A música do capítulo é Unusual, da Britney Spears.
x.x.x
Nothin' about you is typical
Nada sobre você é típico
Nothin' about you's predictable
Nada sobre você é previsível
You got me all twisted and confused
Você me deixa completamente confuso
Up 'til now, I thought I knew love
Até agora eu pensei que conhecia o amor
Nothin' to lose and it's damaged 'cause
Nada a perder e isso agora acabou porque
Pattern to fall as quick as I do
Foi um padrão que caiu tão rápido quanto eu
Quente. Abafado. Era assim que Louis poderia descrever aquele lugar apertado. Um confessionário dentro de uma Igreja. Será que existia algo mais pervertido do que aquilo?
Ele não sabia, há alguns minutos tinha parado de pensar. Só sentia as mãos enormes de Harry percorrer todo seu corpo com uma ansiedade, uma pressa e uma curiosidade que ele não sabia se, com toda sua experiência, iria conseguir acompanhar. Não tinha mais noção do que estava fazendo direito. Sentia a língua de Harry na sua, depois seus lábios sendo mordidos. Era escuro, ele m*l conseguia ver as feições do padre, mas pelos gemidos e suspiros, podia ter bem mais que uma vaga noção de como ele estava.
Harry parecia outra pessoa naquele momento. O olhar retraído agora era cheio de luxúria, pecado, era quase demoníaco. Ele sentia-se possuído.
Louis não fazia ideia de como descobriu a maneira de tirar aquela batina preta. Maldita roupa! Comprida, pesada... Mas depois que tirou, ele sentiu-se completamente recompensado. Harry tinha o corpo mais incrível que já tinha visto na vida. Nem nos seus pensamentos mais insanos ele imaginou que por baixo da constante roupa preta tivesse tanto pecado em um peito liso, uma pele levemente dourada e suor. O padre estava quase pingando.
Era como o convite perfeito para a língua de Louis.
Eles não conversavam, não podiam conversar. Era como se qualquer palavra quebrasse o encanto do momento. O mais baixo desabotoou a própria camisa, batendo os cotovelos por todo lado daquele espaço apertado enquanto abaixava-se para lamber e chupar os m*****s de Harry. Seu peito arfava deixando Tomlinson ainda mais duro do que já estava.
A cueca slipper branca de Harry estava prestes a explodir. Louis, ao ver aquilo, certamente pensou que aconteceria o mesmo com a dele. Ele definitivamente não reconhecia mais o padre. Sentia seus cabelos sendo puxados e urros abafados pelo medo de fazer muito barulho.
Tomlinson não pensou duas vezes antes de baixar a cueca do outro até os joelhos e sentir aquele m****o bater quente e duro em seu rosto. O moreno alto estremeceu completamente quando ele colocou tudo aquilo na boca com uma fome absurda. Sugando a glande e toda a extensão daquela parte do corpo de Harry que ele nunca pensou que pudesse ser tão deliciosa.
Pela forma com que ele se contorcia, tinha certeza que não aguentaria muito. Louis terminou de se desfazer das próprias calças e roupas íntimas e levantou-se, olhou o padre nos olhos e apenas o segurou pela nuca com uma mão e, com a outra, fez Harry segurar em seu m****o, masturbando-o devagar, apenas fazendo com que ele aproveitasse o momento. Qualquer um que visse perceberia que o moreno alto estava enlouquecendo apenas de ver Louis e******o daquele jeito, com seu m****o latejando.
Naquela penumbra, aquele calor fazia com que ambos suassem ainda mais. Harry estava ofegante quando encontrou os olhos do homem coberto de suor a sua frente, que tentava adivinhar qual o próximo passo. Louis se perguntou diversas vezes o que teria que fazer, qual parte daquilo teria que ir para a frente agora e imediatamente, virou-se de costas e colocou as duas mãos na parede de madeira do confessionário, ficando completamente aberto para o padre que pensou que entraria em pânico só de ver aquela cena.
Bridges are burning
Pontes estão queimando
Baby, I'm learning
Querido, estou aprendendo
A new way of thinking now
Uma nova maneira de pensar agora
Love, I can see
Amor, eu posso ver
Nothing will be, just like it was
Que nada será como era antes
Ele entendeu perfeitamente o que deveria fazer, apesar de seu corpo estremecer das cabeças aos pés por estar naquela situação, sem muita habilidade com o que fazer com as próprias mãos e o m****o duro na palma delas. A mente de Harry era fértil e ele também não era burro, então não era tão difícil compreender que o próximo passo seria tentar fazer com que aquilo fosse tão real quanto ele já tinha imaginado antes.
