Capítulo 10

2112 Palavras
Isaak acorda num sobressalto, olhando ao redor ele não o reconheceu a princípio, mas passado alguns segundos ele viu que estava em seu quarto, ele nem mesmo lembra como foi parar ali, sentado sobre a cama ele tem um vinco no meio da testa, ele lembra apenas que quando terminou seu estudos, foi até a sala para encontrar tudo vazio, apenas a cozinheira que lhe preparou um lanche estava por ali, soube que seu noivo tinha ido para o campo conversou algumas amenidades com a mulher ali sobre a fazenda e depois subiu para seu quarto a procura de um livro para passar o tempo, já que estava cansado e não queria fazer nada apesar de entediado, ele pensou em visitar Nuvem depois de um pouco de leitura, quando desceu para a sala e sentou-se sobre o sofá confortável, pronto, suas memórias acabam ai. Sentiu suas bochechas rubras pelo pensamento que passou por sua cabeça. Foi seu noivo que o havia levado até a cama? A pergunta rondava sua cabeça o deixando zonzo e com o rosto ainda mais quente. Por que ele nunca se lembrava das vezes em que estava nos braços do homem? Esse outro pensamento ficava dando voltas e mais voltas em sua cabeça, o deixando irritado com a forma que rapidamente o outro estava se infiltrando em seu sistema. Mas foi tirado de seus pensamentos pelo ronco nada sutil de sua barriga, ele estava morrendo de fome, então deixaria para pensar sobre aquilo mais tarde, primeiro iria em busca de se alimentar. Procurando pelo seu celular viu ser apenas seis e meia da manhã, ele dormiu a noite toda de ontem para hoje, estava bastante cansado, mas estava surpreso pelo tanto de horas que dormiu, nunca dormiu tanto assim. Ele ainda estava com o moletom confortável, apenas calçou seus chinelos e saiu do quarto, chegando a cozinha ele escuta algumas vozes numa conversa que parecia ter algo a ver com uma vaca que estava dando indícios de que iria parir hoje, se aproximando, ele viu uma mulher n***a belíssima, seus cabelos estavam trançados embaixo do chapéu de couro, ela tinha botas sujas do que parecia terra sobre os pés e sua camisa branca estava um pouco, ela trabalhava ali cuidando de algumas vacas, já que a mulher era a veterinária da fazenda. Ela tinha uns trinta anos, e apenas cindo deles ela passou ali, então era próxima de Henry, não como amigos, mas o suficiente para terem uma conversa relaxada um com outro. Isaak sentiu seu coração doer, para ele os dois eram íntimos demais, o jeito que olhavam nos olhos um do outro parecia suspeito para sua cabeça ciumenta, não que ele tenha percebido isso, estava sentindo raiva, ele não sabia por que, mas sentia. Quando estava já se virando para sair da cozinha a mulher o notou, já que ela estava virada em sua direção e Henry de costas para ele. — Ah, patrão. — A mulher disse, cumprimentado ele. — Vou deixá-los a sós. — Falou se despedindo com um aceno de cabeça. Henry tinha seus olhos em Isaak desde que a mulher o cumprimentou, mas o homem sentia que tinha algo de errado, pensava que talvez tenha sido por causa de sua ousadia na noite passada de o levar para o quarto no colo. — Isaak, acordou cedo. — Não posso? — Perguntou, curto e grosso. Henry leva sua mão aos cabelos loiros, os colocando para trás, Isaak nunca admitiria que aquilo o deixava sexy, seu bico cresceu ainda mais, então ele deu a volta e se sentou sobre a cadeira da mesa de jantar, onde o café estava servido. — Tá, o que aconteceu? Acordou com algum tipo de entidade no corpo hoje? — E lá estava o homem que não conseguia controlar a boca sempre que provocado pelo menor. — Sim, acordei, então fique longe de me hoje, e quem sabe para sempre. — respondeu debochado, colocando uma xícara de café e passando manteiga em um pedaço de pão. — Caso tenha esquecido, vamos nos casar, você não vai se livrar de mim. — Não me teste, assistir alguns casos criminais, sei o que não fazer na hora de esconder um cadáver. — Henry solta uma risada incrédula. — Mas tenha certeza de que eu