Sentados sobre a mesa de jantar, Isaak encara seu futuro noivo com uma pequena ruga de dúvida em sua testa. O que ele teria para lembrar? Por que Henry disse que o faria lembrar de cada segundo? Eles já tinham se visto antes? Se sim, quando? E o que aconteceu entre eles? O garoto de cabelos cacheados se perguntava, sentia que sua cabeça fosse explodir com aquelas questões que não tinham respostas, tudo estava o maior mistério, ele queria confrontar o mais velho e perguntar o que tanto ele esconde.
Isaak não sentia fome, tocou a comida com o garfo, a virando de um lado a outro, aquele bife parecia estar suculento, mas sentia seu estômago revirar em pensar apenas de o colocar para dentro.
— Não lhe atrai a comida? — Seu futuro sogro pergunta da cabeceira da mesa. Com um sorriso sem graça, Isaak fala.
— Não estou me sentindo bem. — Alexandre parece preocupado.
— Se não gosta, não coma, diga o que deseja que mandarei lhe servir. — Com uma careta que secretamente o sogro e até mesmo o filho, esse último negaria até seu último suspiro, acharam fofo no garoto, que já era um adulto, afinal. Sentindo sua boca encher de água e a timidez indo pelo ralo, Isaak proferiu.
— Queria agora mesmo frango frito com bastante cebola. — Todos na mesa apenas se mantiveram calados, o pai de Isaak achou aquilo uma falta de respeito com seus anfitriões. Já Alexandre achava aquilo tudo uma graça, em seus pensamentos ele dizia que ter aquele garoto morando com eles faria de suas rotinas mais felizes, nunca monótonas, nunca seria tedioso o ter ali, já que o garoto demostrava não ter papas na língua se tratando de certos assuntos. Olhando bem para o jovem, Alexandre ver que ele faria bem ao seu filho.
— Que falta de respeito filho, sempre gostou de bife, nunca foi de pedir algo diferente do que era servido em nossa mesa. — Marcos achou aquela atitude do filho muito estranha, talvez fosse o jeito do rapaz de dizer como estava insatisfeito com aquele casamento.
— Deixe que ele fale, Marcos. — Alexandre encara o homem ao seu lado esquerdo. Logo passando o olhar para a cadeira ao lado do homem, onde seu futuro genro está sentado. — Logo ele será dono de tudo isso, dono tanto quanto eu e meu filho. Como faz faculdade, essa será sua única preocupação junto com a casa, depois que terminar seus estudos você decide o que fazer, onde vai trabalhar, mesmo que em nossa empresa você terá sua parte e poderá trabalhar na empresa de sua família. — Isaak engole em seco, mesmo não gostando da ideia de se casar, ele pensava que não merecia tudo aquilo que seu sogro estava fazendo por ele, tão poucos minutos de convivência e o homem o tratava tão bem. — Chuto que meu filho pensa igual. — Ele olha para seu lado direito, onde o de cabelos loiros apenas observava aquela conversa em silencio.
— Penso igual meu pai, aqui não será sua prisão, Isaak. — O de olhos azuis sentiu seu corpo tremer ao ter seu nome saindo da boca rosada do mais velho, ele sentia seus pelos arrepiados. Que reação era aquela? Ele se perguntava.
Com um aceno de cabeça do senhor Rossi a governanta foi providenciar o que o futuro patrão pediu.
Todos continuaram seu jantar até que o pedido do mais novo dos Walker chegou. Quando ele terminou, uma vontade de vomitar tomou conta do seu corpo, com um pouco de esforço ele conseguiu se controlar, não podia colocar tudo para fora ali, em frente aos Rossi, de seu lugar, Henry Rossi via o pequeno fazer algumas caretas, desconfiado, mas sem saber o que fazer, ele apenas seguiu em silencio ou conversado com seu sogro e pai vez ou outra. Quando o almoço acabou, eles continuaram a conversar enquanto os pratos eram retirados da mesa e uma taça de mousse de morango era colocado em frente aos quatro. Terminando calmamente a sobremesa, Alexandre falou.
