Lorena narrando
— Com açúcar?
— Sem, por favor , eu não como nada que tenha açúcar.
— Como consegue? – a Joana pergunta – nossa eu amo um doce.
— Na verdade, acostumei assim, desde criança cheia de regras.
— Nossa, mas nada de docê? – Patricia pergunta
— Não. Meu pai sempre me criou com muitas regras, alimentação saudável.
— Você não come um brigadeiro, sorvete? – eu n**o – um açaí com leite ninho?
— O que é isso?
— O que?
— Açai com leite ninho?
— Você não sabe o que é?
— Não – eu falo rindo
— Bom, aqui a gente tem pão normal, margarina, queijo, mortadela, uma geleia – ela fala me entregando.
— E qual delas é light?
— Nenhuma – a Patricia fala – você come ovo? Posso fazer sme azeite nada.
— Sim, obrigada.
Joana me encara o tempo todo e eu olhava para ela e sorria, Patricia prepara o ovo e me entrega.
— Obrigada – eu respondo – a senhora é muito gentil.
Eu como aquele ovo que estava uma delicia, não era o mesmo que a minha governanta preparava, mas era gostoso.
— Será que alguém me leva até a boca?
— VocÊ vai assim? – Joana pergunta
— Eu não trouxe roupas.
— Eu te empresto.
— Obrigada.
A gente sobe até o quarto dela que era rosa e cheio de poster para tudo que era lado.
— Acho que alguma dessas deve te servir – ela começa a colocar algumas roupas em cima da cama bem coloridas.
— Preta, tem alguma coisa?
— Preta? – ela pergunta
— É, eu só uso roupas pretas.
— Entendi – ela fala – eu tenho uma calça – ela me entrega e eu pego no tecido vendo que era um tecido horrível.
— Pode ser, eu fico com a camisa dele mesmo – eu falo sorrindo – obrigada.
— De nada – ela fala – tem uma loja aqui, podemos passar la comprar roupas.
— Posso pedir de alguma loja e mandar entregar aqui,?
— Posso buscar para você.
— Ótimo – eu falo sorrindo
— Você quer um calçado também?
— Eu tenho um salto.
— Vai usar salto no morro?
— Eu vou – eu falo
— Usa um chinelo.
— Chinelo? – eu falo – que nem esses? – eu pergunto apontando para o pé dela.
— Sim – eu arregalo olho
— Eu vou com meu salto.
Eu vou até o quarto de Marcos, coloco a calça que ela me emprestou que tinha servido, a camisa dele e o meu salto preto, e saio com Joana para descer até a boca, todo mundo olhava para nós.
— Você é famosa aqui que está todo mundo nos olhando?
— Eles estão olhando você.
— Eu? – eu pergunto – será que eles me conhece das revistas?
— Acho que é a forma que você está vestida
— Estou horrível, eu sei – eu falo
Uma dificuldade para descer até a boca, essas ruas todas desniveladas, quando chegamos, eu entro e Marcos está conversando com um homem lá.
— Mosca, você me dar licença – ele fala me encarando.
— Você pediu para eu vir, mas deveria investir em uma estrada descente, uma escada rolante, um elevador qualquer coisa, vou ter que subir de volta a pé tudo aquilo.
— Pode subir na garupa de uma moto.
— Moto? Eu andar em uma moto?
— É sério que você está de salto alto? – ele pergunta
— Sim, estou de salto alto – ele começa a rir – bom, vamos conversar porque depois sua irmã vai buscar umas roupas em uma loja.
— Não – ele fala – fora do morro, não.
— Sim, eu preciso de roupas.
— E vai pagar como?
— Meus cartões – ele começa a rir
— Ah, isso usa os cartões que o teu pai te acha rapidinho – ele fala e eu o encaro. – compra no morro, eu anoto e você fica me devendo.
Capitulo 30
Marcos narrando
— Se eu vou ficar te devendo aqui, eu posso te dever lá fora da mesma forma – eu olho para ele.
— Só que eu valorizo o comercio do meu morro.
— Você não pode fazer isso.
— Deveria ter pensado em vir com grana viva.
— Como iria tirar dinheiro aqui?
— Isso já não é problema meu.
— Eu posso conseguir dinheiro sozinha.
— Pode como? Sem seu pai saber? – eu pergunto
— Vamos falar sobre como vamos fazer para atingir nossos objetivos.
— Comece me contando tudo – ela me olha
— Tudo o que?
— Tudo sobre os seus negócio? Que você por fora.;
— Eu já disse, quando eu tinha 20 anos de idade eu comecei com meu namorado na época uma rede diz de tráfico de drogas, que infelizmente não é forte por causa da máfia, porque qualquer coisa que atrapalhasse os planos deles, eles iriam atrás.
— Onde é que vocês distribui?
— Istambul – ela responde
— Istambul, a maior rede de tráfico de pessoas está lá, você sabia?
— Eu sei mas eu não mexo com essas coisas – ela fala firme.
— Ninguém dentro das favelas concorda com isso, tráfico de pessoas é um crime severo para nós.
— Eu sei, eu jamais faria uma coisa dessa, brincar com ser humano, com vidas dessa forma, é algo tão asqueroso, até porque eu fui obrigada a me casar, a ter a minha comandada, porque eu iria fazer isso com outras pessoas? Aceitar que fizesse?
— E seu sóocio?
— Carlos, é do bem – ela fala – me ajuda no tráfico de drogas, a conquistar clientes e é com isso que ele trabalha também, meu nome não pode aparecer mas sou que dou todo suporte, foi com a minha grana que tudo começou, minhas ideias e meus pensamentos.. Você sabe que precisa de drogas boas e de qualidade e principalmente baratas, as drogas feitas no Brasil não são da mesma qualidade que a nossa e nem o mesmo preço, são muito mais caras, por isso está desesperado em pegar clientes, você pega as minhas drogas, eu trago para você e você repassa como as suas.
— E eu vou provar como que essas drogas são minhas?
— Monta um laboratório falso Marcos – ela fala – você tem espaço e lugar para isso, de um tempo de um mês meio, dois e começa a distribuir, ninguém da facção vai desconfiar que está pegando de fora, os caminhões que chegarem são suporte de material, embalados e bem embalados.
— E o que eu faço com o negocio que eu fechei com a máfia do seu pai?
— Até eles começarem a te mandar vai demorar algumas semanas, Alexandre cuida dessa parte e ele não faz estoque, o erro dele, o erro que faz ele perder muitos clientes, ele te deu um praz, não deu?
— Deu – eu respondo
— Então – ela dar de ombros – essa idéia ele não quis pegar minha.
— Então você está me falando que não mexe com tráfico de pessoas?
— Eu não mexo e eu posso afirmar isso.
— Se caso eu descobrir que você mentiu, a sentença dentro do meu morro, é a morte.
— Você quer me ameaçar? - ela pergunta
— Eu quero que vocês eja sincer.a
— E eu estou sendo, você precisa de mim e eu de você, então vamos parar com essas brigas bobas e de crianças – ela fala se levantando da cadeira – eu estou no seu morro, vivendo como você quer que eu viva, agora cumpra sua palavra.
— Sim, senhora madame – eu a respondo e ela me encara.
Capitulo 31
Lorena narrando
Joana me leva até uma loja de roupa que tinha no morro, na verdade era várias uma do lado da outra.
— Joana – uma moça que deveria ter idade dela fala. – quem é?
— Essa é Lorena uma amiga da família.
— Oi – eu respondo
— Olá – ela fala – Meu nome é Rafaela.
— Prazer – eu falo olhando as roupas todas penduradas e cheias de poeiras. – é aqui que vou encontrar roupa?
— Aqui é uma loja de roupa, roupa tudo que é lado – ela fala sorrindo
— Mas, não é esse tipo de roupa que eu procuro.
— Como você procura?
— Algo mais chick?
— Eu tenho um perfeirto – ela fala mexendo nas araras – aqui, ultima moda em Paris, igualzinho a da Louis Vitton – eu começo a rir
— Isso é da moda de Paris? – eu olho para ela – não, isso não é da moda de Paris. Isso aqui sei lá, é algo que alguém patético inventou.
— Eu gosto – Joana fala – de vestidos assim, acho lindo. Pode não fazer o seu estilo – eu as encaro.
— Perdão – eu falo – não é isso que eu visto.
— Bom, talvez aqui não seja o lugar que você vai encontrar as roupas que você quer usar – Rafaela fala. – Até porque aqui são bem melhores que o estilo que você está vestindo no momento.