Desceu as mãos pelas costas molhadas de Louis até chegar na cintura. Beijou os ombros dele, seguido de mordidas e Louis parecia com pressa quando encostou a b***a macia e redonda em seu m****o.
O padre dedilhou aquele local, abrindo a b***a do outro devagar, quase como se aproveitasse aquele momento a cada segundo. Roçou seu m****o por entre a pele fina e ouviu Louis gemer de um jeito que jamais pensou que ouviria. Definitivamente ele percebeu nessa hora que Tomlinson estava muito entregue naquele momento, porque ele jamais gemeria conscientemente daquela forma.
Harry passou os dedos pela entrada do outro, massageando a próstata e vendo Louis gostar cada vez mais daquilo, então concluiu para si mesmo que estava fazendo a coisa certa. Introduziu um dedo com uma das mãos enquanto passava a masturba-lo com a outra, adquirindo uma habilidade s****l que nem ele mesmo pensou que poderia ter dentro de si. Mas o culpado estava exatamente por entre seus dedos.
Quando introduziu o segundo dedo, percebeu Louis abafar um grito e fechar as mãos que estavam apoiadas na parede de madeira. Eles respiravam forte demais, se houvessem vidros, estariam todos embaçados. Tomlinson iria gozar com aqueles gemidos, era tudo mais excitante do que sua mente conseguia acompanhar. Seu corpo tinha parado de responder naquela mistura de suor que não cessava.
Sem conseguir mais aguentar, ele simplesmente colocou seu m****o dentro de Louis de uma vez. Sabia o que aconteceria e dessa vez sabia também que Tomlinson não iria conseguir sufocar o grito, por isso o segurou mais perto e tapou a boca do mais baixo com uma das mãos. Louis achou que ia morrer sufocado e de dor, pois nem mesmo em seu pensamento mais distante imaginou aqueles braços lhe prendendo daquela forma com tanta força, não tinha ideia que o padre fosse capaz de fazer algo como aquilo.
Harry suspirou tão forte que sentiu suas pernas saírem do chão e começou um movimento sincronizado que aumentava a velocidade aos poucos, entrando e saindo de dentro de Louis, que virou o pescoço para trás e iniciou um beijo lento no padre em meio a gemidos que saíam de sua garganta com tanta facilidade agora tanto quanto o m****o do outro.
Se Louis estivesse com alguma condição de raciocinar, diria que não podia acreditar naquilo. Queria Harry dentro dele pro resto da vida, porque aquela sensação era muito boa demais. Demais pra ser verdade. Por vezes, quando lembrava de colocar sua mente para funcionar, se forçava a abrir os olhos para ter certeza que não estava sonhando.
Ele ouviu Harry dizer algo como "não estou mais aguentando", mas ele de fato não prestou mais atenção em nada quando sentiu a mão do padre prender sua cintura com força, marcando os dedos ali e soltando um gemido forte, como se tivesse lutando contra alguma coisa, surrando a pele fina de Louis com aqueles dedos enormes.
Depois de mais alguns suspiros e tentativas falhas de falar alguma coisa que não fosse ar cortado que ecoava de seus pulmões, Louis também havia chegado ao seu ápice.
Baby, hear me you're so unusual
Baby, me escute, você é tão incomum
Didn't anyone tell you, you're supposed to break my heart
Ninguém te disse que você deveria quebrar o meu coração?
I expect you to, so why haven't you?
Eu esperava que você o fizesse, então por que não o fez?
Maybe you're not even human 'cause
Talvez você não seja nem humano porque
Only an angel could be so unusual
Somente um anjo pode ser tão incomum
Sweet surprise, I could get used to... unusual you
Doce surpresa, eu poderia me acostumar com um você tão incomum
Silêncio.
Apenas o som das respirações voltando ao ritmo normal.
A igreja e seu silêncio sepulcral. Era quase hora do almoço.
Harry saiu de dentro de Louis e enxugou o suor que escorria de sua própria testa. Tomlinson continuava de costas pra ele. Harry simplesmente o abraçou e, calmamente, beijava suas costas, segurou nos braços de Louis e pegou em suas mãos. Abraçados, ele apoiou o queixo no ombro do menor que, carinhosamente deitou sua cabeça no ombro de Harry.
A ternura do momento contrastava escandalosamente com o momento anterior.
