Cláudia passou a observar melhor cada reação do namorado com Anahí, o jeito como a olhou deixou muitas coisas claras para ela. Viu o namorado fechar a cara ao ver alguns homens se aproximarem de Anahí oferecendo para passarem protetor solar, vendo a mesma se negar desconfortável, ela percebeu absolutamente tudo. Se tornou quase impossível não observar e ficar chateada e até mesmo magoada.
Era uma batalha perdida.
Alfonso tentou se esforçar ao máximo para que o dia com a namorada fosse bom, porém também percebeu que ficava muito incomodado com os homens que se aproximavam de Anahí, que passou a encarar muito mais atento onde ela estava e o que fazia e o fato dela se negar aos pedidos de outros causava certo alívio.
Cláudia: Eu vou embora! Disse se levantando e juntando suas coisas. Ele se assustou ao vê-la se arrumar para voltar ao hotel.
Alfonso: Cláudia, podemos ficar mais um pouco....eu..
Cláudia: Nem se dê ao trabalho, não vou ficar aqui para ver você babar na Anahí.
Alfonso: Cláudia, eu... Ele nem sabia como se explicar. Ele tinha se esquecido que Cláudia estava ali.
Cláudia: Poupe o seu tempo e o meu. Não há o que dizer, Alfonso. Acho que as coisas já estão bem claras para nós dois. Ele sem ter o que dizer acabou por voltar ao hotel com ela. Ele de fato, não pensou na namorada em nenhum momento desde que pisou naquela praia. Ele estava se sentindo culpado por acabar magoando uma pessoa que não merecia, que tudo o que tinha feito era querer ficar ao lado dele e o apoiar, uma das pessoas que o fez bem por anos.
Alfonso: Me desculpe. Eu não queria... Ela o interrompeu.
Cláudia: Não queria olhar para ela? Não queria deseja-la? Queria negar que vocês se atraem? Perguntou sendo direta.
Alfonso: Cláudia...Não sabia o que dizer.
Cláudia: Eu acho que nos três estamos tentando negar ou fingir que nada está acontecendo. Eu não queria aceitar que o nosso namoro não é mais o mesmo desde que ela entrou na sua vida e você se n**a a aceitar a atração que sente por uma mulher mais jovem e ela deve fugir de você por ser chefe dela. No fim, todos estamos encenando aqui.
Alfonso: Eu...eu.. não sei o que dizer. Disse com sinceridade.
Cláudia: Nem precisa, acho que já sabemos o que devemos fazer. Alfonso, eu não vou negar, estou magoada sim, e vai me doer muito ficar longe de você, porque eu te amo, mas vai doer ainda mais ficar ao seu lado e ver que está atraído por outra mulher. Eu sei que não é algo que posso controlar, mas ainda sim, machuca.
Alfonso: E o que eu posso fazer? Eu nem sei lidar com isso. Eu não quero perder o que construímos esses anos. Ela sorriu forçado, compreendia, mas não podia ficar na situação em que estavam.
Cláudia: Eu entendo, de verdade, mas acho que precisamos de um tempo, você principalmente.
Alfonso: Um tempo? Perguntou surpreso.
Cláudia: Sim, aproveite esse tempo para descobrir o que realmente sente por nós duas. E com quem quer ficar. Eu não quero ser a namorada insegura e controladora, ciumenta e histérica, por causa da insegurança que você me causa. Eu quero você inteiro, como antes. E aproveite esse tempo, para entender o que está acontecendo com você.
Alfonso: Eu não preciso de um tempo!
Cláudia: Precisa sim, você precisa entender se o que sente é só desejo, atração ou algo mais. Até lá, é melhor ficarmos longe um do outro, porque ficar ao seu lado desse jeito está me machucando demais. E eu não preciso e nem quero passar por isso.
Alfonso: Me espera pelo menos para irmos juntos. Disse ao vê-la juntar suas coisas.