te levo junto comigo, nem na morte se verá livre de mim, tenha certeza disso. — Henry senta-se a mesa e se serve também. Aquele garoto o estava irritando e ele não tinha mais controle. — Não sabia que gostava tanto de mim. Até mesmo no inferno quer me seguir. — O sorriso presunçoso no rosto de Isaak era algo novo para Henry, ele quase se engasga com o pedaço de mamão que estava em sua boca. — Gostar de você? Queria seria capaz de lhe suportar? Ainda mais gostar de uma pessoa grossa e m*l-educada? — Isaak morde os lábios com a fala i****a do mais velho, mas ele tinha começado, teria que aguentar agora, tentando não demostrar que aquilo tinha o abalado ele sorrir. — Não é o que parece, querendo me seguir feito um cachorrinho até mesmo se eu fosse para o inferno, eu chamo isso de obsessão, para não dizer outra coisa. — Ele cortava um pedaço de queijo com a maior tranquilidade, mas suas mãos tremiam pela raiva sentida. Em sua cabeça rondava apenas que seu noivo e aquela mulher tinham algo íntimo. Essa raiva estava sendo descontada na maneira raivosa que cortava pedaços de queijo, ele queria socar seu futuro marido pela ousadia de falar cheio de i********e com alguém que não fosse ele. Ele bufa, aqueles pensamentos estavam deixando-o nervoso. — Mas olha que irônico, você vai ter me aguentar, já que vai ser meu marido, me terá pelo resto de sua vida. Não terá um segundo de paz. — Falou com raiva, m*l sabia que aquela fala agradava o mais velho. Henry não podia negar aquilo, ele estava mesmo gostando do seu futuro marido, mas não podia transparecer isso nesse momento, ele estava irritado e Henry não sabia o motivo. — Se estar assim porque te levei no colo para o quarto, não se preocupe, nunca mais tocarei em você. — As bochechas do Isaak coraram e ele abaixou a cabeça, focado em comer seu café da manhã. Tinha acabado de confirmar que fora mesmo seu noivo a colocá-lo na cama. E como sempre, o i****a do Henry tinha entendido tudo errado. — Não importa o que você faça. — Sua voz soou baixa, perdendo toda a postura irritada anterior. Ele estava confuso se continuava bravo ou com vergonha de ter estado nos braços do noivo. — Você vai acabar me enlouquecendo. — Henry deixa escapar, focado e admirado pelas reações do outro que num segundo estava com raiva e no outro parecia tímido por ter sido carregado. — Eu não estou fazendo nada, está enlouquecendo sozinho. — Ele ainda mantinha seus olhos baixos. A pequena discussão parecia ter terminado, passados alguns minutos enquanto ele terminava de comer, sem querer ou se dar conta a princípio, deixou escapar. — Quem era aquela mulher com você? — Seus olhos se arregalaram ao se dar conta de sua pergunta, e o coração de Henry acelerou ao pensar na possibilidade do outro ter ficado com ciúmes, ou ele estaria sonhando demais com essa possibilidade? — Por que você quer saber? — Ele ainda matinha os olhos sobre o seu café, enquanto sentia os olhos do noivo queimarem em cima dele. Engolindo a seco ele responde, seus olhos subindo pela primeira vez em alguns minutos para se encontrarem com o de Henry. — Vocês pareciam íntimos, fiquei me perguntando se esse noivado não estava acabando com tudo. — Henry estava surpreso com aquilo. Aquela revelação tinha que ser alguma coisa. Mostrava ao menos que Isaak se preocupava nem que seja um pouquinho com o maior. — Não se preocupe, não está acabando com nada, Priscila trabalha aqui a uns cinco anos, normal que conversamos mais relaxadamente um com o outro, afinal ela sempre me ajuda com os animais da fazenda, ela é apenas a veterinária daqui. — Henry diz a verdade e observa cada mínima reação do noivo, o suspiro não passou despercebido dos olhos alheio. Isaak balança a cabeça, ele quase não conseguiu segurar o sorriso de alívio. Henry se sentia nervoso, seus pés batiam sobre o chão incansavelmente quando fez uma pergunta. — Você acha que em algum momento no futuro esse casamento pode dar certo? — Ele estava sentindo o suor pelo seu