🍀 CAPÍTULO 🍀02
A mulher foi jogada morta ao chão, deixando as outras completamente apavoradas.
Mohan virou-se, olhando uma por uma.
— Se eu souber que alguma de vocês também teve algo a ver com isso, o destino será igual… ou pior que o dela. Agora sumam na minha frente e levem essa coisa com vocês.
Rapidamente, elas pegaram o corpo e saíram sem ousar olhar para trás.
Mohan sentou-se à beira da cama. Pegou a mão fria e frágil de Lu Fei, acariciando-a enquanto observava o rosto pálido do homem.
— Você não pode morrer… ainda não. Eu não disse tudo o que sinto por você… e ainda não fiz você pagar por todos os seus crimes.
Lu Fei abriu os olhos lentamente, sentindo o corpo inteiro doer.
— Acho que você não poderá mais se vingar de mim como gosta… sinto muito por não aguentar mais, meu pobre Mohan…
Mohan franziu o cenho, sem saber o que fazer.
— O lamentável aqui é você, não eu. E eu não permitirei que morra. Você só pode morrer quando eu disser que pode. Está me entendendo, Lu Fei?
Lu Fei sorriu gentilmente e tocou o rosto dele. Uma única lágrima escorreu pelo canto de seus olhos.
— Eu fiz tudo o que pude para te proteger… até me sujeitei às suas crueldades. Lamento não poder fazer mais por você. Só peço que se arrependa das suas maldades… e que não machuque mais ninguém. Viva o resto da sua vida em paz… meu pobre Mohan.
Irritado, Mohan jogou a mão sobre a cama e segurou seu pescoço frágil.
— Você não pode morrer. Eu não permito!
Lu Fei olhou profundamente dentro dos olhos dele.
E, com um último sorriso suave… fechou os olhos para sempre.
Mohan ficou imóvel, encarando o corpo sem vida, incapaz de reagir.
Horas passaram.
Todo o pico permanecia em silêncio. Ninguém ousava mencionar o sepultamento do mestre Lu Fei.
Mohan saiu do pavilhão carregando o corpo nos braços. Caminhou até o salão principal e colocou-o sobre um grande altar rodeado de flores.
Sentou-se ao lado, cercado por jarras de vinho.
— Eu não permiti que você fugisse de mim, meu cãozinho… Você é meu. Fui o primeiro… e serei o último… mesmo depois da morte.
Bebia e ria como um louco.
De repente, um homem entrou correndo, a túnica manchada de sangue, e caiu de joelhos.
— Meu lorde! Estamos sob ataque! As seitas remanescentes se aliaram ao jovem mestre Shan!
Mohan bebeu mais um gole, deixando o vinho escorrer pelo canto da boca.
— Parece que o seu querido finalmente criou coragem para vir me enfrentar… tentar tirá-lo de mim…
E riu novamente.
Logo, alguns homens foram arremessados para dentro do salão. Em seguida, Shan entrou — cabelos presos no alto da cabeça, vestes brancas com detalhes azuis, espada apontada para o chão.
Ao ver o corpo do mestre sobre o altar, correu até ele, ignorando Mohan largado no chão.
Ao ver Lu Fei magro, pálido e sem vida, as lágrimas começaram a cair.
Mohan riu.
— Você chegou tarde demais. Eu tirei tudo dele. Sua dignidade. Suas virtudes. Até sua postura arrogante.
Shan fechou os punhos e avançou, derrubando Mohan no chão. Socou seu rosto até os próprios dedos sangrarem.
— Você nunca o mereceu! Foi apenas um carrasco! Um monstro! Ele fez tudo por você! E o que recebeu? Sofrimento!
Mesmo sangrando, Mohan ainda sorria.
— Ele me amou? Por favor, Shan. O que recebi foram castigos, surras e treinamento forçado. Nunca um carinho. Isso ele dava a você e aos outros.
Shan o levantou com força e o arrastou até o altar.
— Está vendo este homem? Ele era quem o defendia dos líderes da seita! Era quem o levava escondido para o pavilhão quando você voltava bêbado dos bordéis! Era quem costurava suas roupas até furar os próprios dedos! Quem queimava as mãos tentando fazer a comida que você gostava! Quem ficava noites acordado quando você adoecia! Quem se deixou ser preso para que você não caísse numa armadilha!
Shan chorava enquanto gritava.
— Ele se mantinha frio com todos porque precisava protegê-lo! Não gostava de comida quente, não comia nada apimentado, tinha paladar infantil, preferia doces… odiava legumes e carne! Eu sempre precisava insistir para que comesse direito! Ele não era sem coração! Só você não enxergou isso, seu maldito!
E o golpeou mais uma vez.
Mohan afastou-se, segurando a cabeça.
— Mentira… é mentira…
Memórias começaram a surgir.
Pequenos gestos.
Pequenos detalhes.
Olhou para o corpo do mestre, atordoado.
— Diga que isso é mentira… não pode ser verdade…
Shan pegou o corpo de Lu Fei nos braços.
— Nem em mil vidas você será perdoado.
E saiu.
Do lado de fora, descia a enorme escadaria com o corpo do mestre, seguido por líderes de seitas e discípulos.
Dentro do salão, Mohan caiu de joelhos.
A culpa começou a corroer seu peito.
Em vez de lágrimas comuns, sangue escorreu de seus olhos.
Sua energia espiritual saiu do controle. Armas espirituais começaram a flutuar ao redor dele.
Em um grito dilacerante, rasgou as próprias vestes.
E suas próprias armas atravessaram seu corpo.
🌑 Fim deste arco.