Eles chegaram na festa em quinze minutos, Cameron arrumou uma vaga para estacionar do outro lado da rua e eles desceram do carro. Conforme iam se aproximando da enorme casa de Liam, o coração de Eleanor começava a ficar acelerado, ela nucna tinha frequentado uma festa daquelas em toda a sua vida. Não sabia o que esperar nem como reagir.
— Fica tranquila, Eleanor. — Cameron disse e Eleanor o encarou, ele percebeu que ela estava tensa apenas pelo olhar. Quantos garotos na terra percebiam isso?
— Tudo bem. — Ela respondeu e pegou no braço de Cameron, ele sorriu e os dois entraram na festa. Era bem pior do que as pessoas descreviam, a casa estava totalmente cheia de adolescentes, alguns estavam bebendo em garrafas, outros pulando um no outro como se fosse um ringue de luta, pelos cantos só haviam pessoas se beijando. Como aquilo era possível?
— Vamos para o quintal, lá sempre é mais tranquilo. — Cameron falou no ouvido de Eleanor, eles atravessaram a multidão com dificuldade e finalmente chegaram ao quintal. Estava cheio, mas vazio em comparação com o interior da casa. Havia uma piscina enorme com vários adolescentes, mais ao canto tinha uma área com banquinhos e churrasqueira, os dois foram para lá.
— Eu sei, não tem nada de bom nisso. — Cameron falou quando os dois se sentaram nos banquinhos. — Mas eu precisava pelo menos dar as caras, Liam ia ficar chateado.
— Está tudo bem, isso é uma tremenda bagunça, mas pelo menos tenho você.
— Fiquei feliz que você veio. — Cameron sorriu. — Mas você está bem? Parece tensa.
— Não é nada demais. — Eleanor encarou o chão. Como era possível? Ela estava ao lado de um dos garotos mais bonitos da escola, mas ainda conseguia ficar incomodada com o que tinha acontecido entre ela e Rae.
— É a Rae? — Ele tentou adivinhar.
— Como sabe?
— Vocês são melhores amigas desde que ela chegou e agora quase não vejo vocês interagindo como antes.
— Acabamos nos desentendo um pouco. — Eleanor não quis aprofundar no assunto. — Coisa de garota.
— Poxa, espero que isso se resolva logo. Vocês formam uma bela dupla.
Eleanor sorriu fraco e olhou para os adolescentes na piscina. Dois meninos estavam quase se engolindo.
— Vou trazer bebibas e algo pra gente comer.
— Tudo bem.
Cameron se afastou e entrou na casa novamente, só de lembrar Eleanor ficava com claustrofobia. Ela ficou observando as pessoas na piscina, tão felizes e pertencentes, ela não sabia como era ser daquele jeito. Como era conversar com todo mundo e não se sentir b****a perto deles o tempo todo.
Os pensamentos de Eleanor foram interrompidos pela imagem de Rae e Blake chegando no quintal, as duas estavam de mãos dadas e Rae estava com um copo na mão. As duas foram para um canto mais afastado próximo ao escorregador da piscina, Eleanor quase levantou do banquinho para ver melhor, elas estavam muito próximas, mais do que o normal. O coração de Eleanor quase saiu de seu peito quando viu as duas se beijando, era um beijo intenso, Blake estava com as mãos no quadril de Rae e ela parecia estar gostando daquilo tudo. Cameron voltou com duas latinhas de refrigerante e alguns pacotes de salgadinho.
— Consegui achar algo que não fosse bebida alcoólica.
— Ah, Cameron. — Eleanor desviou o olhar das duas que ainda estavam agarradas uma a outra. — Podemos comer isso fora aqui? Tipo, sairmos da festa?
— Por que não disse antes? — Ela quase o beijou ali mesmo.
***
Cameron dirigiu até a praia, era o melhor lugar da cidade. A noite estava iluminada pela lua, os dois se sentaram na areia descalços. As ondas molhavam seus pés de vez em quando, era uma sensação gostosa.
— Saúde. — Cameron disse, os dois brindaram suas latinhas de coca-cola e deram uma golada. O refrigerante desceu borbulhando na garganta de Eleanor, ela queria ter essa sensação na cabeça porque a imagem de Rae sendo beijada por Blake não saia da sua cabeça. Por que ela tinha feito isso? As duas estavam apaixonadas? Eleanor não podia suportar esse pensamento.
