Capítulo Trinta e Oito.

1593 Palavras
Henrique não viu problemas na filha dormir na casa de uma amiga da faculdade, foi isso que ela disse ao após, mas Henrique sabia que a filha estava saindo com alguém se ela ainda não se sentia pronta para apresentá-lo a família respeitaria o tempo dela, achava até uma boa ideia a filha sair um pouco, ultimamente o clima na casa estava sempre cheio de tensão e discussões se sentia até um pouco culpado por toda a preocupação que dava a filha devido a sua saúde. Porém quem não gostou foi Tisha, o fato de Anahí dormir fora não a agradava. Tisha: Filha, você não pode deixar para outro dia? Estou precisando da sua ajuda, estou com muitas encomendas pra fazer. Disse irritando Henrique. Anahí não sabia o que dizer, não saberia negar ao pedido da mãe e conhecendo a filha Henrique logo interviu. Henrique: Deixe a menina, Tisha. Ela trabalha, estuda, ajuda a gente como pode. Ela precisa de um momento de tranquilidade. Tisha: Não impliquei com ela sair, mas só perguntei se não pode ser outro dia. Henrique: Você deveria cobrar isso da Angelique, mas não, sempre passa panos quentes para a atitude dela. Tisha: Não falei nada demais e nem toquei no nome da Angel. Henrique: Nem precisou, você quer cobrar ajuda de quem trabalha, estuda e se esforça para nos ajudar aqui em casa enquanto a outra só sai para baladas e chega à casa bêbada. Anahí: Por favor, não precisam brigar. Eu..foi interrompida pelo pai. Henrique: Vá, Annie. Arrume suas coisas e pode ir. Sua mãe vai saber se virar muito bem. Ela teria que dá um jeito caso você tivesse que estudar ou trabalhar até mais tarde hoje. Anahí encarou os dois sem saber o que fazer, qualquer atitude acabaria contrariando um dos pais. Ela respirou fundo antes de virar as coisas e ir para o quarto. Tisha: Você não pode falar assim comigo na frente dela. Daqui a pouco ela vai pensar que faço distinção entre as duas. Henrique: E não faz? Perguntou. Tisha: Claro que não! Eu amo minhas filhas igualmente. A Angel é mais nova e por isso apronta mais. Henrique: Na idade dela, a Anahí não fazia essas coisas, nunca nós trouxe dores de cabeça como a Angel. E talvez seja o momento de você mostrar com atitudes que ama as duas igualmente, porque não é o que parece. Disse aborrecido e se retirou da cozinha, deixando Tisha sozinha. Anahí ajeitou suas coisas e foi até o quarto do pai. Anahí: Tem certeza que vai ficar bem? Ele sorriu. Henrique: Tenho, pode ir tranquila. Anahí: Mas o senhor sabe que se...ele a interrompeu. Henrique: Se eu precisar vou te ligar, não precisa se preocupar, filha. E eu sei que pediu a Dulce para ficar aqui hoje, então a minha outra menina vai cuidar de mim, embora eu ache um exagero. Anahí beijou a testa do pai. Anahí: Nunca é um exagero cuidar de quem amamos. Henrique: Te amo, filha. E diga ao rapaz que já gosto dele só por fazer você sorrir de novo, por trazer um brilho nos seus olhos que eu nunca vi antes. Anahí: Como o senhor... Henrique: Já tive sua idade. Eles sorriram. Anahí: Eu vou dizer. Ele assentiu vendo a filha se virar para sair do quarto, quando ela estava próxima porta parou ao escutar a voz do pai. Henrique: Pense mais em você, na sua felicidade, no que te faz bem. Sempre se lembre disso. Anahí: Lembrarei. Sorriu Ao contrário da despedida com o pai, com a mãe as coisas foram diferentes, Tisha não estava satisfeita ao ver a filha com um mochila nas costa. Anahí beijou o rosto da mãe. Anahí: Eu já vou. Tisha: Você poderia ter ao menos considerado o que te pedi. O que custaria? Reclamou. Anahí: Mãe... Tisha: Se isso tivesse ficado entre a gente, seu pai não teria se aborrecido com isso. Anahí: A Senhora sabe que não tive culpa, ele acabou entrando na cozinha e escutou. Tisha: Mas você poderia dizer que estava tudo bem e que me ajudaria, mas não né. Anahí: Não vou debater isso com a senhora. É inútil. Disse com o coração apertado. Tisha: Eu só posso contar com você, Anahí. E agora está me virando as costas para ficar na casa de uma desconhecida. Anahí: A senhora não está sendo justa, mãe. E com isso se despediu da mãe. Ouviu Tisha ainda xingar e reclamar sobre ela. Sentia vontade de chorar, queria ter o apoio da mãe, mas parecia que Tisha não a enxergava, nem enxergava as necessidades dela. Andou mais um pouco e viu o carro de Alfonso estacionado três casas a frente, se aproximou e ouviu o carro destravar, ele sorriu ao vê-la, mas o sorriso morreu ao perceber que