O sol ainda nem havia nascido quando Mariana acordou com um sobressalto. O colchão improvisado no chão do pequeno quarto de Tomás rangia a cada movimento seu. O barulho de helicópteros no céu anunciava que a paz na Maré era uma ilusão frágil e passageira. Desde sua soltura, Mariana vivia escondida, à sombra de paredes desconhecidas, sentindo que o mundo que conhecia estava ruindo. Ela ainda vestia o moletom largo emprestado e os cabelos, presos em um coque bagunçado, denunciavam noites maldormidas. A médica, que antes andava de jaleco branco e sorriso no rosto pelos corredores do hospital, agora carregava nos olhos a dor de quem viu sua missão ser transformada em crime. No celular, uma mensagem de Pedro piscava. “Tá viva? Fica longe da TV. Tá feio aqui. Me avisa se precisar de mim.” El

