A noite havia chegado e com ela, a tristeza de Isaak, já que seu pai teria que voltar para casa para poder trabalhar, e ele como um bom noivo devia ficar naquela fazenda afastado de toda civilização e apenas com seu sogro, o único que parecia simpatizar com ele e, seu noivo, um babaca que se achava no direito de brincar de mistério com a vida que não lhe pertencia. Isaak estava a ponto de jogar tudo para o alto e ir para debaixo de uma ponte, só assim se veria longe de tudo aquilo que o deixava a beira de um colapso. Estava a ponto de se ajoelhar aos pés do seu pai e lhe implorar para que não o deixasse ali, à mercê de um louco misterioso.
Suspirou ao acompanhar o pai até a grande porta onde o carro já o esperava, seu futuro sogro e futuro marido seguiam atrás dele, o motorista abre a porta do carro para que o senhor Walker adentre. Olhando para o chão, para aquela terra e barro que melavam seus sapatos, Isaak sentiu seus olhos nublarem pelas lágrimas que insistiram em cair, virando-se para o filho, Marcos suspirou cansado e com um aperto em seu peito por deixar seu menino ali sozinho, sem sua proteção.
— Desculpe-me meu filho, sei que pode me odiar nesse momento, mas penso ser o melhor para você, para que você cresça e cria responsabilidade. — O senhor passa as mãos pelo rosto, afastando qualquer resquício de lágrimas, segurando a face do filho entre suas mãos. — Eu te amo meu menino, perdoe-me se fiz o errado. — Deixa um beijo na testa do seu pequeno filho irresponsável e limpa as lágrimas que ainda caiam de sua face. Dirigindo-se ao amigo e patrão, o implorou com os olhos vermelhos. — Cuide de meu filho, por favor. — Com um sorriso gentil o mais velho disse:
— Enquanto eu estive vivo, o protegerei como se fosse meu filho. — Agradecido, o senhor Walker fitou seu futuro genro.
— Seja gentil com ele, meu menino pode se mostrar duro e irresponsável, mas no fundo é um bom garoto.
— Não se preocupe senhor, nunca o machucaria intencionalmente.
Com o coração mais tranquilo, Marcos entrou naquele carro e foi embora sem olhar para trás, sabia que se fizesse isso, seu coração mole de pai iria o trair e levaria o filho embora para debaixo de suas asas. Enxugando as lágrimas, implorou, nunca fora religioso, mas no silencio do carro, implorou a Deus que seu filho encontrasse a felicidade e virasse um rapaz digno. Sem bebedeiras ou amigos de péssima companhia.
Isaak permaneceu no mesmo lugar, viu o carro sumindo pela estrada de terra, só restando uma fina onda de poeira pelo caminho, limpou o rosto, temendo que seu futuro marido o visse daquela forma e usasse isso contra ele. Só lhe restava a si mesmo agora, estava sozinho. Sentiu uma mão em seu ombro e tomou um leve susto, mas logo Alexandre apareceu em sua frente, fazendo um suspiro sair de seus lábios.
— Você vai ficar bem meu querido, lhe prometo que não vou deixar que nada lhe aconteça. — Isaak apenas maneou a cabeça quando se deixou ser levado para dentro da casa, não vendo mais seu futuro noivo em lugar nenhum, olhava tudo com uma pequena ruga quando parecendo notar sua confusão e curiosidade, Alexandre falou:
— Ele foi andar a cavalo, disse que precisava pensar. — Isaak sentiu suas bochechas corarem por se deixar ser percebido o interesse por Henry. — Venha, vou lhe mostrar seu quarto, você trouxe alguns pertences, já estão lá junto com suas roupas e algumas novas peças que eu e meu filho escolhemos especialmente para você, espero que possa se sentir confortável, essa é sua casa. — Com um sorrio gentil, a qual Isaak retribuiu, eles subiram as escadas onde mais cedo havia visto seu noivo descer. Parando o corredor logo acima das escadas onde se encontravam seis portas, Alex fez o genro parar. Apontando para a primeira porta do lado direito ele falou.