Aos poucos, Louis foi se virando de frente para o padre, com medo de encará-lo, com medo que Harry se desse conta do que tinham acabado de fazer, que estivesse arrependido, que iria entrar em pânico, sair correndo e talvez até se açoitar... Católicos faziam aquilo para purificar-se dos pecados, certo?
Mas não. Louis apenas encontrou em Harry um olhar diferente. Ele definitivamente não era mais o mesmo. Parecia que ambos queriam falar e não sabiam por onde começar. Harry tinha dúvida, Louis tinha medo.
— Deveríamos sair daqui. – Louis falou primeiro, num sussurro. Mas para o padre foi quase um grito pela forma como aquele silêncio fora quebrado.
— É. – ele suspirou, concordando. Daria qualquer coisa para poder saber o que Tomlinson tinha em mente naquele momento.
Louis procurava as próprias roupas naquele espaço pequeno. Vestiu a cueca, a calça e a camisa. Tudo extremamente amassado, mas quem ligava? Ele tinha vontade de rir, mas não o fez. Rir de nervosismo. Tinha acabado de t*****r com um padre.
Harry vestiu sua slipper branca e pegou a batina em mãos e analisou-a por alguns segundos.
— Não posso vestir isso. – Foram as palavras do moreno alto.
— E vai sair daqui de dentro de cueca? – Louis olhou sem entender com um certo ar cômico, que não o abandonava nem mesmo naquela situação.
— Não estou falando de agora. – Harry até esboçou um sorriso enquanto vestia a batina de volta. – Estou falando daqui pra frente.
Louis virou o rosto e sentiu culpa na voz do padre. Ele terminou de se arrumar, ajeitou os cabelos úmidos de suor e estava começando a achar difícil respirar. Seu coração. Ele precisava se acalmar.
— Eu não devia... Você não devia... – Ele não sabia de quem era a culpa direito. – Harry...
— E por que não devíamos? – O padre segurou nos ombros de Louis, de costas pra ele. – Eu te amo.
— Ah graças a Deus. – Tomlinson estava aliviado. Virou-se de frente e abraçou Harry como se tivesse medo que ele saísse correndo. – Eu também te amo.
— Você está tremendo. – Harry disse enquanto retribuía o abraço.
— Hazza, eu sei o quanto você ama a igreja, mas... Eu não sou um fiel, mas eu entendo isso em você, só que... Eu sei que pode parecer egoísta, mas... – Ele fez uma pausa enquanto Harry sorria calmo – Eu realmente espero que você escolha ficar comigo.
When I'm with you, I can just be myself
Quando estou com você, pode ser quem eu sou
You're always where you say you will be
Você sempre está onde diz que estará
Shocking cuz I never knew love like this
Chocante porque eu nunca pensei que um amor como esse
Could exist
Poderia existir
— Você ainda está esperando uma decisão? – Harry quase riu, olhando para Louis como se ele fosse o cara mais ingênuo do mundo. – Jamais... faria sexo com você se alguma dúvida estivesse na minha mente, Lou.
— Então você está dizendo que...
— Já. – O padre o interrompeu. – Já tomei minha decisão no momento que te arrastei aqui pra dentro.
Louis agora se rendeu ao sorriso infantil, m*l acreditando no que ouvia. Era muito engraçado Harry admitindo que de fato tomou a iniciativa.
— É... admito que foi meio... – Tomlinson dizia baixinho rindo. – Confessionário, Haz?
— Fica quieto. – Harry disse o acompanhando no riso. – Eu vou sair ok? Espere meu sinal e você sai, vou ver se não tem ninguém.
— Certo, esse calor não está me fazendo bem. – Louis disse passando as mãos pelo rosto, ainda suado.
Harry arrumou os cabelos e abriu a pequena porta de saída do confessionário. Aquele ar gélido da catedral enorme tomou conta de seus pulmões e quase que imediatamente fez o suor de seu rosto evaporar. Sua batina estava amassada e, se o vissem, nunca que teria uma boa explicação.
Ele olhou de longe e viu o sol alto lá fora, mas a catedral estava vazia. Era hora do almoço, normal que as pessoas estivessem em suas casas.
— Vem. – Harry disse para o mais baixo que passou pela porta.
Tomlinson estava morrendo de vontade de beijá-lo agora que podia ver seu rosto direito. Brilhando de suor, corado, a boca avermelhada. Feliz. Outro homem.
