Capítulo 11

2782 Palavras
Depois da conversa que tiveram, terminaram suas xícaras de café na companhia um do outro enquanto falavam amenidades, parece que a paz finalmente foi instaurada, Henry o deixou ali na cozinha que iria apenas dar uma olhada no bezerro que nasceu ontem e conferir se estava tudo ok no campo, então voltaria para almoçar com ele e depois teriam a tarde para um passeio a cavalo e piquenique no rio. Isaak acenou que sim e logo viu o mais velho se afastar com um pequeno sorriso no rosto, o que ele achou lindo. Ficou ali, paralisado por alguns segundos, até que decidiu subir para seu quarto para continuar seus estudos, depois terminaria de ler o livro que escolher ontem. Assim ele fez, passou a maior parte da manhã trancado em seu quarto lendo livros e leis, pontuando cada ponto importante e assistindo vídeos aulas, uma senhora muito gentil lhe trouxe café quentinho e biscoitos amanteigados onde ele comeu com gosto depois de quase três horas de estudos. Trocou algumas mensagens com Vivian, ela o atualizava sobre algumas fofocas da faculdade e seus colegas, nenhum deles de fato se importou com o paradeiro dele. Quando terminou o lanche esticou as costas e desligou o notebook, fechou seus livros e se jogou sobre a cama macia, pegou o livro na cômoda ao lado da cama e continuou sua leitura, ele estava lendo Desejo bruto, de uma autora nacional, Rose Moraes, o livro estava interessante, e falava sobre cowboys, o que logo o deixou vermelho, ao lembrar de Henry com suas botas de couro e chapéu sobre a cabeça. Mas logo abandonou seus pensamentos e voltou para sua leitura, dentro de alguns dias eles voltariam para a cidade e iriam se casar, pelo que sobe já até contrataram uma cerimonialista, quando voltassem iriam resolver prova de roupas e os doces da festa, que seria num salão de festas da empresa Rossi. Quase duas horas de leitura depois ele estava nas últimas linhas do livro, finalizou e deu um suspiro apaixonado, esse livro era maravilhoso e ele amou, queria viver uma paixão assim, pensa ele, mas logo levanta e checa seu celular, tinha uma mensagem do pai desejando um ótimo dia e dizendo que estava com saudades, e de seu sogro, perguntando como ele estava, se estava se sentindo sozinho. Ele respondeu com sinceridade, disse que estava bem e que os dias na fazenda estavam sendo proveitosos, e agradeceu o presente, seu cavalo Nuvem. Era onze e meia quando ele desceu as escadas e encarou os olhos de Henry que acabava se chegar. Seus olhos pareciam dizer mais que suas ações, os dois pareciam hipnotizados, o brilho do azul de Isaak parecia chamar pelo preto nos olhos de Henry. Isaak foi o primeiro a quebrar o contato com a cozinheira, Suzi, os chamando que o almoço estava servido. — Oi. — Henry disse, se aproximando de Isaak que acabava de descer as escadas. — Oi. — Vamos? — Sim. Eles seguiram lado a lado pelo pequeno corredor e chegaram a mesa, Henry puxa a cadeira e indica o lugar para que Isaak se sente, com um sorrisinho de canto ele aceita a gentileza e se senta, logo vendo o mais velho tomar o lugar a cabeceira da mesa, tendo ele ao lado. — Como foi no campo? O bezerro está bem. — Eles começaram a se servir, e pela primeira vez, Isaak sentia a necessidade de manter uma conversa com o noivo. — Ah, sim, ele nasceu saudável e forte, assim como a mãe. — Nunca pensei em você como fazendeiro. — Isaak diz, levando um pedaço da carne assada a boca. Henry toma um gole do suco de maracujá e sorrir para ele, o que faz com que o mais novo sinta sua barriga se remexer toda. Ele se mexe sobre a cadeira com aquela sensação estranha tomando conta de seu corpo apenas por causa de um pequeno sorriso. — Eu amo essa vida, na verdade, amo as duas coisas que faço, tanto ser CEO, como estar no meio do pasto sobre meu