— Alguns termos que estabeleci e quero que entremos em consenso. — Disse olhando nos olhos de cada um ali. — Henry tem seus exames feitos e pode engravidar, assim como seu pai me falou que você também pode Isaak. — Isaak sentia suas bochechas corarem com aquela conversa. — Mas vocês serão um casal, essa parte é vocês que decidem. No primeiro ano de casamento, sugiro que se conheçam, talvez até mesmo se apaixonem. — Os dois se olham, Isaak se sente incomodado com aquilo, se apaixonar por Henry? Ele diria que é impossível isso acontecer, nunca deixaria seu coração na mão do homem com quem foi forçado a se casar. Ele se sentia até estranho em pensar que teria que dar seu corpo aquele homem, mesmo que não quisesse. — Sugiro que no segundo ano de casados, aproveitem mais a vida a dois sozinhos. Mas no terceiro ao quarto ano juntos, quero poder ter um neto. Entendo se não quiserem, mas peço que pensem nisso.
— Sim meu pai, vamos conversar. — Henry diz olhando nos olhos de seu futuro marido, Isaak foge dos olhos azuis, não queria ter que conversar sobre aquilo, era constrangedor.
— Ótimo, filho, siga para a árvore no quintal da fazenda, logo seu noivo se juntará a você.
Com um aceno, o homem de cabelos loiros se levanta e segue para as portas de trás, sumindo pelos corredores restam apenas os três a mesa.
— Querido, — Alexandre fala chamando a atenção de Isaak para ele, já que o menino encara por onde o noivo saiu. — Sei que é pedir muito de você, meu filho fará sempre o que eu pedi, eu o amo, e ele a mim, desde pequeno ele sempre busca me orgulhar, m*l sabe ele que me orgulho muito de ser pai do homem que ele é. mas não se preocupe, ele nunca vai machucar você, ele pode ser um pouco ignorante as vezes, frio, mas ele sempre foi e é um bom rapaz. Vou pedir que sempre tenham diálogo, evitem discussões.
— Vou fazer meu melhor, senhor.
— Obrigado por sua compreensão meu filho. Vá falar com ele, vocês precisam de um tempo a sós, siga reto por onde ele saiu, var ver a grande árvore em nosso quintal.
Com um aceno, Isaak se levanta da mesa seguindo por onde foi instruído, passa pela cozinha e cumprimenta os cozinheiro e cozinheiras ali dentro, seguindo pela porta, sai numa área que nem a da porta de entrada, só que a vista dali era incrível. Alguns metros tinha uma árvore enorme, embaixo dela uma mesa de cimento e alguns bancos ao redor da mesa feitos com os mesmos materiais, eram três bancos ao redor, com lugar para duas pessoas cada, mais para frente tinha um curral com uns seis cavalos dar cor branco, preto e marrons. Era lindo demais.
Caminhado calmamente por entre um pequeno jardim da calçada que se estendia até o curral e cercava a árvore com a mesa, Isaak ia olhando as pequenas rosas, girassóis, azaleias, ia se deliciando com o cheiro gostoso de todas aquelas flores misturadas, ao chegar próximo da mesa de cimento, ele para, apenas encarando as costas musculosas de Henry.
Ele respira fundo e senta-se no banco de costas para a grande árvore.
— O que você me fará lembrar? — A voz sai mais baixa que de costume e do que ele gostaria. Henry se ajeita no banco, dando as costas aos cavalos que pastavam a alguns metros dali. Olhando nos olhos de Isaak ele fala, sempre com a expressão séria, expressão essa que já estava irritando Isaak.
— Você vai lembrar na hora certa. — Fala todo enigmático, o mais novo bufa em frustação, encarando de frente o mais velho.
— Me fale logo o que você tanto mantém em segredo, por acaso é alguma brincadeira com minha cara? — Sua voz soa irritada, o que tira um pequeno sorriso do mais velho, sorriso esse que mexe com Isaak. Ele olha rapidamente para os lábios rosados, logo desviando sua atenção para os olhos novamente.
— Eu disse que faria você lembrar, não disse que contaria. Até porque, que graça teria? — Respirando fundo, Isaak quer acabar com aquilo logo.
— Quer saber, continue com seu joguinho, vamos nos casar, mesmo que nenhum de nós dois quiséssemos isso, mas vamos, então seremos forçados a conviver um com outro, coisa que estou vendo que será difícil.
— Difícil por sua causa? Que nem mesmo lembra do que anda fazendo por aí? — Isaak se sente atacado pela fala do mais velho, ele saberia sobre tudo que ele andava fazendo? Não a parte que ele mostrava aos amigos ou ao pai, o que acontecia de verdade?
— O que está insinuando? — Henry olha para ele com os olhos em f***a.
— Você não lembra mesmo de nada? ou está apenas fingindo? — Frustrado era como Isaak se sentia.
