capítulo 7

1270 Palavras
Melissa Charlie Corro pelos corredores, atrasada, dormi mais do que deveria. Lavínia havia me ligado centenas de vezes, perguntando o que tinha acontecido. Hoje seria nossa primeira aula de balé, pedi para Lavínia fazer comigo e a mesma aceitou na mesma hora, ela amava balé. Ontem eu estava muito cansada, além de ter tomado uma grande chuva, não estava me sentindo muito bem fazendo me atrasar para a aula. Passo pelo campo, abro a porta com tudo, fazendo todos olhares parem em mim. Sinto minhas bochechas ficaram quentes, engulo em seco quando a professora se aproxima. — Creio que seja a Melissa Charles. —Fala segurando uma régua em sua mão. —Sim, senhora. —Falo baixo sem olhar em seus olhos. — Menina, pode ter sido filha de um dos colaboradores da escola, mais isso não te faz ser importante. Não aceito atrasos. — Fala ela. Minha garganta seca, meus olhos estavam ardendo, sentia o olhar de todos sobre mim e é claro, os cochichos eram inevitáveis. — Não irá se repetir. — Falo baixo. Sinto minha mão começar a tremer, solto um suspiro com medo do que estava por vir. — Ótimo! Vai trocar de roupa enquanto as outras fazem o aquecimento. — Fala a professora se afastando de mim. Ando rapidamente até o vestiário, solto minha bolsa no chão e ando de um lado para o outro. — Por favor, agora não! Por favor! — Peço para minha cabeça. Solto mais um suspiro, tentando me acalmar. Minhas mãos estavam começando a suar, meu coração estava a mil, me sento no banco, com falta de ar. Meu corpo inteiro estava em um formigamento constante, como se mil pequenas e finas agulhas estivessem me espetando. Olho em volta, perdi a noção de onde estava, meu corpo começou a amolecer e colidiu com o chão, um medo apertava meu peito. A dor era intensa do lado esquerdo, as lágrimas saiam descontroladamente dos meus olhos, minha respiração fazia meus s***s subirem e descerem rapidamente. — Calma, você vai fica bem! — Tento me convencer com dificuldade. Minha cabeça era minha inimiga nesses momentos, pois tudo que sofri com meu ex namorando e com a morte do meu pai vem a tona. Coloco as mãos na cabeça, tentando de alguma forma parar com esses pensamentos. Flashback! — Eu disse que não! — Grita ele. — Gustavo, ela é a minha amiga. Não pode me impedir de sair com ela. — Falo tentando enfrentá-lo. O mesmo dá me dá um t**a no rosto me fazendo cair sentada na cama. Gustavo segura meus cabelos com força, me fazendo olhar em seus olhos, com a outra mão, ele acaricia a bochecha que bateu. — Olha o que você me faz fazer, meu amor. Se você me escutasse, eu nunca machucaria você. Eu te amo! — Fala ele com os olhos cheios de lágrimas. Já se foi o tempo que eu caía nesse papinho, o problema é que eu tenho medo de terminar com ele e Gustavo enlouquecer, não só machucando a mim, mas também a quem eu amo. — Então não faz, me deixa ir. — Falo me levantando. —Não! — Fala puxando ainda mais os meus cabelos. Engulo em seco, não querendo chorar na frente dele — Me desculpa, mais eu vou ter que te prender de novo. — Fala ele. — Não, Gustavo não precisa, por favor não faz isso! —Peço deixando uma lágrima escapar. Vejo ele me levando para o quarto que era um dos meus piores pesadelos, minhas lágrimas já caíam sobre meu rosto. Gustavo me joga lá dentro e fica me olhando da porta. — Gustavo, por favor! —Peço entre lágrimas. — Depois ficaremos juntos, meu amor. — Fala e fecha a porta, travando a mesma. Olho para aquele quarto escuro e cheio de mofo, me sentindo suja. Atualmente... O suor já estava pelo meu corpo inteiro, estava sentindo que iria desmaiar. Escuto alguém se aproximar, mas meus sentidos estavam muito bagunçados. — Vem aqui! —Escuto uma voz rouca. Sinto mãos nos meus braços, automaticamente em modo de defesa, meus pés começam a chutar na direção da pessoa, fazendo ela se afastar. — Melissa, fica calma! Eu não vou machuca você, ei, sou eu! —Fala a pessoa. Quando chega no meu campo de visão, vejo ser Jonathan. Ele parecia estar mais desesperado que eu, passa suas mãos por seus cabelos, pensando em algo. — Olha... Tenta se aproximar mais meus pés já se preparar para bater nele novamente. Mais uma pessoa aparece, puxa ele para longe, vem até mim e não ousa me tocar. — Melissa, me escuta! Você tem que se concentrar ok? Primeiro porque você é forte e segundo porque tem que lavar a minha cama que você molhou. — Fala Adam me olhando. Um pequeno sorriso surge em meus lábios quando lembro da sua cama molhada. Adam estende a mão para mim, olho para minha mão e tento movê-la, mais sou incapaz. O mesmo vem até mim com calma, segura meus braços e me ajuda a sentar no banco, se sentando do meu lado. — Vai pegar uma água para ela. — Fala Adam para Jonathan. O homem de olhos verdes intensos ao meu lado, pega meu prendedor de cabelo que estava no meu pulso, amarra meus cabelos em um coque, dando um leve assopro em meu pescoço, onde escorria suor, me fazendo ter um pequeno arrepio. — Relaxa seus músculos. — Fala dando apertões em meus ombros. Minha respiração estava voltando ao normal, minhas mãos já não estavam tremendo como antes. Levanto meus olhos e foco nos olhos verdes de Adam, que estranhamente foram o suficiente para me acalmar. O mesmo tira umas mechas de cabelo que estavam grudadas no meu rosto pelo suor e me olha. — Tudo bem? — Perguntou ele cautelosamente. — Tudo bem. — Falo baixo tentando esboçar um sorriso. Jonathan volta com uma garrafa de água, Adam pega de sua mão e abre a mesma. — Você está melhor? — Perguntou Jonathan ainda com uma expressão assustada. Apenas aceno com a cabeça, confirmando que sim. Adam me entrega a garrafa e eu tomo um gole da água. — A professora deve estar com raiva. — Afirmo e tomo mais um gole de água. — Ela está ali fora, irei conversa com ela. — Fala o moreno. — Jonathan, espera! — Chamo antes que ele saia. Ele se vira e me olha. — Por favor, não fale sobre isso com ela, nem com ninguém. — Peço. — Minha boca é um túmulo! — Fala e dá, um sorriso. Volto minha atenção a Adam que fechava a garrafa de água. — Como sabia acalmar uma pessoa nessa situação? — Pergunto. Percebo Adam engolir em seco e logo dar de ombros, desviando da minha pergunta. — Consegue andar? — Perguntou. Ele definitivamente não quer responder minha pergunta, me deixando com uma pulga atrás da orelha. Como ele sabe acalmar uma pessoa em crise de ansiedade? —- Suponho que sim. — Falo. Jonathan volta, Adam se levanta e vai até o mesmo, entregando a garrafa de água a ele. — Leve-a até o quarto e só saia de lá após confirmar que ela está na cama. Avise os professores que ela não poderá comparecer hoje. — Fala e assim sai sem olhar para mim. Jonathan se aproxima, toca em meu ombro. — Nesses dois anos que ele está aqui, é a primeira vez que escuto ele falar. —Diz o moreno. Por que Adam tinha esse jeito? Cada dia que passa, só tenho mais curiosidade de saber sobre ele!
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR