đ3 CAPĂTULO đ03
O ClĂŁ das Nuvens estava tomado por expectativa. O torneio anual entre os discĂpulos finalmente começaria.
No pavilhĂŁo silencioso, o mestre Lu Fei meditava quando a porta se abriu suavemente. Um homem de tĂșnica dourada, bigode bem aparado e fios grisalhos que apenas realçam seu charme entrou sorrindo, trazendo um cesto nas mĂŁos.
â Ainda em meditação? â disse ele. â Por que insiste tanto nisso, meu amigo?
Lu Fei abriu os olhos lentamente, adaptando-se Ă luz.
â Como estĂŁo os outros?
O homem suspirou, revirando os olhos enquanto deixava o cesto sobre a mesa desorganizada, cheia de livros abertos.
â Lu Fei⊠quando vai aprender a cuidar de si primeiro? Seu pavilhĂŁo Ă© um caos. VocĂȘ vive se machucando e ainda age como se nada importasse.
Lu Fei levantou-se com um leve mancar â o pĂ© ainda machucado.
â Estou acostumado. AlĂ©m disso, tenho vocĂȘ para reclamar por mim.
O homem cruzou os braços.
â VocĂȘ precisa de uma companheira. NĂŁo entendo como consegue parecer tĂŁo impecĂĄvel diante da seita vivendo assim.
Lu Fei apenas pegou um bolo do cesto e saiu para se banhar.
Em outro pavilhĂŁoâ
â Seu folgado! Levanta logo! â Shan puxou o cobertor. â Vamos nos apresentar na arena. NĂŁo podemos desapontar o mestre depois de tudo o que ele fez!
O tecido caiu.
Mohan abriu os olhos.
O quarto parecia⊠diferente.
Ele sentou-se devagar. Olhou as mĂŁos.
Sem cicatrizes.
Sem marcas de espada.
Correu até o espelho.
Seu rosto era jovem.
Seu corpo, intacto.
Shan parou atrĂĄs dele, confuso.
â Sua bebedeira finalmente fritou seu cĂ©rebro?
Mohan virou-se lentamente.
â VocĂȘ⊠estĂĄ no meu inferno tambĂ©m?
â Inferno? â Shan colocou a mĂŁo na testa dele. â Eu nĂŁo fui para bordĂ©is como vocĂȘ, seu i****a!
Mohan agarrou o braço dele.
â Estamos no ClĂŁ das Nuvens? O mestre⊠ainda estĂĄ vivo?
Shan arregalou os olhos.
â Claro que estĂĄ! E quase morreu selando a f***a espiritual enquanto vocĂȘ estava se divertindo!
As palavras atingiram Mohan como lĂąminas.
âFoi naquele diaâŠâ
O dia em que Lu Fei o carregou nas costas apĂłs ser jogado na escadaria como lixo.
Sem esperar mais nada, Mohan saiu correndo.
Entre bambus que dançavam ao vento, Lu Fei caminhava ao lado do lĂder Xiao.
â Quem vocĂȘ acha que terĂĄ os melhores discĂpulos este ano? â perguntou Xiao.
â NĂŁo importa quem vença â respondeu Lu Fei serenamente. â Importa se aprenderam verdadeiramente o que lhes foi ensinado.
Xiao sorriu de lado.
â Como alguĂ©m tĂŁo jovem pode ser tĂŁo sĂĄbio?
â Ou talvez vocĂȘ esteja ficando velho.
Foi entĂŁo que passos apressados ecoaram.
Mohan parou diante deles, ofegante.
Seus olhos tremeram ao ver Lu Fei vivo.
â Mestre⊠vocĂȘ estĂĄ bem?
Lu Fei o encarou friamente.
â O que estĂĄ fazendo aqui? NĂŁo deveria estar na arena?
As lĂĄgrimas jĂĄ escorriam pelo rosto de Mohan.
â Me perdoe⊠por tudoâŠ
Lu Fei franziu o cenho.
â VocĂȘ fez algo errado?
Mohan caiu de joelhos.
â Eu sou um monstro⊠nĂŁo mereço vocĂȘâŠ
Lu Fei aproximou-se e tocou levemente sua cabeça.
â Se seu arrependimento for sincero, qualquer erro pode ser corrigido. Mas nĂŁo repita os mesmos pecados. Redima-se com açÔes.
Mohan agarrou a perna do mestre, chorando.
Xiao o puxou.
â JĂĄ chega. VocĂȘ sabe que ele nĂŁo gosta de contato fĂsico.
Lu Fei afastou-se.
â VĂĄ para a arena.
Enquanto via o mestre se afastar, Mohan fechou os punhos até sangrarem.
â Nesta segunda vida⊠eu vou protegĂȘ-lo. Nem que isso me custe tudo.