Eleanor e Cameron estavam sentados na sala de espera do hospital, eles haviam acabado de preencher as informações de Eleanor e só estavam aguardando a médica chamar. A sala estava vazia e fria, uma televisão na parede passava um filme antigo do faroeste, ela encarou a tela tentando se imaginar naquele local, tentando fugir da realidade.
— Está com frio? — Cameron perguntou.
— Um pouco.
Ele tirou sua jaqueta do time e colocou sobre os ombros de Eleanor.
— Desculpe por te fazer parar aqui.
— Não tem problema, Eleanor. — O garoto a tranquilizou. — Eu só quero que você fique bem.
— Você é fofo. — Eleanor sorriu e ele sorriu junto.
— Sua mãe deveria saber que você está aqui, não é? — Colette não sabia nem que sua filha tinha saído de casa.
— Vou mandar uma mensagem para ela. — Eleanor pegou seu celular e escreveu uma mensagem à sua mãe dizendo que tinha saído com Cameron e que precisou vir ao hospital por conta de um m*l estar, mas que estava bem. — Ela vai ficar furiosa comigo.
— Eleanor Alwyn Sivan? — A médica abriu a porta do consultório, ela era jovem, não parecia nem ter trinta anos de idade.
— Sou eu. — Eleanor se levantou. — Vou deixar meu celular com você, caso minha mãe ligue. — Ela deixou o celular com Cameron e entrou na sala.
— Boa noite, Eleanor. O que você está sentindo? — A médica disse fechando a porta e Eleanor se sentou em uma cadeira de frente para ela. Ela leu o nome no jaleco, Greta Buckley.
— Estou com dor de cabeça e vômito.
— Quando começou? — Greta digitou algo no computador à sua frente.
— Terça-feira, eu estava na aula de natação e então fiquei com muita dor de cabeça e minha vista ficou toda escura.
— Você tem alguma doença diagnosticada ou algum transtorno?
— Não.
— Aconteceu algo que mudou sua rotina nos últimos dias?
— Sim, eu mudei de casa recentemente. Na verdade, minha vida está um caos.
— Você tem mais algum sintoma?
— Não.
— Então, Eleanor. — Greta acabou de anotar algumas coisas no computador e a encarou. — Aparentemente é psicológico, porque não é acompanhando de mais nenhum sintoma. No entanto, não é seguro descartar algo mais sério, por isso, vou te passar alguns exames de sangue e uma tomografia. Tudo bem?
— Tudo bem.
— Esses são os remédios que você precisa tomar quando se sentir m*l. — A médica entregou uma receita de remédios a Eleanor. — E o mais importante, você precisa cuidar do seu psicológico, é indicado que você faça terapia pelo menos uma vez por semana.
— Ok... — Eleanor leu a receita, os remédios eram totalmente diferentes do que ela estava tomando, talvez fosse por isso que ainda não tinha melhorado.
— Vamos fazer seus exames agora, mas preciso que algum responsável te acompanhe.
— Minha mãe deve estar vindo para cá.
— Ótimo. Vou preparar a sala até que sua mãe chegue, pode aguardar na sala de espera, tudo bem? — Greta sorriu gentilmente.
— Tudo bem, doutora. Obrigada.
Eleanor saiu da sala e voltou para perto de Cameron, ele parecia estar tenso e ela já sabia o motivo.
— Minha mãe ligou, não foi?
— Sim, ela está furiosa, Eleanor. Furiosa mesmo.
— Eu já imaginava isso. — Eleanor suspirou e sentou ao lado de Cameron. — Por isso eu não queria vir aqui.
— Mas era necessário, não fique preocupada com isso. —Ele colocou a mão no ombro dela. — Sua mãe disse que vai chegar em uns quinze minutos.
— Que maravilha. — Eleanor escorou sua cabeça na parede e encarou o teto. Sua cabeça ainda doía um pouco, mas estava bem melhor. Ela não acreditava que a noite tinha sido péssima e ótima ao mesmo tempo, ver Rae sendo beijada foi uma das piores sensações que já teve, mas ao mesmo tempo foi incrível estar ao lado de Cameron — tirando a parte do beijo obviamente.
***
Eleanor fez uma bateria de exames e foi liberada do hospital depois de duas horas, não foi diagnósticado nada, o que era ótimo. Segundo a médica, os sintomas eram causados por estresse e ansiedade, o que ia ser resolvido com terapias semanais. Já era madrugada e Cameron já havia ido para casa à pedido de Colette.
— Rae está em casa? — Eleanor perguntou à sua mãe, as duas estavam caminhando para a saída.