cavalo. Me sinto vivo fazendo os dois, mas tive que escolher a empresa, papai quis se aposentar e eu quis dar esse descanso a ele depois de tanto tempo de luta. — Você parece manter um relacionamento bom com seu pai. — Henry acena que sim, pensando a respeito. — Sempre foi nós dois para tudo, desde que eu nasci foi assim, então eu só o tenho, faço de tudo para que ele possa ter o mínimo de tudo que me deu. Ele sempre foi um pai que acolhe, nunca passou a mão na minha cabeça, mas nunca levantou ela para me bater. Sempre foi compreensivo e um amigo. — Ele observa Isaak, que presta atenção em tudo enquanto leva uma garfada de arroz refogado a boca. — Você parece ser próximo do pai também. — Sim, quando perdemos a mamãe eu tinha quatorze, ele estava passando pela luta e ainda tinha que lidar com um adolescente rebelde, foi nós dois desde então, apesar de eu não ser o melhor filho, ele sempre esteve ao meu lado, parte minha entende sua atitude com relação a isso, mas a outra apenas o julga por me joga num casamento sem amor. — Sua última palavra ele diz baixando a voz, engole em seco enquanto Henry acena a sua cabeça com incomodo. — Eu entendo. Sinto muito pela sua mãe. — Eu também sinto pela sua. — Bom, me conte mais sobre você. — Não tenho muito o que comentar. — Ele rir enquanto corta um pedaço de carne. — Ah, eu comecei a ler um livro da estante no meu quarto, Desejo bruto, é interessante e muito bom. — Eu já li esses alguns meses atrás depois do lançamento, é realmente bom. — Não rir de mim. — Ele olha para o noivo que tem um sorriso contido. — É sério, não rir do que eu vou falar, apesar que o vi cantarolando isso a uns dias. — Fale. — Henry o encoraja. — Eu meio que tipo. Amo, música clássica, eu meio que tenho um fascínio por músicas tocadas em piano principalmente. — Henry sorri com carinho. — Temos um piano em nossa casa, eu posso tocar para você quando voltarmos. E tipo, acho que nunca toquei para ninguém antes que não meu pai, gostaria que você fosse o primeiro. — Isaak sobe seus olhos para noivo, um brilho vivo nos dois, olhos presos e corações aquecidos, ele engole a seco percebendo tarde demais que aquilo estava virando mais do que apenas um casamento por contrato. Henry estava clareamento flertando com ele. — Eu...acho que seria bom. — E com toda certeza Isaak acabara de retribuir o flerte. Henry sorrir e eles continuam a comer com uma conversa tranquila sobre os gostos um do outro, eles compartilham as coisas mais bobas e sorriem um para o outro. Terminado o almoço eles comem calmamente um pavê delicioso que foi feito de sobremesa. Quando Suzi aparece para retirar a mesa. — Por favor Suzi, prepare uma cesta de piquenique, iremos passar a tarde no rio. — Ela sorri gentil para os dois. — Claro senhor. Ela e mais algumas outras empregadas começam a retirar a mesa quando eles se levantam e seguem juntos pela escada, Isaak sente seu corpo se arrepiar a cada vez que se tocam minimamente enquanto andam lado a lado, Henry sente uma vontade louca de puxar o corpo menor para junto do seu e sentir seu corpo arder com o contato. Eles param no corredor, cada um em frente ao seu respectivo quarto, eles têm sorriso bobos e tímidos em seus rostos, um de frente ao outro, olhos brilhando, parece aquela fase inicial da paixão. — Coloque uma roupa de banho, iremos aproveitar esse sol para nós refrescamos. —Henry diz, memorizando cada parte do rosto do noivo, a expressão em seu rosto, leve e feliz, muito diferente da do primeiro dia, que era carregada de um ódio m*l disfarçado. — Ok, não demoro. — Fala apontando para a porta do quarto e abrindo, os olhos ainda conectados. — Claro, vai lá. — Sim. — Com um último sorriso ele entra e fecha a porta atrás dele, respirando fundo e dando tampinhas em suas bochechas coradas. — Não. Não