeito que ele tinha encontrado para ficar, de alguma forma, perto de Louis. As coisas dele ainda continuavam lá, seu piano e todos os lugares aonde eles iam. Ele se agarrava a qualquer coisa, mesmo lembranças, pra poder diminuir a saudade que sentia todos os dias de Louis. Sleep tight, I'm not afraid Durma bem, não estou com medo The ones that we love are here with me Aqueles que amo, estão aqui comigo Lay away a place for me Guarde um lugar para mim 'Cause as soon as I'm done I'll be on my way Pois assim que eu terminar, estarei a caminho To live eternally Para viver eternamente. ~Fim
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