— Esse é o meu quarto, a segunda porta é meu escritório, a terceira é o quarto de Henry, futuramente o seu, mas enquanto continuam como noivos, seu quarto é a porta ao lado do dele. As duas portas opostas, a primeira é um banheiro social e a outra o quarto de visitas. No andar de baixo, seguindo o corredor que você saiu, deve ter notado quatro portas antes da cozinha, tem o escritório principal que é de Henry e os outros são quartos. Tem uma outra cede depois dos estábulos, são a casa que os funcionários usam, os que moram aqui. Como a cozinheira. — Aponta para a porta que indicou ser o quarto de Isaak. — Fique à vontade, tome um banho e descanse, vou trabalhar um pouco, mas o que precisar não hesite em ir me chamar, se quiser pode explorar a fazenda, todos tem uma ordem expressa para que te auxiliem.
O senhor Rossi foi se afastando, adentrou a porta que daria para seu escritório e sumiu por ela e, Isaak ficou encarando a porta de madeira que o levaria ao seu quarto, talvez o único lugar seguro daquela mansão no meio da fazenda. Abrindo a porta, notou as paredes pintadas num cinza claro, luzes ambiente deixavam o quarto num tom harmonioso, ao seu lado esquerdo, duas mesas de cabeceira em cada lado da cama, e dois abajures de pé ao lado das mesinhas, na cabeceira da cama logo em cima, embutido na parede, umas quatro prateleiras com livros que Isaak não reconheceu, entrando mais no quarto, do lado esquerdo, uma porta que supôs ser o closet e a outra o banheiro, logo a sua frente em frente a porta, uma mesa com um pequeno abajur e um notebook e um tablet desligado, logo reconheceu que eram os seus, junto com seus cadernos e canetas num pequeno potinho, ali estaria seus trabalhos de faculdade, já que fora transferido para a faculdade online a pedido do pai para que assim pudesse passar essas duas semanas na fazenda.
Suspirou deitando-se sobre o colchão macio, olhando o teto branco, ele estaria preso ali por duas semanas, mas depois disso estaria preso para sempre na mansão dos Rossi, como um Rossi, e ele não pode impedir que as lágrimas caíssem de seus olhos, pensou em seu pai, no sogro e em seu futuro marido, ele teria que dividir toda sua vida com um homem estranho por causa de suas atitudes inconsequentes, nesse momento ele se arrepende profundamente de tudo que fez ao longo de sua vida, do garoto mimado que fingiu ser apenas para manter as aparências para pessoas que não ligam a mínima para ele, mesmo achando a atitude de seu pai errada, ele pensava agora merecer viver aquilo pelas coisas nada honradas que fez durante quase toda sua vida. Ele mentiu, omitiu e viveu dentro de uma pessoa que não era ele. Talvez ele realmente mereça casar com alguém que ele não ama, já que sempre viveu uma vida que não queria, por escolha própria, agora viveria sem ser por sua escolha uma vida que ele não queria novamente, ele estava sendo obrigado e não tinha volta. Talvez fosse a vida lhe cobrando seu preço.
Acabou dormindo sem ao menos perceber, as lágrimas secas em seu rosto, denunciou a Henry que seu noivo havia chorado, o mais velho estava agora sentado sobre a beirada da cama encarando o rosto cansado do menor, ele veio chamar o pequeno homem para andar a cavalo a pedido do seu pai que disse que não deixasse o noivo sozinho, fizessem coisas juntos para se conhecer ao longo da semana, e como Henry amava cavalgar ele queria começar bem com o homem que conviveria até o fim de seus dias na terra. Mas para sua surpresa a porta se encontrava fechada e por mais que o mais velho tenha chamado seu nome mais de três vezes, nada respondeu o mais novo, temendo que ele tivesse fugido, Henry abriu a porta apenas para o encontrar dormindo num sono profundo. Ver aquele corpo sobre a cama o fez respirar pesadamente, não iria negar a beleza de seu noivo, ainda mais depois de tudo que aconteceu naquela noite, mas Henry tinha que ir com calma, ele gostava e muito de sexo, mas seu parceiro parecia alguém inexperiente, e por mais que quisesse extravasar um pouco toda essa confusão de sentimentos, devia ao seu noivo sua lealdade e fidelidade, por mais devasso que fosse, não era um traidor, apesar das circunstâncias que o fizeram chegar ali, ele respeitava o seu futuro parceiro, pois sabia e tinha consciência que não gostaria que o mais novo fizesse o mesmo, não queria aquela boca se entregando a outro. Ele não poderia negar que aquela noite foi a melhor noite de sua vida.