— Olha, vai tomar naquele lugar com seus mistérios de merda. — Mesmo tremendo por dentro, ele foi capaz de dizer aquelas palavras, estava se sentindo dentro de um jogo, onde todos podiam o controlar. E sentir isso não era legal, ele queria poder controlar sua vida.
Levantando do banco ele ia rumo a casa da fazenda, mas Henry foi mais rápido e o encurralou entre seu corpo e o tronco da árvore, a respiração rápida de Isaak mostrava a surpresa daquele ato.
— Você sempre faz isso, dorme com qualquer um e esquece no dia seguinte? — Se Isaak soubesse ler nas entrelinhas, ouviria o tom de voz cheio de ciúmes, mas ele apenas interpretou aquilo como um ataque pessoal para xingar ele.
— Você não pode falar algo sem sentido desse jeito, o que sabe sobre minha vida? — Sua voz sai baixa de novo, mas firme, ele não sabia o que acontecia, era como se aquele homem tivesse um poder estranho sobre seu corpo que ficava difícil ele fazer seu próprio corpo obedecê-lo. O que era para sair gritado cheio de raiva, sai apenas uma fala mansa e baixa, apesar de firme.
— É apenas o que vi. — O maior, já que ele ficava uns quinze centímetros mais alto que Isaak, fala cheio de raiva.
— Como poderia ter visto algo sobre minha vida se nos conhecemos a poucas horas atrás? — Dessa vez o tom irritado de Isaak sai mais em evidência.
— Você faz tão pouco de mim, Isaak. — De novo o corpo dele amoleceu, só que dessa vez o maior sentiu, já que seu corpo o pressionava de encontro ao tronco. Percebendo o que acontecia ali, Henry sorri convencido, um dos poucos sorrisos que dá. — Gosta disso? — Disse aproximando mais o corpo um do outro, as respirações se chocando, rápidas e descompassadas. Isaak não podia negar o crescente desejo, Henry estava caindo em sua própria armadilha, sentia seu corpo pesado, implorando por um contato maior entre ele e o menor.
— Me solte. — A voz falha e quase manhosa de Isaak o fez xingar em seus pensamentos. “O que p***a estava acontecendo ali?”
— Não é isso que seu corpo está pedindo. — Henry diz baixo, sua voz rouca, seus narizes se tocando. — Pode me xingar e gritar irritado com ódio, mas seu corpo me reconhece. — Isaak se sentia cada vez mais em agonia, por não saber ao que aquele homem se referia.
— Por favor. — Isaak implora, ele não saberia dizer pelo que, se para o maior o soltar, ou beijá-lo. Ele se amaldiçoou pelo último pensamento.
— Você ainda vai me implorar por isso quando estiver em minha cama. — A voz soa ameaçadora.
— Nem se eu estivesse louco. — A voz baixa soa. Os dois estão envoltos em vários sentimentos que nem eles próprios os entendem. — Eu te odeio. — Isaak diz, mais para si, tentando se convencer daquelas palavras contra o maior.
— Tente lembrar o que aconteceu a quase um mês atrás, saberá que você implorou e muito. — Henry não se deixou abalar pelas últimas palavras do rapaz. Os olhos de Isaak que iam se fechando abrem em espanto. A um mês ele saiu com seus amigos e como sempre fazia, saiu com alguém da balada, uma mulher, mas logo a dispensou e seguiu sozinho para um motel. Não foi isso? pelo menos ele acha que foi isso, o de sempre, já que naquela noite ele lembra apenas de chegar na balada e começar a beber, ele lembra que nunca bebeu daquele jeito, não dentro da balada, mas depois disso foi tudo um borrão, acordou sozinho e pelado na cama de um motel qualquer, apenas isso, então como Henry, o seu futuro noivo que nunca viu antes, diz algo sobre essa noite em específico?
— O que está tentando dizer? — Ele afasta o corpo maior do seu, todo aquele clima evaporando, Isaak pensava que naquela noite nada demais havia acontecido fora do normal. Será que aconteceu algo e ele não lembra de nada por causa da bebida? Talvez ele tenha encontrado o futuro noivo quando bêbedo e não lembra? O menor sentia sua cabeça fritando, uma dor incômoda sentia chegar.
Ele não gostava nenhum pouco de ficar no escuro sobre algo que claramente o envolvia. Cedo ou tarde ele estava disposto a descobrir sobre aquela noite, e como o seu futuro marido estaria envolvido.