pode estar acontecendo. Ele diz, seu coração dispara o contradizendo. — Você está se enganando, você não...não gosta dele. — Sua voz sai fraca e baixa, um véu sendo tirado de seus olhos. — Como eu deixei isso acontecer? Quando isso aconteceu? Eu o odiava. Como assim agora eu gosto dele, por que meu coração sempre acelera em sua presença? Eu pareço um bobo apaixonado em sua presença agora. Ele estava a poucos passos de surtar. — Onde eu fui me enfiar? Meu Deus. Eu, eu não sei o que fazer. Isso vai terminar bem? O medo o deixava fraco, aquilo terminaria bem? Eles foram obrigados a conviverem por causa de um contrato, mas sentimentos surge das duas partes sem que eles se deem conta. — Será que estou assim porque sei que já passei uma noite com ele? Isaak divagava ainda encostado a porta do quarto. — Por que eu gostaria dele? Certo, vamos lá. — Ele olha para o teto do quarto. — Ele é bonito, gentil quando não estou um babaca com ele, me coloca na cama quando adormeço sobre o sofá, ele ama a vida no campo, palavras de conforto, sempre tentou manter a paz entre nós. Ele sempre foi educado comigo, mesmo eu descontando minha raiva sobre ele. Ele gosta de música clássica e toca piano, isso aumenta e muito as chances dele comigo. Argh, sério, no que estou pensando? Ele se desencosta da porta e segue até o closet onde colocou suas roupas, coloca um short de banho por cima da sunga e uma camisa preta, coloca os óculos de sol sobre os olhos e está pronto, borrifa um pouco de perfume no pescoço e sai do quarto, dando de cara com Henry que tinha a mão levantada em punho, preparado para bater na porta. Eles sorriem. — Já ia te chamar. Vamos? — Ele diz olhando dos pés a cabeça do menor, ele não está diferente dele, apenas a camisa que é um rosa claro com umas letras embaralhadas que Isaak não entendeu nada. — Vamos. Eles descem juntos e saem pela cozinha após pegar a cesta de Piquenique, chegando em frente as baías encontram Junior com Nuvem e Turvo já selados e prontos para o passeio pelo rio. Junior continua com sua cara fechada para os dois, mas ainda mantém sua boca fechada sobre o assunto, até porque eram eles pagavam seu salário, apesar de achar aquilo feio ele permanecia calado, hoje em dia tudo isso era bem-visto apenas por que agora eles podem gerar uma criança, mas para Junior aquilo ainda era anormal. Os dois sobem no cavalo depois que Henry coloca a cesta sobre as costas de Turvo, bem presa para que não corra o risco de cair, o caminho é feito sem pressa, Isaak leva seu tempo admirando a vista novamente de toda a fazenda, até que finalmente eles dão de cara com a nascente do rio, a água é cristalina que dá até mesmo para enxergar os peixes nadando, mesmo eles ainda em cima do animal. Isaak desce e Henry segura Nuvem, o amarrando junto a Turvo numa árvore próxima. Isaak vai até a margem do rio e entra até a água bater em seus tornozelos, ele se abaixa e fica encarando os peixes diversos nadando para lá e para cá. — Isso aqui parece mais um paraíso. — Ele deixa escapar enquanto tem suas mãos dentro da água e os peixes nadam ao redor a procura de algo para se alimentarem. — Poderia viver aqui para sempre. — Quem sabe futuramente quando eu não tiver mais responsável pela empresa podemos nos mudar em definitivo para cá? — Isaak sente seu peito estremecer e olha na direção de Henry, ainda em terra firme, mas não muito longe sobre a sombra de algumas árvores ele coloca um pano xadrez sobre o chão e começa a tirar alguns lanches de dentro da cesta. Ele estava idealizando um futuro juntos, onde os dois estariam juntos vivendo ali naquela fazenda como uma família feliz. Isaak se encontrava estranhamente feliz com aquela constatação. Ele queria aquilo, viver seus dias nessa fazenda, ao lado do seu noivo. Ele fica ali