— Filho? — Henry se assustou, levantando-se rapidamente da cama onde encarava Isaak.
— Pai? — Perguntou surpreso.
— Quer conversar? — Alexandre o olha com olhos cerrados, parecendo querer descobrir todos os segredos do filho. — Você parece gostar dele, quando o viu, parecia que o reconhecia.
— Apenas é parecido com alguém que vi a muito tempo. — Henry não queria contar a verdade o pai, não sem antes seu futuro marido lembrasse dele. Então depois os dois resolveria se contava ou não.
— Meu filho, sei que esconde algo, só espero que isso não machuque nenhum dos dois. Isaak é gentil, parece um gato ferido, que precisa de atenção e cuidado, sei que é uma carga enorme para que você carregue, mas talvez isso os aproxime, cuide dele, como seu amigo, como marido, e encontrem juntos um meio termo, para que convivam em harmonia. — Henry morde seus lábios, nunca escondeu nada de seu pai, pois era o único amigo, fora Pedro que é seu assistente também, que contava tudo sobre sua vida. Engoliu as palavras e sorriu para o pai.
— Eu vou fazer o que estiver ao meu alcance para que possamos conviver em harmonia.
— Isso é bom. — Alexandre suspirou. — Estou indo para a mansão, falei para Isaak que contasse comigo, mas surgiu algo na empresa. — O modo CEO de Henry fora ativado com aquelas palavras.
— Eu vou pai.
— Não. — O Rossi mais velho foi rápido em negar. — Não pode deixá-lo sozinho. — Disse apontando para a cama. Henry suspira em derrota, seu pai tinha razão. Seu noivo estava ali para que se conhecessem melhor antes do casamento, não podia deixá-lo. Seu pai andou até a cabeceira da cama deixando um pequeno papel ali. — Disse que ele podia contar comigo, estou deixando meu número para caso ele precise.
— O que está insinuando pai? — O mais novo dos Rossi disse com uma raiva m*l disfarçada, seu pai estaria insinuando que ele faria algum m*l ao seu noivo?
— Confio em você meu filho, mas quero que acima de tudo meu genro se sinta seguro. Por mais que seja um adulto, sinto que ainda é muito frágil, não que adultos não possam ser, mas ele parece não saber pedir ajuda.
— Entendo sua preocupação.
Alexandre saiu do quarto sendo seguido pelo filho, foram a porta de entrada onde o carro já espera pelo senhor mais velho.
— Cuide dele meu filho, a qualquer problema sabe que também pode me ligar, não é? Se quiser entregar o anel mesmo sem mim, pode fazer isso, já deixei instruções sobre o jantar.
— Sim, pai. Te amo, boa viajem. Vá em segurança.
— Obrigado, eu também te amo meu filho. — Deixando um beijo na testa do filho o senhor Rossi entra no carro, indo embora, torcendo que os dois se dessem bem.
O carro deixou a propriedade e Henry se viu sozinho ali fora. Com um suspiro subiu para seu quarto, sua cama estava arrumada e sentou-se sobre ela, perto da mesa de cabeceira onde abriu a primeira gaveta vendo a pequena caixa de veludo preta. Passou seu dedo por cima a pegando e vendo a joia ali dentro, a pedra de safira azul brilhou sobre o metal banhado a ouro. Henry percebendo algo prendeu a respiração por segundos, chocado com a sua escolha de pedra para o anel, azul, como os olhos de seu noivo, olhos que dois meses antes ele ficara fascinado, inconscientemente escolheu aquela pedra a dedo com outro homem em sua mente, homem esse que descobriu hoje ser seu noivo. Muitas coincidências ou brincadeiras do destino para com a cara dele?
Ele soltou um riso chocado com aquilo, passou as mãos em seus cabelos nervosamente e fechou a caixa a colocando de volta no seu devido lugar.
— Estou enlouquecendo.