corpo, estava nervoso, mas queria saber o que o outro pensava sobre o que eles estavam fazendo, sobre o que eles teriam que construir juntos. — Nunca ouvi história assim que dessem certo na realidade, apenas em filmes. — Ele diz, sem verdadeiramente pensar no assunto, quando soube que se casaria ele apenas via seu futuro marido como algo que ele teria que suportar pelo resto de sua vida, nunca pensou nisso com outros olhos, ele não saberia responder essa pergunta com toda sua certeza. Henry não estava satisfeito, como entraram em uma conversa mais amena, ele agora queria tirar uma resposta concreta de seu noivo. — Sem que seja sobre seus conhecimentos sobre filmes, na realidade, sobre nós dois, acha que dará certo? — Ele pergunta novamente. Seus olhos se encontram, Isaak parece atormentado com aquilo, tão de repente o outro joga pergunta sobre seu colo e espera respostas complexas e difíceis de dar. — Eu não sei, eu cheguei aqui tendo toda certeza do mundo que iria te odiar pelo resto da minha vida, fosse você quem quer que fosse, passamos nem mesmo três dias juntos, não nos conhecemos direito, talvez com alguns anos de convivência podemos criar algum laço de amizade ou i********e, não saberia dizer se acredito que possamos dar certo, não em algum jeito específico. — Por hora Henry resolveu aceitar aquela resposta, Isaak tinha razão, eles apenas conviveram por dois dias e duas noites, estavam no terceiro dia ali na presença um do outro, ainda começara com o pé esquerdo, com brigas e respostas afiadas. — Eu te entendo, confiança, amizade, qualquer bom sentimento podem demorar a ser criado e sentindo. Queria poder dizer que darei tudo de mim para criar bons sentimentos com você, mas sempre que estou em sua presença eu perco meus sentidos. — Está querendo dizer o que com isso? — Os olhos azuis nunca deixavam o preto, era quase invisível, mas quase se podia notar um certo brilho ali quando os dois se encontravam. — Parece que sempre tenho a necessidade rebater suas palavras acidas, é como se eu tivesse voltado a minha adolescência. — Henry desabafa. Isaak parece ser afetado com as palavras do noivo. — Acho que estou culpando você. — Ele finalmente deixa que as palavras escapem de sua boca. Se sentindo nervoso ele aperta suas mãos uma na outra, e desvia os olhos do mais velho. — Por que acha isso? — Eu já fiz tantas besteiras em minha vida, eu perdi minha mãe e parece que eu tinha me perdido também, eu sinto que vivi pouco ao lado dela, então tentava a todo custo suprir esse vazio, e tentei de tantas maneiras erradas que meu pai apenas cansou e me jogou aqui, agora sinto que o estou perdendo também, então eu apenas grito com você, tentando amenizar isso, eu sempre tento suprir meus sentimentos de maneiras erradas, nunca consigo fazer nada corretamente. A culpa é unicamente minha, dos meus atos, eu fiz isso comigo, você também está aqui contra sua vontade, eu apenas gritando para a pessoa errada. — Eu te entendo, é fato que nos estranhamos no primeiro dia, mas ainda esse seu ódio por mim, nunca foi minha intenção brigar com você, quando meu pai falou de seu plano eu achei uma loucura, mas quis fazer suas vontades, tentei colocar na minha cabeça que podia ser um bom amigo para meu futuro parceiro, mas você chegou e abalou tudo, não consegui cumprir com minhas palavras de manter a paz e a amizade. — Desculpe. — O menor estava ali reconhecendo seu erro, no fundo o que eles apenas precisavam era de uma conversa franca olho no olho. —Eu compliquei tudo. — Ele diz encarando os olhos pretos. — Sim, realmente. — Henry sorri, Isaak o retribui e o maior sente seu coração acelerar, era o primeiro sorriso que o outro direcionava diretamente para ele e por causa dele, aquilo era motivo de comemoração. — Podemos começar novamente, tentando ser bons amigos e futuramente construir uma relação, afinal vamos nos casar. — Isaak assente. — Sim, pode tentar isso.
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