ela não estava bem. Alfonso: O que foi? Perguntou segurando a mão dela. Anahí não queria olha-lo, não queria chorar na frente dele. Anahí: Me leva pra longe daqui, por favor. Ele não contestou, não perguntou. Ela precisava de um tempo para si e no momento certo ele perguntaria o que tinha acontecido, mas não foi preciso, porque assim que eles chegaram ao apartamento dele, ela o abraçou e se permitiu chorar na frente de alguém, não gostava de chorar na frente de ninguém, achava que era demostrar fraqueza, mas naquele momento se permitiu ser vulnerável na frente dele, já que tê-lo ali, a trazia conforto, segurança, paz. Alfonso: Ei...o que foi, amor? Anahí: São tantas coisas...ja teve a sensação de que sua mãe gosta mais da sua irmã do que de você? Ele a abraçou forte. Alfonso: Vem cá. Disse a trazendo para o sofá, ele se sentou a trouxe para o seus braços. Anahí recostou a cabeça no peito dele, enquanto sentia os braços de Alfonso ao seu redor. - Me conta o que aconteceu, vai ser bom desabafar. Ela não se opôs. Precisava tanto falar aquilo com alguém. Tinha Dulce, mas parecia diferente agora, ela sentia necessidade de desabafar com ele. E ele escutou. Às vezes ela parava, respirava fundo, porque o choro vinha, mas contava, falava de coisas que estavam guardadas em seu íntimo. Em como achava desde de criança que a mãe preferia Angelique do que ela, de como se sentia subjulgada aos desejos da mãe, em querer agradar e nunca era o suficiente, em como tinha um relação muito melhor com seu pai do que com a mãe. Em como não se sentia segura para se abrir com a mãe, em contar seus planos e suas intimidades. Ele ouviu calado, se imaginando e pensando em como seria se a mãe o tratasse daquela forma e em como aquilo era r**m, perguntou para si mentalidade como a mãe dela não percebia e valorizava a filha maravilhosa que tinha. Anahí: E hoje não poderia ser diferente. Disse tentando secar as lagrimas. Contou o que tinha acontecido poucos minutos antes de se encontrar com ele. Alfonso: Any, baby, olha para mim. Disse calmo a segurando pelo queixo fazendo com que ela o encarasse. Oliva e Azul se encararam! Alfonso: Sei que sentimentos não podemos controlar, toda essa carga emocional que você carrega eu não posso e nem você pode controlar, mas eu posso te ajudar e te dizer com toda a certeza do mundo que se a sua mãe não valoriza e não enxerga a filha maravilhosa que ela têm. A única quem perde é ela, que ela não se deu conta de quantos momento incríveis está perdendo com você, e que talvez um dia ela se dê conta de tudo o que perdeu e vai ser tarde demais, mas você não pode parar sua vida a espera de que ela mude, não pode deixar de viver e ser feliz pelas coisas que ela faz ou fala. Pode ser fácil para mim falar, porque só quem sabe é quem sente, mas eu estou aqui, para te ouvir, para te ajudar a não deixar que isso te afete. Anahí: Obrigada. Por me ouvir, por estar aqui. Disse grata. Estava se sentindo até mais leve depois de se abrir, de deixar que ele entrasse em sua vida, em seu íntimo. Alfonso: Eu sempre estarei. Sempre, Any. Não vamos deixar que isso estrague nossos planos, não deixa as coisas que ela fala e faz te afete desse jeito, você não fez nada errado, muito pelo contrário. Anahí: Tem razão. Eu só quero esquecer isso. Alfonso: Nisso eu posso fazer algo a respeito. Disse sorrindo. E a fez sorrir também. Anahí: O que tem em mente? Perguntou entrando na brincadeira. Alfonso: Eu vou cumprir o que te prometi. Vou abrir aquela garrafa de vinho e cozinhar para gente. Anahí: Já gostei só pelo fato de você fazer o jantar. Sorriu. Alfonso: Podemos assistir aquela série que você gosta. Anahí: Você é o melhor ficante/ namorado que exite. Disse o abraçando e sorrindo. Alfonso: Ficante/ namorado? Perguntou achando engraçado. Anahí: É, como não rotulamos o que temos, por enquanto estamos entre esses rótulos aí. Disse descontraída. Alfonso: Nunca fui um Ficante/namorado de alguém antes. Riu. Anahí: Que bom que sou a primeira então. Ele rindo ainda mais e apertou em seus braços. Alfonso: Você é a melhor, nunca tenha dúvidas disso. Você me deixa de um jeito, garota. Anahí: Comigo não é diferente. Ele a encarou e segundos depois os dois já trocavam beijos que se não parassem os levariam a atrasar o jantar e as taças de vinhos, foi só por isso que Alfonso se afastou. Os dois sorriram. A noite estava apenas começando.
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