Saiu do quarto depois de vestir uma calça jeans surrada e suas botas com uma camisa branca justa ao corpo, colocou seu chapéu e partiu aos estábulos. Iria aproveitar que seu noivo dormia para espairecer a mente novamente. Selou seu cavalo que chamava carinhosamente de Turvo, era um cavalo temperamental que se rendeu a ele depois de muitas tardes de carinho e cenouras dadas. Era seu companheiro sempre que vinha a fazenda. Seu robusto corpo com crinas selvagens o deixava lindo junto com a cor n***a brilhosa. Olhando na baia ao lado viu o cavalo branco, esse havia chegado na fazenda a uns três dias, fora escolhido por ele para ser um presente de boas-vindas ao seu noivo, fez um breve carinho no animal sem nome, mas manso, deixado algumas cenouras para ele, montou em Turvo e saiu pela fazenda, vendo campos de flores e plantações, alguns capatazes fazendo seus trabalhos como cuidar dos gados e do campo. Chegando a um rio azul feito os olhos de um certo alguém ele desceu do seu cavalo, deixando o animal livre para se refrescar e tomar água, ele se sentou sobre as pequenas pedrinhas na margem do rio cristalino e calmo, vendo as pequenas ondinhas formadas por causa do vento que batia na água. Ele deixou seu corpo deitar-se sobre aquelas pedrinhas e olhando o céu azul deixou-se relaxar, sem pensamentos, nada que o perturbasse. Esse era seu momento de paz.
Isaak abre seus olhos se sentindo perdido pela escuridão que o cercava, olhando melhor ao seu redor percebeu onde estava, respirando fundo sentou-se sobre a cama, quando uma batida em sua porta o assustou.
Quando no banho sentiu seu corpo tremer por pensar no que seria dele sozinho com aquele homem. Saindo do banho vestiu a roupa que colocou sobre a cama antes de entrar no banho, vestiu a calça jeans de lavagem escuro e uma camisa branca de mangas longas, penteou os cabelos para trás e continuou de chinelos, colocou perfume e quando se deu por convencido abriu a porta do quarto, indo em direção as escadas, quando estava no topo da mesma pode ver seu noivo sentado no sofá, ele diria que era a mesma situação de quando ele chegou e viu o mais velho descer as escadas, agora estavam em lugares trocados, quando chegou na metade da escada que até então seus olhos se mantinham fixos em Henry sem que o mesmo o tivesse notado, mas parecendo sentir o olhar sobre ele, o mais velho olhou para a escada, estava com um copo de whisky em seus lábios e quase que se engasgava vendo o belo corpo descendo aquelas escadas, o whisky desceu queimando por sua garganta. Seu futuro noivo era lindo demais para seu próprio bem.
— Sim?
— O senhor Henry o espera para jantar daqui vinte minutos. — Com um revirar de olhos ele responde a gentil senhora.
— Já desço.
— Com licença senhor.
Isaak se levanta indo até o interruptor acendendo as luzes de seu quarto, quando se senta de novo na cama nota o papel em cima da mesa de cabeceira. Isaak se levanta indo até o papel e o pegando em suas mãos ao abrir notou a letra bonita.
Isaak meu querido genro, espero que me desculpe por ir embora sem antes lhe dizer pessoalmente, eu disse a você que poderia contar comigo, pois estaria na fazenda com vocês, mas surgiu algo urgente, e como Henry teria que ficar com você, eu vim resolver pessoalmente o problema da empresa.
Espero que os dois fiquem bem em minha ausência.
Deixo meu número para que me ligue caso precise conversar.
Ass.: Alexandre, seu sogro.
E logo embaixo tinha o número dele, Isaak se sentiu bem por aquilo, mostrava que seu sogro queria o ver bem. Isaak achou melhor se aprontar para o tal falado jantar, ele se sentia nervoso por saber que seria só os dois naquela mansão fora os empregados.
Quando no banho sentiu seu corpo tremer por pensar no que seria dele sozinho com aquele homem. Saindo do banho vestiu a roupa que colocou sobre a cama antes de entrar no banho, vestiu a calça jeans de lavagem escuro e uma camisa branca de mangas longas, penteou os cabelos para trás e continuou de chinelos, colocou perfume e quando se deu por convencido abriu a porta do quarto, indo em direção as escadas, quando estava no topo da mesma pode ver seu noivo sentado no sofá, ele diria que era a mesma situação de quando ele chegou e viu o mais velho descer as escadas, agora estavam em lugares trocados, quando chegou na metade da escada que até então seus olhos se mantinham fixos em Henry sem que o mesmo o tivesse notado, mas parecendo sentir o olhar sobre ele, o mais velho olhou para a escada, estava com um copo de whisky em seus lábios e quase que se engasgava vendo o belo corpo descendo aquelas escadas, o whisky desceu queimando por sua garganta. Seu futuro noivo era lindo demais para seu próprio bem.