Cláudia: Tudo bem, mas quando chegarmos eu irei direto para casa. Ele assentiu, não queria aquele tempo e nem concordava, mas iria respeitar.
Claro que o clima ficou estranho e qualquer pessoa perceberia isso, Anahí sentiu a tensão de longe. Mas optou por ficar na sua, já estava constrangida demais com a situação na praia. Ela não conseguia nem olhar Alfonso nos olhos.
O trajeto de volta fora no mais profundo silêncio cada um com seus próprios pensamentos.
E de fato, quando voltaram Cláudia foi direto para sua casa, onde assim que chegou pode chorar, ela amava Alfonso, como nunca tinha amado outro homem, mas ficar em um relacionamento onde estava a fazendo m*l não dava mais, ela precisava aceitar que talvez o perderia, iria doer, claro que ia. Mas ela precisava aceitar e seguir em frente caso fosse necessário. Ela tinha que abrir mão.
Anahí foi recebida pelo pais com carinho. Tisha tinha feito até a comida favorita da filha. Anahí aproveitou aquele fim de tarde para ficar com os pais, passar um tempo em família e esquecer o episódio da praia, claro que eles perguntaram como tinha sido e ela contou das reuniões, dos projetos da empresa. Ficaram conversando até serem interrompidos pelo barulho do salto alto, era Angelique que já estava arrumada para sair.
Angelique: Como estou?
Tisha: Muito linda, filha.
Anahí: Vai matar quem do coração? Brincou.
Angelique: Conheci uma galera nova, vamos a um barzinho e depois boate.
Henrique: Está muito bonita, filha. Mas com que dinheiro vai sair?
Angelique: A mamãe me deu. Henrique e Anahí olharam para Tisha.
Tisha: Ela me ajudou com as encomendas esses dias, eu dividi com ela o que recebi.
Henrique: Eu pensei que o dinheiro que receberia seria para pagar o açougue e a farmácia.
Tisha: Eu vou pegar mais encomendas e quando receber vou pagar. Henrique balançou a cabeça em negação.
Anahí: Por favor não briguem. Pediu já cansada dos pais sempre brigaram pelos caprichos da irmã e que querendo ou não a mãe cedia.
Angelique: Bom, eu vou indo. Não te chamo, porque sei que vai dar as mesmas desculpas de sempre. Anahí revirou os olhos.
Anahí: Não São as mesmas desculpas de sempre. Eu estou cansada, trabalho e estudo durante a semana e para completar trabalhei no final de semana também, é natural que eu só queira descansar no meu tempo livre.
Angelique: Que seja! Disse sem dá importância. E assim que Angelique passou pela porta. Henrique e Tisha começaram a brigar. Anahí viu que seu momento tinha acabado por isso só saiu de casa indo para casa ao lado. Dulce a recebeu de braços abertos e as duas logo estavam no quarto. Anahí começou a contar tudo o que tinha acontecido na viagem.
Dulce: Sabia que foi uma boa ideia colocar o biquíni na sua mochila. Disse rindo.
Anahí: Com que cara eu vou olhar para o meu chefe?
Dulce: Ué, com a mesma. Ele também não foi nenhum santo, Annie. Te encarou, esse homem te quer!
Anahí: Para de falar essas coisas!
Dulce: Amanhã você vai chegar lá como se nada tivesse acontecido, afinal ele namora ainda. Mas quando ele for um homem totalmente livre, você vai dar para ele.
Anahí: Não vou não! Negou.
Dulce: Claro que vai! Vai e depois vai me contar se ele fez gostoso! Riu alto e Anahí colocou o travesseiro na cabeça.
Anahí: Cala a boca! Disse com voz abafada pelo travesseiro. Ela não queria olhar na cara da amiga, não por raiva, não por chateação, mas por saber que Dulce a conhecia como ninguém. Por saber que provavelmente faria o que a amiga disse e olhar para Dulce agora só iria fazer a outra perceber que estava certa.
Era só esperar para saber quem tinha razão ali.