— Essas roupas não são minhas.
— Você deveria era procurar educação – Rafaela fala.
— Rafa, melhor não discutir – Joana fala
— Porque não? – Rafaela pergunta – porque ela veio sei lá de onde e se acha melhor que a gente.
— Eu não me acho melhor que ninguém, só que eu entendo de moda e as roupas que tem nessa loja, não são da moda e elas são todas ridículas.
— VocÊ deveria ter vergonha de vir na minha loja me ofender – ela fala – volta para sua moda sua velha.
— Velha? – eu olho para ela rindo – você me chamou de que?
— Velha – ela fala – você tem o que? 35,40 anos;
— Cala boca e você nunca mais me chame de velha, você não sabe com quem está falando.
— Ah tá bom tia.
— Vamos embora – Joana fala me pegando pelo braço.
— Você vai se arrepender de me chamar de velha.
— Está me ameaçando tia? Ameaçando adolescente? – ela fala rindo
— Velha é a sua mãe – eu olho para ela – fica você com essas roupas esquisitas e ridículas que você vende, sua cafona.
— Vai embora daqui oh tia – ela grita e Joana me leva para fora.
Eu saio furiosa de dentro da loja.
— Quem ela pensa que é para me chamar de velha e me chamar de tia, garota insuportável.
— Você ofendeu também as roupas – ela fala – e aqui todo mundo se veste assim.
— Eu preciso achar roupas do meu estilo, gucci, prada , zara , meu Deus - eu falo nervosa - deveria ter fugido com a minha mala – eu digo nervosa. – eu já sei.
— O que você vai fazer?
— Uma ligação. – eu pego meu celular e ligo para Marcela.
— Oi – ela fala – onde você está? Estgou preocupada com você, no Mexico seu rosto está em todos os lugares como desaparecida.
— Eles fizeram isso?
— Sequestro no Brasil – ela fala
— Meu Deus esses filhos da mãe – eu digo nervos
— Onde você tá ?
— Eu preciso de um favor, preciso que me compre roupas e mande entregar no morro da rocinha.
— Onde?
— Morro da rocinha – Joana me encara
— Sério isso?
— Eu preciso de roupas, por favor, você sabe o meu estilo compre todo o estoque das lojas preferidas e mande entregar ainda hoje.
— Vou fazer isso – ela fala
— Depois eu te ligo para a gente conversar melhor.
— As coisas estão fluindo bem, Carlos me passou tudo que eu preciso fazer, conseguimos leiloar 3 garotas por meio milhão de dólar cada uma – eu abro um sorriso.
— Perfeito, eu amo vocês dois.
— Eu vou mandar as roupas, fica de olho ai.
— Obrigada – eu falo desligando – eu consegui, vão entregar lá embaixo, você fica de olho para mim por favor?
— Sim, fico sim. Fica tranquila, meu irmão não vai pegar suas roupas – ela fala rindo.
Eu comemoro por dentro a venda das garotas, cada leilão os preços eram mais altos e isso significava que a gente estava levando garotas no gosto dos empresários e clientes que vão até lá.
Eu preciso cuidar muito em falar sobre esse assunto até mesmo no celular, já que Marcos me deu um ultimato e foi bem claro, eu só precisava da ajuda dele para acabar com meu pai e Alexandre, e seria depois de ajudar ele a montar o laboratório aqui, sair como quem produz e passar para os outros morros que eu iria sganhar a confiança dele para isso.
Capitulo 32
Lorena narrando
Após chegar as minhas roupas, sapatos, maquiagens, perfumes, tudo que eu precisava , eu tomo um banho e coloco as minhas roupas, coloco um macacão preto com decote nos p****s e um salto alto preto, arrumo o delineador e passo o batom vermelho, Marcos entra no quarto.
— O que é isso no meu quarto? – ele pergunta – que bagunça é essa?
— São as minhas coisas que eu pedi para uma pessoa de confiança mandar para cá.
— Você é louca? E se eles descobrirem?
— São tudo novo – eu falo
— E onde você vai?
— Ué, jantar.
— Onde?
— Lá embaixo.
— Desse jeito? – ele pergunta me encarando
— Sim, é minha roupa – ele passa a mão pela cabeça.
