Pré-visualização gratuita 1- Primeiro Olhar
Rebeca Narrando
Meu coração batia mais rápido a cada andar que o elevador subia. Era como se meu corpo já soubesse que algo prestes a acontecer mudaria tudo. Era o meu primeiro dia na Duarte Holdings. Depois de tanto esforço, tantas entrevistas, tantas noites estudando... finalmente, eu estava ali. Aos 22 anos, ainda sem grandes experiências profissionais, ser escolhida como secretária pessoal do CEO era mais do que um sonho, era quase irreal.
A porta do elevador se abriu no último andar. O corredor era silencioso, luxuoso, impecável. Eu me sentia deslocada naquele ambiente tão frio e elegante. Ajustei a saia, respirei fundo e caminhei até a recepção particular do CEO.
— Rebeca Andrade? — perguntou a assistente de RH. — O senhor Duarte está te esperando.
— Ele já está me esperando? — Pensei, com um frio na barriga.
Ela abriu a porta do escritório, e foi quando eu o vi pela primeira vez. Leonardo Duarte estava de costas, olhando a cidade pela enorme parede de vidro. O terno sob medida moldava seu corpo alto e forte de forma quase indecente. Ele se virou lentamente, e por um instante, eu esqueci como se respirava.
Olhos escuros, intensos, como se enxergassem além da minha pele. Lábios firmes, mandíbula marcada... e aquele olhar. Um olhar que me despiu antes mesmo de eu falar qualquer palavra.
— Senhorita Andrade — ele disse, sua voz baixa e profunda percorrendo minha pele como um toque. — Sente-se.
Sentei. Ou melhor, tentei sentar sem parecer nervosa, mas minhas pernas pareciam feitas de gelatina.
— Leu os termos de confidencialidade? — ele perguntou, caminhando lentamente em minha direção.
Assenti, engolindo em seco.
— Ótimo. Porque, daqui em diante, tudo o que acontecer neste escritório... fica neste escritório.
Ele estava parado à minha frente agora. Alto. Perigoso. Irresistível. Seu perfume amadeirado era tão envolvente que eu queria me perder nele.
— Seu trabalho exige lealdade. Discrição. E... entrega total. — Seus olhos desceram para minha boca. — Você consegue me dar isso, Rebeca?
Senti o calor subir pelas minhas bochechas. Minha pele formigava. Algo dentro de mim despertava — uma parte que eu nem sabia que existia.
— Sim, senhor.
Ele sorriu de canto. Um sorriso que parecia dizer: vamos ver até onde você aguenta. Naquele momento, eu soube: minha vida nunca mais seria a mesma.
A verdade é que eu nem dormi essa noite. Passei horas imaginando como seria esse momento, o que vestir, o que dizer, como agir. Mas agora, aqui dentro, sob o olhar do homem mais intimidador que já vi na vida, percebo que nada me preparou de verdade.
Respirei fundo, tentando me acalmar. Eu precisava parecer profissional. Capaz. E madura o suficiente para lidar com tudo isso.
Meu nome é Rebeca Andrade. Tenho 22 anos, me formei recentemente em administração e, até semana passada, trabalhava como recepcionista em uma clínica odontológica. Sempre fui reservada, discreta, e por mais que muitos me chamem de ingênua… eu prefiro pensar que sou seletiva. Nunca me envolvi com ninguém de verdade. Nunca encontrei alguém que me fizesse querer me entregar. Meu coração, e tudo mais, sempre esteve bem guardado.
Olhei meu reflexo discreto na parede de vidro atrás de Leonardo, como se quisesse conferir se ainda parecia minimamente no controle. Meus cabelos castanhos estavam presos num coque firme, os fios lisos e brilhantes do jeito que minha mãe sempre elogiava. A maquiagem era leve, só o suficiente para destacar meus olhos claros e esconder o nervosismo que insistia em morar sob meus cílios.
Minha roupa estava perfeitamente alinhada: saia lápis preta na altura dos joelhos, camisa branca com um botão a mais fechado do que o necessário, e saltos médios. Eu queria ser levada a sério, não notada pelos motivos errados. Mas, mesmo assim, me sentia exposta diante dele. Leonardo me observava com uma intensidade que parecia despir mais do que minha aparência. Era como se ele soubesse de cada detalhe do que eu estava sentindo. E isso me deixava... estranhamente alerta.
— Diga-me, Rebeca… por que você acha que foi escolhida? — ele perguntou, sentando-se à sua mesa.