— Eu podia ter proposto isso antes. Não acha?
— Acho que foi melhor assim. — Eleanor pegou alguns salgadinhos. — Vai, me conta sobre você. Mas não quero saber de coisas que todos sabem. Me mostre o seu eu de verdade.
— Que pergunta difícil. — Cameron ficou em silêncio e olhou para o mar. — Eu sou uma pessoa medrosa. Tenho medo de desagradar as pessoas, fui criado sendo o filho exemplar e isso acabou comigo. Hoje em dia tenho medo de decepcionar qualquer um que seja, isso me impede de ser quem eu realmente sou, sabe?
— E quem você é?
— Eu... — Ele bebeu um pouco da coca-cola. — Eu sou um farsante, mas, mais que isso, sou um sonhador. Tenho vontade de viajar o mundo, conhecer novos lugares, novas pessoas. Tenho esperança de que as coisas vão melhorar. Tenho vontade de fazer diferença no mundo. Não quero ser apenas um grão de areia entre muito os outros. — Eleanor podia sentir que ele estava abrindo seu coração como nunca antes, seus olhos brilhavam e ele falava de um jeito muito calmo. — E você, Eleanor?
— Hmm... eu sou uma pessoa muito previsível, preocupada e controladora. Eu tento manter tudo sobre controle, porque não consigo lidar com imprevistos, na verdade, sou muito insegura em relação a quase tudo. Tenho medo de interagir e as pessoas me acharem ridícula, vivo me escondendo em uma caixinha.
— Acho que a gente vive o mesmo dilema, medo de sermos o que somos. — Cameron acabou de beber seu refrigerante e colocou a latinha ao seu lado. — Sabia que essa está sendo uma das minhas melhores noites?
— Sério? — O coração de Eleanor estava acelerado e ela não conseguia parar de sorrir. — Eu sinto o mesmo. — Era verdade, ela já teve muitas noites boas na vida, mas aquela era muito especial. Tinha descoberto que Cameron era um dos melhores garotos que ela já tinha feito amizade e ele a deixava totalmente à vontade, ele a entendia, não tinha a necessidade de se justificar o tempo todo.
— Eu não queria que essa noite acabasse, mas já são quase onze da noite e acho que sua mãe vai ficar preocupada se não voltar agora. — Cameron se levantou da areia e limpou suas roupas, depois ajudou Eleanor a se levantar também. Os dois pegeram os pacotes de salgadinhos vazios e as latinhas para jogar no lixo.
— A gente pode fazer isso mais vezes, sabia?
Os dois voltaram para a margem da areia, jogaram as embalagens no lixo e caminharam até o carro de Cameron.
— Ei. — Cameron pegou a mão de Eleanor e a entrelaçou na sua. Ela olhou para suas mãos juntas e ele se aproximou dela. — Eu já disse que está linda?
— Sim. — Eleanor sorriu e enlaçou suas mãos no pescoço de Cameron. Ele colocou as mãos em sua cintura e a beijou. O beijo era bom, sem sombra de dúvidas, mas ela não se sentia totalmente entregue, ela ainda lembrava de tudo ao seu redor. E isso era h******l, só vinha Rae à sua cabeça e ela queria que aquilo acabesse logo.
Quando os dois se separaram, ela permaneceu abraçada a ele, mas sentiu seu estômago revirar e teve que correr para um canto da praia, ela vomitou tudo o que tinha em seu estômago e depois se apoiou em um poste de luz, sua cabeça girava.
— Você está bem? Foi tão r**m assim? — Cameron perguntou preocupado e foi até Eleanor.
— Não, Cameron. — Ela se recompôs, sua cabeça agora doía um pouco. — Estou assim desde o início da semana, não sei o que pode ser.
— Vou te levar ao médico.
— Não, não precisa. Eu tenho remédios em casa.
— Mas seus sintomas não estão passando, isso não é normal. Vamos ao hospital.
— Tudo bem. — Eleanor não quis insistir e ele a ajudou a caminhar até o carro.