Capítulo Treze

1465 Palavras
Eleanor ficou sentada em um banco na praça esperando seu pai. Quanto mais esperava, mais ansiosa ficava. Ela tinha tanta coisa na cabeça, como uma semana poderia ser tão desgastante? Só que de uma coisa ela tinha certeza, precisava conversar com Rae, precisava esclarecer tudo. Era o que ela devia ter feito desde o início, desde que as coisas começaram a desandar. Olhando para trás ela se sentia covarde, teve medo de enfrentar seus sentimentos e lidar com a situação, agora as consequências estavam sendo piores do que ela imaginava. Uma caminhonete vermelha parou perto da calçada, ela olhou para através do vidro e correu aténo carro. — Filha! — Seu pai saiu do carro e foi correndo abraçá-la. Os dois ficaram abraçados durante um tempo, quando se separaram Eleanor começou a chorar. — Vem, vamos conversar durante o caminho. Ela entrou no carro e encarou o seu pai. Ela era definitivamente cara dele, o nariz comprido, os olhos verdes e amendoados, da mãe ela só tinha puxado os cabelos loiros e o temperamento sanguíneo. — O que aconteceu? — Seu pai ligou o carro. — É uma longa história. — Eleanor contou tudo que tinha acontecido na semana, a detenção, o teatro, a amizade de Blake e Rae, o encontro com Cameron e a discussão com sua mãe. — E ainda tem uma coisa. — Ainda mais? — Faziam quinze minutos que eles estavam na estrada. — Eu não disse à mamãe, e nem sei como dizer, mas eu estou apaixonada pela Rae. — Eleanor disse com facilidade, seu pai apenas balançou a cabeça concordando e ao mesmo tempo surpreso. — E eu a vi beijando uma garota na festa, isso me machucou muito. — Mas você não saiu com o Cameron? — É, porque eu achei ele um cara muito legal, não porque eu estava apaixonada por ele. — Sinceramente, Eleanor. Eu sou péssimo com essas coisas de relacionamento, mas acho que você devia ter falado a Rae sobre o que sentia desde o início. — Eu sei, só perecebi isso agora. Fiquei com medo de não ser recíproco. — A gente nunca sabe se realmente é recíproco até dizermos à pessoa. — Eu deveria ter tido essa conversa com você uns dias atrás. — Ela sorriu sem graça. — Tudo vai se resolver, só precisa ter paciência. Eleanor encostou a cabeça no banco e fechou os olhos, quando os abriu novamente já estava chegando no bairro que seu pai morava. Ele parou o carro em frente a casa, era pequena e aconchegante, fazia muito tempo que ela não ia ali, sempre seu pai que a visitava. Eleanor desceu do carro encarou a casa azul à sua frente, tinha sentido saudades das janelas de madeira e da porta vermelha destacada. ─ Pode entrar, deixei a porta aberta. — Seu pai disse quando desceu do carro. Eleanor caminhou até a porta e a abriu, a casa estava cheirando a biscoitos de chocolate, ela entrou e olhou em volta da pequena sala, ela tinha uma enrome prateleira cheia de livros e mequetrefes que sua avó colecionava, vasos de porcelana, discos de vinil e tudo quanto é coisa antiga. No centro havia um sofá xadrez cheio de almofadas, à sua frente uma mesinha de centro de madeira e uma televisão pequena. ─ Darin, você chegou? — A avó de Eleanor saiu do corredor e adentrou a sala, seu sorriso foi instantâneo quando viu Eleanor. ─ Minha neta! Como você cresceu! Eleanor correu para abraçar sua avó. ─ Senti sua falta, vovó. ─ Eu também, Eleanor. — A avó beijou o topo da sua cabeça. Eleanor se separou do abraço e encarou sua avó, como fez com seu pai. Queria detalhar tudo, porque se fosse um sonho não ia esquecer de nada. ─ Fábio, para de comer e venha ver sua neta! ─ Sua avó disse alto. ─ Oh, minha nossa! ─ O avô de Eleanor saiu depressa da cozinha. ─ Continua linda e a sua cara, Darin. ─ Ele abraçou a neta. ─ Seu quarto está do mesmo jeito que você deixou. — Darin disse. ─ Eu nem me lembro direito como ele é. — Eleanor se sentou no sofá. — Fiquei sabendo que aquela cobra te expulsou de casa, me conte essa história. — A avó de Eleanor disse e Darin sorriu disfarçadamente. — Marieta não diga isso. — Seu avô a reprimiu, mas ela apenas deu de