Coloco uma compressa de água fria em sua testa, eu tremo de desespero em vê-lo assim e não saber o que fazer. Seu rosto está pingando suor ao mesmo tempo que arde em febre. Padre Afonso tem dificuldade de manter os olhos abertos, hora me encarando, hora apertando as pálpebras. Meu coração se aperta. Já perdemos um padre, não podemos perder mais um. Padre Frederico ficou doente, talvez de tanto ver a tragédia que passamos na Rocinha. Agora, a favela pode tirar outro santo de nós. Debruço, apertando com meus dedos o pano úmido em sua testa. É quando sinto uma mão grande e forte rodear minha cintura, meus olhos crescem e não consigo nem me mover quando padre Afonso me puxa para cima de seu corpo enorme. Ele geme baixinho, faz uma careta de dor, mas logo abre os olhos e me encara. Espalmo

