A filha caçula

771 Palavras
"Um dia espero que teus olhos me olhem com o mesmo amor que os meus, a única coisa que peço a você é esse amor, meu maior desejo é esse". Catarina Eu e Alfred corremos mata a dentro, meu coração bate tão rápido que parece que vai sair pela boca. Meu corpo está todo suado e o vestido gruda no mesmo, meu couro cabeludo arde e as lágrimas estão quase escapando. Pelo o que soube, tudo foi destruído e muitas pessoas foram mortas. - Fica calma, - Alfred toca meu braço - os cavalos já estão perto. - Não sei se consigo continuar – sussurro. - Sei que andamos muito e está cansada, mas por favor, minha querida, aguente só mais um pouco. Respiro fundo e me viro na intenção de esconder as lágrimas que escapam, mas um clarão chama minha atenção. Um pouco longe dali, uma chama cresce entre a floresta. - Meu Deus - o choro preso escapa. - Ele está pondo fogo em quase tudo. - Calma, precisamos continuar - ele toca meu braço novamente. - Tira a mão de mim – grito. - Quem é esse homem? Qual o motivo dele estar fazendo isso? - Seu nome é Henrique, ele é o rei de Alvani, e pelo o que eu soube está tentando expandir seu território. - Henrique - sussurro baixo, seus olhos vêm em minha mente, sinto um misto de sentimentos tomar conta de mim. - Se ele quer expandir seu território, por qual razão está colocando fogo em quase tudo? - Ele quer nos amedrontar, assim vai facilitar para ele. Agora precisamos continuar, ele pode estar por perto. Andamos mais um pouco e logo há dois cavalos amarrados num tronco, Alfred me ajuda a subir e começamos a cavalgar rumo ao castelo do norte. A todo momento busco em minha memória qualquer coisa que eu saiba sobre esse tal Henrique. As lembranças começam a aparecer e meu coração se aperta ao máximo. Henrique II, de Alvani, é contra os senhores feudais e faz de tudo para unificar seu reino. Seu pai conseguiu unificar uma parte e seu filho busca unificar o resto. Ele é frio, arrogante, e mata quem entrar em seu caminho - essas foram as palavras exatas que os conselheiros de papai usaram. Aqui em Ébano há um equilíbrio entre os senhores feudais e o rei. Meu pai é leal a eles, sei que ele é incapaz de trair os mesmos. Já escurece quando finalmente chegamos no castelo. Alfred me ajuda a descer e segura minha mão. Está tudo muito agitado, os soldados se movimentam de um lado para outro, assim que abro a porta do castelo, sou recebida com um t**a tão forte que meu rosto chega a virar. - Burra, é isso que você é - minha mãe me olha furiosa e suas mãos tremem. - Mamãe - Fica quieta, você colocou todos nós em perigo. Seu pai quase voltou para ir atrás de você. - Me desculpe. - Saia da minha frente - seus olhos estão num verde bem escuro e seu maxilar treme enquanto ela fala. Abaixo a cabeça e saio de lá, sinto olhares sobre mim, mas ninguém diz nada. Vou direto para o meu quarto e deixo as lágrimas rolarem. - Catarina - Ana adentra o quarto com um semblante preocupado -, minha menina, você está bem? - Estou. - Nunca vi sua mãe tão furiosa. - Ela descontou tudo em você? – pergunto. - Isso não importa. - Ana... - Shiu - ela me aperta mais no seu abraço, não sei quanto tempo ficamos ali, as duas chorando baixinho, até que a porta é aberta e minha mãe entra por ela com a mesma expressão de mais cedo. - Catarina - ela vem até mim e me puxa dos braços de Ana. - Eu terei que repetir que você é só uma criada Ana? Não passa disso, coloque-se no seu lugar. - Sinto muito senhora - Ana diz com a cabeça baixa. - E quanto a você Catarina, é melhor começar a pensar antes de agir. Pare de ser essa inconsequente, poderia ter colocado a vida de alguém em risco. Graças a Deus, Joaquina será a rainha e não você - ela praticamente cospe as palavras em meu rosto, vira as costas e sai. Essas palavras foram pior do que qualquer dor física que alguém pudesse me causar, sinto minhas pernas fracas e caio no chão. Uma sensação estranha invade meu corpo e é como se eu estivesse sendo observada. Sinto os braços de Ana passando por meu corpo, mas a sensação continua presente em mim.
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