— Esse é meu quarto.
— Eu estou aqui, você vai dormir onde?
— Aqui – ele fala
— Comigo?
— É claro, esse é meu quarto e não seu.
— Eu preciso de um lugar para guardar as minhas roupas, onde é o closet aqui?
— Não tem closet, só guarda roupa e não tem lugar para suas coisas – ele fala apontando o guarda roupa – no mínimo de uma casa para você guardar todas essas coisas.
— Não posso deixar minhas roupas caras, assim – eu olho para ele.
— Eu não tenho quarto de hospedes, você vai dormir aqui ou no sofá.
— Você dorme no sofá, obvio – eu falo e ele começa a rir.
— Não – ele fala – eu vou tomar um banho , tentar me mexer no meu quarto com tudo isso de sacola.
Ele sai e eu desço para jantar, é quando vejo o irmão mais novo de Marcos.
— VocÊ vai onde? – Joana pergunta
— Porque todo mundo tá perguntando onde eu vou?
— É que você está arrumada – Th fala – achei que você não iria sair do morro.
— Mas eu não vou – eu falo – eu vim jantar.
— Assim? – Joana pergunta
— É a minha roupa – eu falo
— De usar em casa?
— Sim – eu respondo
Eles se encaram e começam a rir e eu fico sem entender.
— Por favor Th e Joana – Patricia fala – ela é acostumada assim, do mesmo jeito que ela é super estranha para vocês, vocês também são para ela.
— Obrigada.
— Você está linda Lorena.
— A senhora também – eu respondo.
Marcos desce e me encara e não diz nada, eu fico ali parada observando eles, depois todo mundo se reúne para jantar e tudo era bem diferente da minha realidade, estava me sentindo muito perdida nesse lugar.
O tempo todo eu respirava fundo e pensava em meu objetivo, que era matar Alexandre e o meu pai, a tia dele coloca a comida na mesa junto de Joana.
— Eu fiz bastante salada e frango grelhado na manteiga que eu comprei, acredito que você deve comer.
— Obrigada, eu como sim.
— Fazendo comida separada , porque? – Marcos pergunta.
— Não é separada, só estou fazendo um agrado. – a tia dele fala
— Ela vai comer o que tem na mesa, o que comemos..
— Para de ser desagradável – Joana fala para ele.
— Tudo bem, eu como o que vocês vão comer – eu falo – se é isso que ele quer.
— Fica tranquila – Patricia fala.
A gente come e quando a gente termina.
— Aqui cada um lava a louça uma noite, hoje é você.
— Lavar louça? – eu pergunto para Marcos.
— Sim, a louça é sua.
— E como lava uma louça?
— Você não sabe lavar uma louça c*****o? – Th pergunta – é sério isso, você faz o que? Nada?
— Na minha casa existe uma coisa que abre, enfia dentro e lava – eu falo
— Uma lavadora? – Joana pergunta – e você sabe mexere nela?
— Não, quem fazia isso era os empregados.
— E se não tivesse empregado?
— Ah, sempre tem empregado , 24h – eu respondo.
— Ensina ela a lavar louça Joana – Marcos fala.
— Marcos – a tia dele fala.
— Ensina – ele fala – ela vai ficar aqui, ela tem que aprender a se virar.
— Porque está fazendo isso? – eu pergunto para ele – você não para de pegar no meu pé.
— Você é m*l educada com os moradores do meu morro e vai aprender na marra a ter respeito por todos. – ele fala se levantando e saindo.
— Outro dia você lava – Joana fala – eu lavo hoje.
Eu me levanto e vou atrás dele e ele tinha saído de dentro da casa e começou a descer o morro.
— Marcos, espera – eu falo – me espera – eu tento andar naquelas ruas desniveladas, nem dava para chamar de rua – Marcos! – eu grito e ele para se virando e tood mundo olhando, meu salto pega em um buraco e eu caio por cima dele, rolando por tudo – meu pé , meu pé – eu digo nervosa e chorando – tá doendo muito.
— Anda levanta.
— Eu não consigo levantar seu ogro.
— Levanta – ele fala nervoso.
— Eu já disse que eu machuquei meu pé – eu olho para ele – você é cego? – ele respira fundo e me pega no colo – me larga, você tá louco.
— Cala boca garota.