A luz da manhã invadiu meu quarto, tímida, respeitando o silêncio preguiçoso de domingo.
Abri os olhos devagar, sentindo a lembrança do toque dele ainda gravada na pele, como se meu corpo tivesse guardado cada segundo da noite passada.
O celular estava ao lado, silencioso.
Hesitei antes de olhar a tela — e lá estava ele, Ethan, com uma nova mensagem:
“Acordou bem?”
Meu coração disparou antes mesmo de tocar na tela.
Segurei o celular nas mãos, respirando fundo. Queria ignorar. Queria apagar. Mas, por algum motivo, não consegui.
Respirei fundo e digitei, tentando parecer firme:
“Acordei. E você?”
O envio foi automático, sem que eu percebesse.
Poucos segundos depois, ele respondeu:
“Melhor agora que você falou comigo.”
Suspirei. Senti uma pontada de frustração misturada com saudade que não queria admitir.
Tentei levantar, tomar banho, começar o dia normalmente… mas cada passo parecia me levar de volta à noite anterior.
O celular vibrou de novo.
Dessa vez, era Murilo:
“Bom dia! Dormiu bem? 🙂”
Olhei para a tela e quase sorri.
Murilo sempre tão certo, tão calmo, tão presente.
E ao mesmo tempo, tão distante da confusão que Ethan me causava.
Meu peito doía com a escolha invisível que parecia me perseguir:
o que eu queria mais?
O conforto seguro ou o caos irresistível?
Respirei fundo, fechei os olhos por um instante e decidi: era domingo, e eu precisava sair de casa.
Coloquei o tênis, joguei o cabelo num r**o de cavalo e peguei a bolsa. Academia, minha desculpa perfeita pra tentar organizar pensamentos.
No caminho, entre um aquecimento mental e outro, admiti pra mim mesma algo que não devia: abri o i********: e tentei stalkear o perfil do Murilo, só pra ver se encontrava alguma pista que explicasse a sensação estranha que tive no restaurante. Mas o perfil estava fechado.
Mandei mensagem curta pra Murilo, tentando não demonstrar nada demais:
“Bom dia dormir bem. Obrigada por ontem.”
E, num impulso meio b***a, respondi ao Ethan também:
“Tô indo pra academia. Falo depois.”
Enquanto corria na esteira, pensei no contraste c***l da noite anterior: um homem oferecendo paz, outro oferecendo tempestade. Tentei me concentrar na corrida, na respiração, em qualquer coisa que me tirasse do turbilhão de lembranças.
O treino serviu como anestesia temporária. Suava, respirava, e por alguns minutos o mundo se reduziu ao compasso do meu corpo. Ainda assim, a mente não sossegava: o perfil fechado, o sorriso da loira, a mensagem dele dizendo que não conseguiu ficar longe.
Saí da academia com o corpo cansado e a mente alerta.
O domingo prometia ser longo — e eu sabia que, por mais que tentasse, aquela encruzilhada entre Murilo e Ethan não ia me largar tão fácil.
Cheguei em casa exausta, mas a mente não descansava.
Joguei a bolsa no sofá e respirei fundo. Domingo era pra ser tranquilo, mas a presença deles — mesmo à distância — tornava impossível qualquer calmaria.
O celular vibrou novamente.
Era Ethan.
“Saudade de você.”
Meu peito apertou.
Queria ignorar, mas meus dedos quase responderam antes da consciência.
Resisti e deixei a mensagem lá, olhando para a parede em branco como se pudesse encontrar ali alguma força para me desligar.
Poucos minutos depois, Murilo também apareceu na tela:
“Se quiser sair de novo, me avisa. Foi bom te ver.”
Senti um nó na garganta.
Murilo era seguro, previsível, gentil.
Ethan era intenso, confuso e perigoso — mas impossível de ignorar.
Me joguei no sofá, abraçando o travesseiro, e suspirei.
Por que meu coração insistia em querer o que não devia?
A tarde passou lentamente.
O silêncio da casa só aumentava o barulho dentro da minha cabeça.
Cada notificação que chegava me fazia pular — um reflexo automático de expectativa e medo ao mesmo tempo.
Sem perceber, acabei desbloqueando o i********: de Murilo de novo.
Não adiantou: perfil fechado, nenhum detalhe novo.
Um mistério que eu ainda não podia resolver, mas que me consumia de curiosidade.
Respirei fundo, fechando os olhos por um instante.
Domingo era só o começo de uma semana que prometia complicar ainda mais meu coração.
Porque, no fundo, eu sabia: não ia conseguir fugir nem de Ethan, nem de Murilo.
E muito menos de mim mesma.
No final da tarde, depois de tentar me concentrar em qualquer coisa que não fossem meus pensamentos, resolvi investigar de novo.
Abri o f*******: e, com algum esforço, consegui encontrar o perfil do Murilo.
Era estranho.
Não tinha muitas fotos — apenas algumas no hospital — nem muitos amigos, quase nada sobre a vida pessoal dele.
Algo ali parecia… incompleto, fechado. Mas eu precisava encontrar alguma pista, qualquer detalhe que explicasse a sensação estranha que ele me causava.
Tentei, tentei, mas não consegui descobrir nada novo.
Desisti temporariamente e voltei a me ocupar com pequenas coisas: arrumar a casa, organizar uns papéis, tentar empurrar os pensamentos para longe.
Mas, como se não pudesse escapar, o celular me chamou mais uma vez.
Era i********:.
Sem querer, acabei caindo no perfil do Ethan.
E lá estava ele, em uma foto que ele não tinha no seu quarto sem camisa, bem definido, com o cachorro no fundo.
Por um instante, tudo que eu sentia por ele naquela noite voltou: o toque, o cheiro, o calor do corpo, a intensidade do olhar.
Sentei no sofá, encostando a testa na mão.
Fechei os olhos e comecei a pensar em tudo que senti por ele: desejo, raiva, confusão, e aquela sensação de que, de algum jeito, ele sempre mexia comigo de forma única.
E então veio a dúvida c***l: Sera que eu sentia alguma coisa pelo meu ex?. Será que estava me apaixonando pelo Ethan.
Olhei novamente para o celular, revendo mentalmente cada gesto, cada palavra, cada momento que tivemos.
Era impossível negar que ele tinha um lugar que Murilo, com toda sua segurança e gentileza, não conseguia ocupar.
E, ainda assim, Murilo tinha sua própria força: calma, presença, confiança.
Ele me fazia sentir protegida, quase… confortável.
O conflito dentro de mim cresceu.
Queria Ethan e não queria, queria Murilo e não queria.
Queria ambos, mas sabia que não podia.
No fundo, a única certeza que eu tinha era que, naquela noite, a confusão ainda reinava, e meu coração não tinha nenhuma intenção de se decidir tão cedo.
Fiquei ali, olhando para a tela, sentindo o peso do desejo, da dúvida e da saudade.
E sabia que, quando o sol se levantasse amanhã, nada estaria mais fácil de resolver.