Ligados pela dor

843 Palavras
"Eu não te conhecia, não sabia como você era, mas nossa dor era a mesma e nesse momento senti necessidade de cuidar de você". Henrique Cavalgamos durante muito tempo até o castelo do norte, Ébano é praticamente minha, mas para isso preciso submeter a família real a mim. Assim que avistamos o castelo já é noite, montamos acampamento a uma certa distância, antes de atacar eu quero saber como essa família é, quero entender tudo sobre eles. Por isso meus homens me colocam no castelo, eles falam que há diversas passagens secretas e ninguém vai me ver. - Eu vou sozinho Jason. - Mas pode ser perigoso, Vossa Majestade. - Fique tranquilo, meu rapaz. Sei me cuidar. Saio da minha tenda e caminho pelo matagal meio abaixado. Quando estou bem próximo Benji faz o som de um pássaro típico de Alvani, assim como o combinado. - Meu rei - ele faz uma reverência rápida e me leva até a entrada dos criados -, existem muitas paredes falsas nesse castelo, muitos túneis. Ele foi feito especialmente para momentos como esse. As paredes falsas têm uma textura diferente e quando tocadas dá para sentir uma corrente de ar, bem leve, mas dá para sentir. - Entendi. - O primeiro túnel é esse - ele me mostra uma entrada escondida no chão. - Obrigado - Te espero aqui senhor - ele me entrega um mapa e uma lamparina. Assinto com a cabeça, entro no túnel e um cheiro h******l invade meu nariz, como se houvesse algo morto. Olho para o mapa e vejo que os quartos da família ficam após subir uma escada. Quando chego na parte indicada há muitos ratos e baratas. Passo perto de uma das paredes e escuto uma gritaria, coloco a mão sobre ela e a mesma é fina e sinto um ar gelado, começo a tatear a parede até que acho uma parte solta e a retiro. Consigo ver a tal Catarina e uma mulher mais velha brigando com ela. - E quanto a você Catarina, é melhor começar a pensar antes de agir. Pare de ser essa inconsequente, poderia ter colocado a vida de alguém em risco. Graças a Deus, Joaquina será a rainha e não você. Após a mulher sair a garota ficou chorando, nos braços de sua criada, enquanto se culpava, enquanto perguntava o porquê de sua mãe não a amar. Seu choro é tão torturante. Meu corpo fica rígido durante tais palavras e lembranças que luto para esquecer invadem a minha mente. "Inútil! É isso que você é, Henrique. Por mim você nunca seria rei." Travo meu maxilar, minha vontade é de gritar com aquela mulher. Mesmo sem conhecer aquela garota direito, compartilho os sentimentos de rejeição. Saio de lá o mais rápido possível, já vi o bastante sobre essa família. Assim como prometido, Benji me espera do lado de fora. - Majestade? Tudo bem? - Sim, estou voltando para o acampamento. Obrigado pela ajuda. Minha cabeça está a mil, caminho sem me importar com nada e quando percebo já estou entrando na minha tenda. - Henrique – Vicent, um dos meus melhores amigos, vem em minha direção e me abraça. - Finalmente, estava começando a sentir sua falta - brinco. - Por onde andou? - Quis dizer por onde não andei né? - Quero saber de tudo. Mas você está bem? Está meio pálido - Estou - digo meio incerto. - Fico feliz, esse rapaz Jason me recepcionou muito bem. - É um dos meus melhores aprendiz - digo, o rapaz sorri satisfeito. Travis vem em minha direção e oferece um cálice de vinho. - Obrigado - começo a levar aos lábios, mas Jason me interrompe. - Senhor, não pode beber direto, alguém pode querer o envenenar. - Ninguém seria louco a este ponto. - Me permita - Jason pega o cálice e leva aos lábios e em pouco tempo uma espuma branca começa a sair da sua boca. Rapidamente retiro a espada da bainha, enquanto Vicent tenta salvar o jovem Jason. Vou atrás de Travis. Ele está parado em frente a tenda, seguro seu braço e o viro em minha direção, enquanto seu corpo treme. - Quem mandou você fazer isso? - Por favor. - QUEM? - grito e meus homens se voltam para nós. - Cristóvão Jakobson. Sinto meu rosto esquentar e finco minha espada em seu peito. - Qualquer acordo que tínhamos com esse homem acaba aqui, eu vou acabar com a raça dele, custe o que custar - digo com ódio e baixo para mim mesmo, se ele quer jogar comigo eu vou jogar com ele, que vença o melhor. E de repete a imagem de Catarina vem à minha cabeça, seu choro agudo. E então eu soube que, custe o que custar, preciso fazer algo para ajuda-lá. Eu não sou santo e muito menos uma das melhores pessoas, mas se eu posso fazer algo para ajudar aquela mulher eu farei, principalmente por entender seus sentimentos. Parece que os planos mudaram e Ébano acabou se tornando mais interessante do que eu imaginava.
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