- Não diga isso Mi – ele falou ficando com pena.
Eu não suporto que me vejam com pena.
- Está tudo bem Adam – falei com a voz tranquila – eu não quero que sinta pena de mim, só queria que me entendesse.
- Eu não sinto pena – agora é minha vez de encara-lo. – eu sei que não deve ter sido fácil, mas nunca, nunca senta pena de si.
- Eu não tenho pena de mim.
- Não tem? Tem certeza?
Eu estava ficando nervosa. Como ele chegou a essa conclusão tão s*******o.
- Claro que tenho. – Falei um pouco exaltada.
- Eu não quero que fique brava comigo, eu só digo que agora você está aqui e não importa que sua mãe ou seu irmão tenham feito. Olha, você é uma garota forte. Você aguenta qualquer coisa.
- Você não me conhece – falei rispidamente.
- Não preciso, você foi a única que conseguiu me aguentar até agora.
- Você acha que eu te aguento – começo a rir – eu estou querendo te encher de socos.
Ele riu.
- E por que não tenta?
E se eu batesse? As probabilidades de darem errado são bem grandes, mas e se isso machucar ele um pouquinho?
Eu dei um soco leve nele.
- Pronto. – falei cruzando os braços e olhando para a frente.
Ele deu um riso leve.
- Você tem um soco forte, comeu espinafre né? Ai acho que meu braço vai cair, Milenaaaaa me ajuda! A sua hiper força me acidentou – ele não parava de falar para que eu olhasse para ele de novo – AAAAAAAAAAAAA TA DOENDOOOOO – ele gritou.
Tampei a sua boca com a minha mão.
- Garoto você é louco – falei rindo.
Ele riu também, tirei minha mão da boca dele e consegui ver seu sorriso.
- Obrigada – falei.
- Pelo que?
- Por ser a minha luz.
Ele sorriu e ficamos nos olhando.
A diretora finalmente foi ao nosso encontro, ela era minha amiga é como uma segunda mãe para mim. Por isso sempre fui sua espiã, que digamos assim.
- Milena, você por aqui? O que precisa? – Perguntou me abraçando – vamos entrar na minha sala.
- Desculpe diretora, é que a gente chegou tarde para aula. – Falei abaixando a minha cabeça.
- Calma minha querida, não é nada demais. Não sei porque o professor mandou vocês para cá por algo tão leve.
- Aí eu posso explicar – Adam falou – digamos que eu lutei pelos meus direitos.
Ela logo ergueu a sobrancelhas.
- O que você fez, Adam?
Parece que assim como eu, ele também tinha uma relação com ela, mas acho que a dele não era positiva como a minha, infelizmente.
- Ah Dire, ele foi muito sarcástico com a gente, e isso não é o posicionamento correto de professor, então eu fui um pouco também, e bem-vindo ao absolutismo. Estamos aqui.
A diretora riu.
- Pelo menos prestou atenção na aula de história.
Ele deu um sorriso.
- Estamos liberados, então? – Ele falou coçando a cabeça.
- A Milena sim, eu e você temos que conversar. – ela olhou para mim – por favor aguarde lá fora.
Assenti.
Eu nunca tinha reparado como as paredes da sala dela eram finas. Eu conseguia ouvir tudo o que eles diziam.
- m*l chegou e já está aprontado.
- Poxa dire, pensei que você tinha ficado feliz em voltar aos bons e velhos tempos.
- Preferia te ver aqui por outro motivo, algo positivo.
- Eu estou tentando mudar, prometo que vai demorar em me ver aqui de novo.
- Você me disse isso hoje de manhã.
- Mas agora de verdade eu vou tentar.
- Tudo bem, espero que sim. Quero que o fato de ter repetido de ano te ajude a ver como as coisas são de verdade, você precisa se dedicar para sair do lugar.
- Eu não quero viver a vida como qualquer um.
- Adam, você tem 16 anos, a vida m*l começou, e quando ela começar você vai sentir o peso disso.
- Eu sei, eu sei, sou apenas uma criança, mas qual é a melhor época para isso. Vocês vivem falando “essa é a melhor idade de nossa vida, aproveite”. Então por que não deixam a gente aproveitar? A Milena, quer apostar quanto que nunca fez nenhuma loucura, que nunca aproveitou a sensação de adrenalina de fazer algo errado? Dire, a vida é uma só e entendo que tudo tem um limite, não posso viver a vida toda na adrenalina, mas o que há de errado em curtir um pouco?
O que ele acha que eu sou? Claro que já me diverti, só não vejo a necessidade de fazer as coisas de forma errada.
- Olha Adam, eu nunca achei que diria isso, mas tem razão. A questão é que eu sou sua diretora e não posso permitir que você fique fazendo essas coisas, é importante saber seguir as regras, porque como você mesmo disse tudo tem um limite. Digamos que seja uma questão de horários, enquanto está no horário de aula deve seguir as regras, depois dele, a vida é sua.
- Acho que concordamos então, Dire.
- Por incrível que pareça eu gostei dessa conversa, você é um garoto inteligente, deveria estudar mais.
Ele riu.
- Depois do horário de aula, bem eu não quero saber da aula.
Ela riu.
- Já pode ir, Adam.
- Obrigado.
Logo a porta se abriu e ele apareceu na minha frente, junto com a Diretora.
- Já podem ir para a sala e não se envolvam em mais confusões.
- Pode deixar – falei.
Ela entrou de novo na sala e senti alguém puxar meus ombros.
- Aii – falei.
- Tem certeza que não quer se meter em outra encrenca? – Adam falou com a sobrancelha erguida.
O que ele quer dizer com isso?
- Eu tenho uma ideia fantástica.
- Pare. De jeito nenhum. A gente tem aula, você deveria estar preocupado com as suas notas.
- Anjo é o primeiro dia, não passam nada importante.
- Mesmo assim, Adam eu acabei de te dizer que ralei muito para entrar nesse colég... – Ele começou a se aproximar de mim – Adam, o que você está fazendo?
Ele ficou quieto e continuou se aproximando.
- Adam?
Continuou se aproximando...
Ele estava muito perto quando comecei a fugir dele.
Correção: tentar fugir dele.
Ele me levantou e me apoiou em seu ombro e começou a andar me carregando nessa posição super desconfortável.
- ADAM, VOCÊ É LOUCO, ME COLOCA NO CHÃO.
- Me deixe te mostrar o meu mundo. Então cala a boca e curte o passeio.