ombros. Eleanor contou a história novamente, ela já tinha até decorado. — Ela sempre foi assim, temperamental e racional. — Darin disse. — Esse comportamento dela foi muito desproporcional, acredito que ela vai te pedir desculpas, mas enquanto isso não acontece, você pode ficar aqui o tempo que quiser. — Obrigada, pai. — Eleanor disse. — Mas a mamãe está estranha, ela nunca tinha agido dessa forma. Tudo bem que ela sempre foi nervosa, mas não nessa proporção. Tipo, eu não fiz algo imperdoável e nem prejudiquei ninguém. — Deve ser aquele rico metido a b***a que ela está namorando. — Marieta disse e dessa vez seu avô não a reprimiu. — Nisso eu concordo. — Fábio disse e encarou Darin. — E você, Darin? — Não sei, papai. — Ele encarou o chão pensativo. — Eu nunca o vi na vida. — Vamos comer uns biscoitos! — Fábio disse animado e caminhou para a cozinha. — Nisso eu concordo! — Darin sorriu e se levantou. Os quatro foram juntos para a cozinha, só naquele momento Eleanor se lembrou que não tinha comido nada desde os salgadinhos na praia e o refrigerante na praia, sua barriga roncou ao sentir o cheiro de chocolate e ela pôde jurar que era o momento mais feliz dela durante toda a semana. *** Eleanor foi para o seu quarto depois de encher a barriga de biscoitos e suco, ela não tinha muitas recordações do cômodo, havia ido muito pouco na casa de seu pai. Ela abriu a porta e sorriu ao ver as paredes com pinturas que ela fez a mão quando tinha uns quinze anos, pelo teto haviam várias estrelinhas espalhadas que brilhavam no escuro, no canto próximo à janela tinha uma cama pequena de solteiro e em frente, um guarda-roupa pequeno branco e uma escrivaninha também branca com alguns livros empilhados. Ela deixou sua mochila sob o carpete e se jogou na cama, precisava descansar antes de pensar no que faria dali pra frente. Sem contar que no dia seguinte tinha aula, ela não havia começado o seminário com Cameron, nem lido a peça de teatro, além do mais, precisava conversar com Stella sobre voltar às aulas de natação. A semana seria cansativa, mas naquele momento ela só queria se afundar nos cobertores e tirar uma soneca. *** Já era quase noite, depois de Eleanor tomar banho e se alimentar direito, ela decidiu ligar para Jane para falar sobre o que tinha acontecido. Precisava conversar com alguém naquele momento, e só sua amiga poderia a consolar melhor. — Eleanor, já estou sabendo. — Jane disse eufórica do outro lado da linha. — Sabendo do que em específico? — Que você saiu com Cameron. — Ela te contou, não é? — Às vezes Eleanor se esquecia que Jane também era amiga de Rae. Rae contava tudo à ela, mas é claro que Jane mantia sigilo. Assim como fazia com suas conversas. — Sim, ela contou. Que porcaria foi essa? Vocês precisam se entender! — Eu sei. Vou conversar com ela amanhã, só preciso pensar no que dizer. Ela te disse que beijou a Blake? Eu vi tudo, Jane. — Ah, Eleanor... — Jane suspirou. — Ela me disse que foi no calor do momento, ela viu que você estava vendo? — Não, as duas estavam em um canto. — Só ela pode te dizer a verdade completa, não vou me meter nisso. — Ok, eu só queria conversar com alguém. — Eleanor fungou o nariz, algumas lágrimas começavam a surgir involuntariamente. — Tudo bem, eu entendo. A gente pode conversar melhor amanhã na escola ou você quer que eu vá aí? — Não, não precisa, descansa para amanhã. Eu estou na casa do meu pai e vou ajeitar umas coisas aqui. — Tá bom, Eleanor. Se cuide, viu? Eu te amo. — Também te amo, Jane. — Eleanor desligou a chamada e jogou seu celular em cima da cama. Ela precisava se organizar para o dia seguinte, levantou-se da cama e esvaziou sua mochila colocando tudo em seu guarda-roupa vazio. Depois pegou seu notebook e passou uma hora fazendo toda as tarefas da escola que tinha que fazer, agora só faltava o trabalho com Cameron e ler o roteiro do teatro. O que estava no topo da sua lista de tarefas era o que mais a assustava, "conversar com Rae".
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