Capitulo.13

1085 Palavras
A luz da manhã invadiu meu quarto, tímida, respeitando o silêncio preguiçoso de domingo. Abri os olhos devagar, sentindo a lembrança do toque dele ainda gravada na pele, como se meu corpo tivesse guardado cada segundo da noite passada. O celular estava ao lado, silencioso. Hesitei antes de olhar a tela — e lá estava ele, Ethan, com uma nova mensagem: “Acordou bem?” Meu coração disparou antes mesmo de tocar na tela. Segurei o celular nas mãos, respirando fundo. Queria ignorar. Queria apagar. Mas, por algum motivo, não consegui. Respirei fundo e digitei, tentando parecer firme: “Acordei. E você?” O envio foi automático, sem que eu percebesse. Poucos segundos depois, ele respondeu: “Melhor agora que você falou comigo.” Suspirei. Senti uma pontada de frustração misturada com saudade que não queria admitir. Tentei levantar, tomar banho, começar o dia normalmente… mas cada passo parecia me levar de volta à noite anterior. O celular vibrou de novo. Dessa vez, era Murilo: “Bom dia! Dormiu bem? 🙂” Olhei para a tela e quase sorri. Murilo sempre tão certo, tão calmo, tão presente. E ao mesmo tempo, tão distante da confusão que Ethan me causava. Meu peito doía com a escolha invisível que parecia me perseguir: o que eu queria mais? O conforto seguro ou o caos irresistível? Respirei fundo, fechei os olhos por um instante e decidi: era domingo, e eu precisava sair de casa. Coloquei o tênis, joguei o cabelo num r**o de cavalo e peguei a bolsa. Academia, minha desculpa perfeita pra tentar organizar pensamentos. No caminho, entre um aquecimento mental e outro, admiti pra mim mesma algo que não devia: abri o i********: e tentei stalkear o perfil do Murilo, só pra ver se encontrava alguma pista que explicasse a sensação estranha que tive no restaurante. Mas o perfil estava fechado. Mandei mensagem curta pra Murilo, tentando não demonstrar nada demais: “Bom dia dormir bem. Obrigada por ontem.” E, num impulso meio b***a, respondi ao Ethan também: “Tô indo pra academia. Falo depois.” Enquanto corria na esteira, pensei no contraste c***l da noite anterior: um homem oferecendo paz, outro oferecendo tempestade. Tentei me concentrar na corrida, na respiração, em qualquer coisa que me tirasse do turbilhão de lembranças. O treino serviu como anestesia temporária. Suava, respirava, e por alguns minutos o mundo se reduziu ao compasso do meu corpo. Ainda assim, a mente não sossegava: o perfil fechado, o sorriso da loira, a mensagem dele dizendo que não conseguiu ficar longe. Saí da academia com o corpo cansado e a mente alerta. O domingo prometia ser longo — e eu sabia que, por mais que tentasse, aquela encruzilhada entre Murilo e Ethan não ia me largar tão fácil. Cheguei em casa exausta, mas a mente não descansava. Joguei a bolsa no sofá e respirei fundo. Domingo era pra ser tranquilo, mas a presença deles — mesmo à distância — tornava impossível qualquer calmaria. O celular vibrou novamente. Era Ethan. “Saudade de você.” Meu peito apertou. Queria ignorar, mas meus dedos quase responderam antes da consciência. Resisti e deixei a mensagem lá, olhando para a parede em branco como se pudesse encontrar ali alguma força para me desligar. Poucos minutos depois, Murilo também apareceu na tela: “Se quiser sair de novo, me avisa. Foi bom te ver.” Senti um nó na garganta. Murilo era seguro, previsível, gentil. Ethan era intenso, confuso e perigoso — mas impossível de ignorar. Me joguei no sofá, abraçando o travesseiro, e suspirei. Por que meu coração insistia em querer o que não devia? A tarde passou lentamente. O silêncio da casa só aumentava o barulho dentro da minha cabeça. Cada notificação que chegava me fazia pular — um reflexo automático de expectativa e medo ao mesmo tempo. Sem perceber, acabei desbloqueando o i********: de Murilo de novo. Não adiantou: perfil fechado, nenhum detalhe novo. Um mistério que eu ainda não podia resolver, mas que me consumia de curiosidade. Respirei fundo, fechando os olhos por um instante. Domingo era só o começo de uma semana que prometia complicar ainda mais meu coração. Porque, no fundo, eu sabia: não ia conseguir fugir nem de Ethan, nem de Murilo. E muito menos de mim mesma. No final da tarde, depois de tentar me concentrar em qualquer coisa que não fossem meus pensamentos, resolvi investigar de novo. Abri o f*******: e, com algum esforço, consegui encontrar o perfil do Murilo. Era estranho. Não tinha muitas fotos — apenas algumas no hospital — nem muitos amigos, quase nada sobre a vida pessoal dele. Algo ali parecia… incompleto, fechado. Mas eu precisava encontrar alguma pista, qualquer detalhe que explicasse a sensação estranha que ele me causava. Tentei, tentei, mas não consegui descobrir nada novo. Desisti temporariamente e voltei a me ocupar com pequenas coisas: arrumar a casa, organizar uns papéis, tentar empurrar os pensamentos para longe. Mas, como se não pudesse escapar, o celular me chamou mais uma vez. Era i********:. Sem querer, acabei caindo no perfil do Ethan. E lá estava ele, em uma foto que ele não tinha no seu quarto sem camisa, bem definido, com o cachorro no fundo. Por um instante, tudo que eu sentia por ele naquela noite voltou: o toque, o cheiro, o calor do corpo, a intensidade do olhar. Sentei no sofá, encostando a testa na mão. Fechei os olhos e comecei a pensar em tudo que senti por ele: desejo, raiva, confusão, e aquela sensação de que, de algum jeito, ele sempre mexia comigo de forma única. E então veio a dúvida c***l: Sera que eu sentia alguma coisa pelo meu ex?. Será que estava me apaixonando pelo Ethan. Olhei novamente para o celular, revendo mentalmente cada gesto, cada palavra, cada momento que tivemos. Era impossível negar que ele tinha um lugar que Murilo, com toda sua segurança e gentileza, não conseguia ocupar. E, ainda assim, Murilo tinha sua própria força: calma, presença, confiança. Ele me fazia sentir protegida, quase… confortável. O conflito dentro de mim cresceu. Queria Ethan e não queria, queria Murilo e não queria. Queria ambos, mas sabia que não podia. No fundo, a única certeza que eu tinha era que, naquela noite, a confusão ainda reinava, e meu coração não tinha nenhuma intenção de se decidir tão cedo. Fiquei ali, olhando para a tela, sentindo o peso do desejo, da dúvida e da saudade. E sabia que, quando o sol se levantasse amanhã, nada estaria mais fácil de resolver.
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