Ela corre, corre desesperada sob uma mata densa, escura e com uivos assombrosos de corujas. Não é fisicamente possível, mas eu consigo ouvir a sua respiração, mesmo há metros de distância. Ah, eu consigo. E a farejo pelo medo que ela exala nesse momento. Samantha não pode ir tão longe, ela é frágil, é dócil. Tem a mesma feição digna de pena de um cervo fugindo do predador.
Eu a conheço bem, apesar dela não me conhecer nem um pouco. Samantha é doce e gentil, amável. Uma presa simples de pegar. Ingênua, talvez.
Oh, não corra. Você é tão linda. Eu vou pegar você de qualquer maneira.
Eu sorrio na escuridão, e você não pode enxergar. Então pare e pense: para que adiar o inevitável?
Eu não pareço um predador, pareço?
Venha para os meus braços. O cheiro da morte não pode ser tão r**m*. Eu carrego várias sobre os meus ombros, e acredite, a sua será mais uma.
Você é doce. Mas o seu gosto final na minha boca será amargo. Você é linda. É uma pena.
A luz fraca da lua ilumina as folhas da mata densa e eu ouço os passos dela desesperados esmagando a folhagem morta caída no chão da floresta, tentando encontra o melhor ponto de fuga. É como se conseguisse vê-la ofegante olhando para um lado e outro, decidindo qual o melhor rumo. Engole em seco, retoma a respiração, funga o nariz, seca o suor da testa. É inútil. É inútil. Acredite. Pobre* Samantha, não há direção certa. O destino é apenas um: sua morte.
E então eu a surpreendo surgindo de um lugar que ela não esperava: a sua lateral direita.
-- Te peguei!
Uma mão envolve a sua boca antes que pudesse gritar e a outra a sua cintura, a imobilizando.
Eu falei que te pegaria.