— Eu... estudei bastante sobre a empresa. Me preparei para esse cargo. Sei que exige dedicação e discrição. — Respirei fundo. — E estou pronta para mostrar que posso ser confiável.
Ele cruzou os braços, encostando-se na cadeira de couro. Seus olhos escuros não desviaram dos meus por um segundo sequer.
— Confiança se conquista. Mas há algo em você... — Ele sorriu de lado. — Que me intriga.
A maneira como ele falava. Como me olhava. Era tudo tão intenso que minhas mãos suavam mesmo debaixo da mesa. Aquela mistura de medo e desejo era nova para mim. E talvez perigosa.
— A partir de hoje, você estará ao meu lado o tempo todo. Isso inclui viagens, reuniões confidenciais e decisões importantes. Quero que aprenda rápido, ou será dispensada — ele disse, firme. — Mas se conseguir me acompanhar… você terá mais do que qualquer jovem da sua idade poderia imaginar.
Tive vontade de perguntar o que, exatamente, ele queria dizer com aquilo. Mas fiquei calada. Eu não queria parecer ingênua. Ainda que fosse.
Ele se levantou, caminhando até minha cadeira. Parou atrás de mim. Meu corpo ficou tenso. Eu podia sentir sua respiração próxima, mesmo sem tocá-lo. Um calor percorreu minha espinha.
— Bem-vinda ao jogo, senhorita Andrade.
E naquele instante, eu soube: não era só um emprego. Era o início de algo que eu nem imaginava ser capaz de enfrentar.
Ou talvez... de algo que, no fundo, eu sempre desejei viver.
Eu saí do escritório dele com as pernas trêmulas, tentando manter a compostura diante da assistente que esperava do lado de fora. Ela sorriu, mas foi um sorriso seco, quase protocolar. Algo me dizia que aquele andar era um campo minado — e que ninguém ali sorria por gentileza.
— Sua mesa é ali. — Ela apontou para um espaço discreto, próximo à porta do CEO. — Você será responsável por organizar a agenda dele, filtrar chamadas, acompanhar reuniões e... atender aos pedidos dele com máxima eficiência.
— Atender aos pedidos dele.
A frase ecoou na minha cabeça com um duplo sentido que eu preferia ignorar.
Sentei na minha mesa, ainda processando tudo. O ambiente era moderno, luxuoso, silencioso demais. Cada detalhe parecia calculado. Nada fora do lugar. E todos, todos mesmo, pareciam se mover como peças perfeitamente treinadas num tabuleiro de xadrez.
Na minha frente, um computador de última geração já estava ligado. Meu e-mail corporativo aberto. Havia uma lista de tarefas para o dia e a maioria delas envolvia Leonardo.
— Reunião com investidores às 11h. Agendar almoço com o diretor financeiro. Responder e-mails urgentes. Levar contrato para assinatura no escritório dele.
Suspirei e comecei a trabalhar. Queria provar que eu merecia estar ali. Que eu era mais do que um rosto bonito ou uma garota inexperiente. Só que a cada vez que a porta do escritório se abria e ele aparecia... meu corpo traía minha mente. Ele não era só bonito. Era provocante. Perigoso. Seu olhar dizia tudo o que sua boca não precisava dizer. E por mais que eu quisesse evitar, algo dentro de mim ansiava por ver aquele olhar outra vez.
Às 14h, bati à porta dele para entregar o contrato.
— Pode entrar — ele disse, sem desviar os olhos do notebook.
Entrei. Fechei a porta. E naquele instante, senti o ar pesar. Era como se estivéssemos presos em uma bolha de tensão.
— Aqui está o contrato, senhor. — Coloquei o papel sobre a mesa e me virei para sair.
— Rebeca.
Meu nome em sua voz soava diferente. Mais profundo. Mais íntimo.
— Sim?
Ele se levantou. Contornou a mesa devagar, até ficar a poucos passos de mim.
— Sempre foi tão... obediente assim?
Meu coração disparou. Meu corpo inteiro ficou em alerta. Engoli em seco.
— Eu só quero fazer meu trabalho da melhor forma possível, senhor.
Ele inclinou a cabeça, sorrindo com aquele canto de boca que parecia carregar segredos.
— Veremos até onde vai essa dedicação.
Fiquei paralisada. Sem saber o que responder. O calor subia pelo meu pescoço, minha respiração começava a falhar. Mas ele apenas pegou o contrato da mesa, sem me tocar, e voltou para a cadeira.
— Pode ir.
E eu fui. Mas levei comigo algo que não conseguia explicar. Desejo? Medo? Curiosidade? Talvez tudo isso junto. Talvez o início de um perigo irresistível.