Colette estava apática desde que chegara ao hospital, se é que estava furiosa com Eleanor, não deixou transparecer em momento algum. Ela nem ao menos tocou no assunto dela ter saído de casa sem avisar, apenas acompanhou sua filha como uma boa mãe. Alguma coisa estava muito errada.
— Sim.
Elas entraram no estacionamento do hospital, já eram quase três horas da manhã e o ambiente estava totalmente tomado por uma grande cerração. Eleanor podia sentir o orvalho tocando seu rosto.
— Mãe, me desculpe pelo o que ocorreu. — Eleanor disse quando sua mãe começou a dirigir.
— Olha, Eleanor. Eu estou muito chateada com você. O que está acontecendo? Você nem me disse que tinha passado m*l na natação...
— Quem te disse? — Eleanor a interrompeu curiosa.
— Sua professora ligou para mim, disse que não ia deixar você participar da próxima aula por conta do seu m*l estar, e aí eu fiquei toda constrangida, por que como você não sabe que sua filha está passando m*l? — Ela suspirou. — Porque ela não te conta, não te conta nada do que está sentindo! Seria tão mais fácil se você apenas me dissesse, sabe? Assim eu não me sentiria tão m*l.
— Me desculpa, mãe. Mas você vive no trabalho e se não está nele, está com John. Eu não quero ficar enchendo sua cabeça de bobagens.
— Você não é bobagem, você é minha filha e eu me preocupo muito! — Colette começou a chorar e parou o carro no sinal vermelho.
— Me desculpe mesmo, mãe. Não vou fazer isso de novo. Eu prometo.
— Não precisa me prometer nada, é só pensar antes de agir. — O sinal abriu e ela continuou a dirigir.
***
Eleanor acordou tarde, por mais que não tivesse conseguido dormir muito bem durante a madrugada. Ela tinha tido vários sonhos estranhos e lembrar de como sua mãe havia ficado decepcionada também não ajudava. Ela queria dormir o dia todo até esquecer do que tinha acontecido.
— Eleanor, venha almoçar! — Colette disse do outro lado da porta. Eleanor ignorou e permaneceu deitada na cama. — Para de infantilidade, Eleanor. — Ela levantou contra sua vontade e abriu a porta.
— Pronto. — Disse com sarcasmo.
— Vamos almoçar, Rae e John estão nos esperando.
— Eu não quero, estou sem fome.
— Olha aqui... — Colette segurou no braço de Eleanor e a obrigou a encarar. — Eles não têm culpa de você agir como uma criança, então para de besteira e vamos lá.. — Sua mãe estava muito exasperada e Eleanor não entendia o porquê, ela nunca havia agido dessa maneira.
— O que está acontecendo com você, mãe? — Eleanor perguntou confusa.
— Estou cansada das suas atitudes!
— Você sempre esteve cansada, mãe! Nunca se importou comigo, desde criança eu tive que tolerar suas brigas com o papai e você nunca pensou em mim. Você só se importa com você mesma! — Eleanor soltou seu braço.
— E você acha que seu pai é um santo? Como poderia saber, você não tinha maturidade nenhuma, na verdade, não tem.
— Aparentemente você também não, o papai sempre me perguntava como eu estava, ele se importava com os meus sentimentos.
— Então por que você não mora com ele?
Eleanor foi até seu closet e pegou algumas peças de roupa.
— O que está fazendo? — Sua mãe a olhou confusa.
— Estou fazendo o que você falou. — Eleanor colocou suas roupas na mochila e mais alguns itens pessoais.
— Boa sorte, Eleanor. — Colette disse quando Eleanor passou por ela e caminhou pelo corredor. — Aposto que você não passa da porta.
— É o que veremos.
Eleanor desceu as escadas da casa e saiu de casa depressa, se é John ou Rae a viu, ela não sabia, mas torcia para que sim. Quando ela se afastou o suficiente de casa, se sentou na calçada. Como ela ia caminhar até a casa de seu pai? Era meia hora de caria se mudado.
— Eleanor! Tudo bem? — Seu pai atendeu entusiasmado.
— Oi, pai. Eu não estou muito bem, eu e mamãe discutimos, você pode me buscar?
— Ela te expulsou de casa?
— Não, mais ou menos. Depois eu te conto.
— Onde você está?
— Vou te mandar a localização, pode ser?
— Tudo bem. Eu não devo chegar muito rápido, você está fora de casa?
— Vou ficar numa praça que tem aqui perto. Pode ser?
— Tá bom. Se cuide. Já já eu chego.