esperando o mais velho terminar de arrumar tudo, brincando com os peixes ele se deixa relaxar, algo que ele não fazia a muito tempo, ser verdadeiramente ele. — Quer lanchar agora, ou prefere tomar um banho antes? — Henry pergunta, chegando ao lado dele. — Não sei, aqui está bom. — Ok. Henry se agacha ao lado de Isaak, os dois ficam ali encarando os peixes e água clara, quase transparente. — Eu amo água, acho que fui uma sereia na vida passada. — Henry diz, com um sorriso. Isaak solta uma risadinha. — Uma sereia, Hugh? Aposto que era mais linda do que é hoje? — Henry o encara com uma falsa cara de ofendido. — Assim você me deixa triste. — Ele sorri para Isaak e volta a olhar para a água a sua frente. — Mas então, o que você estaria fazendo nesse exato momento se não estivesse comigo? — O menor se deixa pensar um pouco. — Teria chegado da faculdade, almoçado com meu pai caso ele tivesse voltado do trabalho, depois subiria para meu quarto, jogar vídeo game de carros enquanto assisto vídeos no Youtube de pessoas montando carros ou limpando eles. — Henry balança a cabeça em afirmativa. — Gosta de carros. — Gosto de assistir sobre eles, mas acho que se me perguntar o modelo ou qual o melhor eu não saberia responder, é mais coisas inúteis que eu assisto para passar o tempo, já que só sei na teoria, mas nunca faria na prática. — Entendo. — E você? o que estaria fazendo? — Trabalhando, então as seis horas eu iria para casa, jantar com meu pai, se meus amigos chamassem, talvez eu iria sair para um bar ou algo assim, tomar algumas doses e voltar para casa, para ler e-mails enquanto escuto música. — Nossas vidas eram tediosas assim? — Henry gargalha com a careta engraçada do noivo. — Eu diria que era o que se encaixava em nossa realidade na época. Agora vem. — Ele se levanta e pega a mão de Isaak, o puxando consigo para dentro rio, a água batia em seus p****s quando pararam com sorriso gigantes um para o outro. Eles começam uma guerra de água, jogando um no outro, risadas no ar ou sendo abafada quando um afogava o outro. Eles mergulham, nadando em volta um do outro, com sorriso e olhos vidrados, Henry nada em direção a Isaak, o segurando pela cintura ele os coloca de volta a superfície. — Eu não imaginaria que estaríamos aqui, assim. — O mais velho diz, sua respiração se chocando com a do Walker. — Eu também não imaginaria isso. Henry encara os lábios grossos do noivo. — Sinto muito, mas tenho que te beijar. Henry avança e Isaak o recebe de bom grado, se fosse a um dia atrás ele com toda certeza acertaria um tapa na cara do mais velho, mas o Isaak hoje desejava tanto esse beijo que calou as vozes em sua cabeça que o confundiam dizendo que aquilo era errado. Isaak pensa que aquilo não pode ser errado, afinal eles estão noivos, uma hora isso iria acontecer, não foi da forma que eles imaginaram e desejaram, mas aconteceu e agora não tem mais volta, eles se pertencem, de um jeito ou de outro o mais novo quer acreditar que eles eram o destino um do outro, eles estavam destinados a acontecer. Resolvendo deixar tudo isso de lado, Isaak joga seus braços em volta dos ombros do mais velho, o aproximando ainda mais do seu corpo e abrindo sua boca para receber a língua exigente do mais velho, eles se devoram, raiva e desejo duelando, por que não dizer que amor estava no meio dos dois também? Henry aperta com força a cintura do noivo, Isaak puxa seus cabelos da nuca com força, as bocas ainda se devorando, gemidos escapando dos lábios dos dois quando por segundos eles se separam em busca de ar e o mais velho desce pelo pescoço n***o lambendo a pele exposta para seu prazer. Os dois se devoravam ali dentro daquela água, nem mesmo ela era capaz de apagar a chama do desejo que explodiu.
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