POV JÚLIA Respirar parecia engolir vidro moído. Minha garganta estava em carne viva. Cada batida do meu coração empurrava um fogo denso pelas minhas veias, avisando que o meu tempo estava se esgotando. Pisquei, tentando afastar a escuridão, mas o mundo era apenas um borrão. Eu flutuava em um limbo de dor e exaustão. Acordando e apagando. No meio do delírio, mãos enormes e quentes me seguravam. O cheiro de madeira e sândalo invadiu meus sentidos. Gabriel. Senti meu corpo fraco ser erguido no ar. O peito largo dele servindo de escudo contra o frio. Apaguei. Quando minha consciência piscou de novo, o toque macio dos lençóis da nossa cama deslizou pela minha pele febril. O cobertor pesado foi puxado com cuidado até o meu queixo. Uma toalha fria e úmida tocou a minha testa suada. D

