Chumbo, Sangue e Silêncios

1042 Palavras

O céu da Maré estava cinzento, carregado como se anunciasse um luto coletivo. O relógio ainda marcava 4h57 da manhã quando os primeiros passos de botas pesadas ecoaram pelas vielas molhadas da favela. Helicópteros sobrevoavam baixo, jogando seus fachos de luz em cima das casas simples como se buscassem monstros escondidos. Mas os monstros não moravam ali. Moravam nos gabinetes. O ar parecia mais denso, carregado não apenas pela umidade que precedia a chuva, mas por um silêncio estranho. Era como se a favela inteira prendesse a respiração antes do próximo tiro. O burburinho que normalmente acordava os becos — com crianças correndo, rádios tocando e vizinhos conversando — havia sido engolido por uma tensão invisível. Algo estava prestes a acontecer. Pedro estava na laje, observando o movi

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