— Podemos nos ver mais tarde? – Ele perguntou tentando manter uma distância significativa entre eles para evitar que não conseguisse se segurar.
— Claro. – Harry respondeu calmo, mas não o seu calmo de sempre. Louis agora via malícia em todas as formas do padre, em todas as palavras, em todas as expressões faciais.
— Vem lá em casa? – Ele tentava parar de sorrir, mas seu rosto se recusava a fazê-lo.
— Tudo bem. – O padre respondeu, percebendo como estava sendo i****a e infantil. Sentia-se com quinze anos. Era pateticamente delicioso sentir-se daquela forma.
Sua batina pesava o dobro. Ele lembrou de todo processo que teria dali pra frente. Fora sua vida toda honesto consigo mesmo não era agora que iria deixar de sê-lo. Entendeu sua missão e, pela primeira vez em anos, sentia a sensação boa de que ela havia se cumprido. Parou de procurar, não era mais necessário.
Sua mãe devia saber o que fazia. Deus certamente a guiou naquela promessa.
E, no fim das contas, devia a verdade ao padre Jeffrey. Verdade essa que, ao que parecia, ele já sabia antes de Harry. Um homem sábio, pensou ele sobre o velho.
Andou até a sacristia, precisava de um banho, precisava resolver sua vida. Precisava, agora mais do que tudo, ficar com Louis. Afinal, ao que parecia, eles não podiam se dar ao luxo de ter tempo.
Tables are turning
Mesas estão virando
My heart is soaring
Meu coração está flutuando
You'll never let me down
Você nunca me deixará cair
Answer my call
Responde meu chamado
Here after all
E mesmo depois de tudo
Never met anyone like you
Nunca conheci alguém como você
XxX
— Mãe... – Louis passou o almoço inteiro ensaiando como diria aquilo à mãe. – Sabe aquela casa no interior da Toscana?
— Da sua avó? – Johannah respondeu servindo mais um pouco de lasanha ao filho.
— É. – Ele disse um pouco inseguro. – Na Ilha de Elba... certo?
— Sim. – Ela respondeu distraída. – O que tem?
— Eu acho que... Acho que vou me mudar pra lá. – Louis disse com o maior cuidado e sua mãe apenas arregalou os olhos e parou imediatamente o que estava fazendo.
— Como é que é? – Ela dizia, incrédula. – E por que?
— Estava pensando em fazer essa proposta ao Harry...
— Padre Harry, Louis. – Ela corrigiu. – Filho, já falamos sobre isso, você mesmo disse que precisava esquecê-lo... Agora quer viver com ele? Louis, ele tem uma missão...
— Mãe, presta atenção. – Louis largou seus talheres e não sabia o que pesava mais: se a alegria de poder dizer que iria ficar com o padre ou a preocupação de sua mãe ter um surto. – Harry vai largar a igreja.
— Louis, não se faz esse tipo de brincadeira com a sua mãe. – Johannah estava quase furiosa.
— Conversamos pela manhã e... – Louis respirou fundo e o sorriso foi inevitável. – Ele também está apaixonado por mim.
Foi a vez de Johannah soltar os talheres e passar as mãos pelo rosto. Ela não sabia nem o que pensar, queria apoiar Louis mas ao mesmo se preocupava com ele, com o julgamento das pessoas, seu coração de mãe ficava apertado só de imaginar aquela situação.
— Mãe, por favor... – Ele agora pegou em uma das mãos de sua mãe. – A senhora pode nos visitar sempre e... Sei que quer me ver feliz e Harry... – Ele sorriu ao falar o nome do outro. – Harry é exatamente do que eu preciso, de quem eu preciso... Mãe, se eu pudesse ao mesmo explicar de uma maneira lógica e racional como esse homem me faz sentir, a senhora não titubearia nem por um segundo em aprovar isso. – Louis tinha uma alegria que m*l podia conter. – Não me importo com quanto tempo eu tenho... Um mês, um ano... Nem que eu tivesse apenas mais um segundo de vida... É com ele que quero estar.
Tomlinson sentia uma emoção incomum ao dizer aquilo. Podia acabar com todos os clichês do mundo, ele realmente não ligava mais. Sabia que sua mãe entenderia, se não fosse por ela, ele não teria conhecido o homem de sua vida.
— Eu ia perguntar se você tem certeza, mas... – Ela sorriu emocionada ao ouvir as palavras do filho. – Mas acho que não precisa nem me dizer... – Ele levantou da mesa e a abraçou.
