Ecos da Guerra, Vozes Caladas

1097 Palavras

A Maré amanhecia com um silêncio estranho, como se a comunidade inteira segurasse a respiração. O cheiro da pólvora ainda estava impregnado no ar. Alguns barracos haviam sido revirados, portas escancaradas, móveis quebrados. As marcas da operação da noite anterior ainda sangravam pelas vielas. Pedro, o PH, estava sentado na laje da casa de dona Zuleide, a mais velha da comunidade. Dali dava pra ver parte da favela, com seus fios entrelaçados como veias, as roupas estendidas nos varais, o corre diário das mulheres que desciam pra trabalhar. Mas naquele dia, algo estava diferente. Carlinhos apareceu ofegante. — Mano... tem mais viatura descendo a rua de trás. Uns carros descaracterizados. Eu vi dois caras armados, mas sem farda. Acho que tão vindo pra levantar quem vazou a informação pro

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