Se tudo que ela queria era um milagre, bem, ela tinha um bem à sua frente
— Podem ficar com a casa da Toscana. – Ela sorriu e já sentia as lágrimas vindo com força total. – Vou ajudar vocês com tudo por lá.
Ele abraçou a mãe ainda mais apertado por alguns segundos e em seguida olhou pra ela de um jeito terno, calmo. Em paz.
— Você tem que me prometer uma coisa. – Louis começou enquanto secava as lágrimas da mãe. Ela concordou com a cabeça. – Quando eu morrer... Não sofra, ok?
— Louis! – Ela agora sim entrou em choro praticamente compulsivo. – Como pode me pedir pra prometer uma coisa dessas com essa calma?
— Mãe, você vai continuar com a sua vida, você vai encontrar alguém e ser muito, muito feliz. – Ele continuava tranquilo. – Não vai passar o resto dos seus dias lamentando a minha perda, mãe... Não vou morrer em paz sabendo que a senhora está sofrendo!
— Como pode me pedir uma coisas dessas? – Ela repetiu. – Você é meu filho!
— Mãe, eu vou ficar bem. Prometo. – Era incrível o quanto aquele homem estava em paz.
Ele voltou a abraçar a mãe e ficaram ali por um bom tempo.
XxX
Harry deu duas batidas na porta do quarto do sacerdote Jeffrey Dean Morgan e entrou quando ouviu que devia fazê-lo. Ele estava de banho tomado, cabelos molhados, ainda vestindo preto. Ele entrou respirando fundo, mas com sua decisão tomada.
— Com licença, padre. – Ele disse ao ver Jeffrey levantar-se de sua escrivaninha para recebê-lo.
— Algum problema, filho?
Jeffrey analisou o jovem por alguns segundos e olhava fixo para um Harry que parecia pensar muito antes de começar a falar. Ele parecia nervoso, tinha certeza do que queria, mas receio de falar. Quando ensaiou na frente do espelho, pareceu mais fácil. Respirou fundo mais de uma vez e passou as mãos pelos cabelos molhados.
— Quando é que você vai? – Jeffrey perguntou e Harry o encarou de volta arregalando os olhos.
— Como? – O jovem disse sem entender.
— Quando você vai sair da Igreja? – Jeffrey tinha uma calma quase assustadora. – Vai enviar sua solicitação para a Diocese ainda hoje?
— Não... – Harry disse, extremamente surpreso. Jeffrey lia mentes, não era possível. – Não sei, eu... – Certo agora ele estava oficialmente nervoso. – Como...?
— Está nos olhos, Harry. Tudo está sempre nos seus olhos. Conheço rapazes apaixonados há quilômetros de distância. – Jeffrey respondeu calmo, praticamente sorrindo.
— Padre, eu...
— Filho, a igreja não é mais a mesma há anos. – Jeffrey explicava paciente. – Não vivemos mais em tempos em que a religião oprime decisões, sim há uma doutrina, mas seguir é opcional. E não digo apenas em relação a ser ou não padre... "Amai-vos uns aos outros". De todas as formas que o amor permitir.
— Mas eu sempre pensei que a igreja condenasse relacionamentos homossexuais e...
— E vamos fazer o que? – Jeffrey agora riu mais aberto. – Vamos matar todos eles? Fazer fogueiras e queimá-los vivos? Escravizá-los alegando que não possuem alma? – Harry prestava atenção conforme o sacerdote explicava. – A Igreja cometeu muitos erros, Harry. E pagaremos por isso por gerações a fio... Não podemos desfazer o que nossos antepassados fizeram. O podemos, e devemos fazer, é não cometer os mesmo velhos erros.
Ele apenas assentiu com a cabeça. Sentiu um certo alívio em seu coração e suspirou quando Jeffrey tocou seu ombro de maneira paternal.
— Não demore para fazer a sua solicitação à Diocese. Isso será encaminhado a Santa Fé e pode demorar.
— Farei isso o mais breve possível, senhor.
Jeffrey assentiu com a cabeça, Harry pediu licença e se retirou. Jeffrey sorriu, estava satisfeito com a honestidade de um rapaz tão jovem. Ele fez o sinal da cruz e o abençoou com toda verdade que tinha em seu coração.
Can't believe that I
Não posso acreditar que eu
Almost didn't try
Quase não me arrisquei
When you called my name
Quando você chamou meu nome
Now everything has changed
Mas agora tudo mudou.