A mansão estava silenciosa após mais uma noite de festa. Os corredores ainda cheiravam a perfume e champanhe. Gabriella, incapaz de dormir, vagueava pelos quartos fechados, como quem busca respostas em cada parede.
Ao passar diante do antigo escritório do pai, notou a porta entreaberta. Um impulso inexplicável a fez entrar. O ambiente estava coberto de poeira, gavetas trancadas e livros que ninguém tocava há anos.
Entre as estantes, um baú chamou sua atenção. Forçou a fechadura até que cedeu. Dentro, encontrou envelopes amarelados, documentos e, no fundo, um retrato antigo: uma jovem sorridente, de olhos azuis idênticos aos seus, segurando um bebé.
O coração de Gabriella disparou. A mulher da foto não era Eloísa. Mas os olhos... eram os mesmos que a desconhecida da costura tinha.
— Meu Deus... — murmurou, as mãos trémulas. — Então é verdade...
Leu o verso da fotografia: “Rosa Helena e minha pequena Gabriella, 2002”.
A respiração falhou. Sentiu o mundo desabar sob os pés.
🌹 O Confronto
Na manhã seguinte, Gabriella entrou na sala onde Eloísa tomava café, Camilla ao lado. O olhar da jovem ardia em fúria.
— Quero respostas agora, mãe.
Eloísa ergueu as sobrancelhas, surpresa com a ousadia.
— Que significa esse tom?
Gabriella atirou a fotografia sobre a mesa.
— Quem é essa mulher? E por que me chamam Gabriella?
Camilla arregalou os olhos, inclinando-se sobre a foto.
— Parece... aquela costureira!
O rosto de Eloísa endureceu.
— Onde encontraste isso?
— Não interessa! — gritou Gabriella. — O que me interessa é saber por que passaste a vida a mentir!
Eloísa respirou fundo, mantendo a frieza habitual.
— Tens imaginação fértil, minha filha. Isso não passa de uma coincidência.
— Coincidência? — Gabriella riu amargamente. — Ela tem os meus olhos, o meu rosto! E sinto dentro de mim que essa mulher me pertence.
Camilla tentava intervir, mas Gabriella não a deixou.
— Sempre te perguntei por que nunca me amavas como amas a ela. Sempre me tratei como intrusa. Agora sei o porquê.
Eloísa levantou-se, aproximando-se com calma ameaçadora.
— Escuta-me bem, Gabriella: és uma Portilha. Nada mudará isso. Se continuas a alimentar essas fantasias, destruirás a ti mesma.
Gabriella não recuou.
— Prefiro a verdade dura do que viver a tua mentira.
🌹 Rosa e a Esperança
Enquanto isso, na pequena loja, Rosa acariciava o mesmo retrato que guardava em segredo. Não sabia que a filha já tinha descoberto a cópia guardada na mansão.
— Minha menina... talvez já sintas que a verdade está perto — sussurrou, lágrimas escorrendo.
🌹
Naquela noite, Gabriella chorou sozinha, abraçada à fotografia. Escreveu no diário:
“Agora sei que minha vida é uma farsa. Mas não sei ainda toda a verdade. Vou arrancá-la, nem que precise enfrentar todos.”
Eloísa, em seu quarto, olhava pela janela, sentindo o controle escapar-lhe por entre os dedos. Pela primeira vez, temeu que a máscara perfeita da família Portilha estivesse prestes a ruir.
✨ Neste capítulo temos:
Gabriella encontra a prova física (foto antiga) ligando-a a Rosa Helena.
Primeiro confronto direto entre Gabriella e Eloísa, sem subterfúgios.
Camilla começa a perceber que algo muito maior está em jogo.
Rosa, do outro lado, pressente que a verdade está prestes a emergir.
📖 Capítulo 15 – A Verdade que Liberta
A manhã estava cinzenta, e a cidade parecia suspensa num silêncio estranho. Gabriella saíra cedo da mansão, escondendo a fotografia no bolso do casaco. Não podia mais viver de perguntas. Precisava de respostas, custasse o que custasse.
O coração martelava no peito enquanto se aproximava da pequena loja de costura. Ao empurrar a porta, o sininho tilintou suavemente. Rosa levantou os olhos da máquina, e o mundo parou.
Gabriella respirou fundo, a voz embargada:
— Preciso falar consigo. E não quero mais meias-palavras.
Rosa sentiu o chão desaparecer sob os pés.
— Gabi...
— Não me chame assim! — interrompeu, trémula. — Quero a verdade. — Puxou a fotografia e a colocou sobre o balcão. — Quem é esta mulher? E quem sou eu, afinal?
Rosa levou as mãos à boca. As lágrimas brotaram antes mesmo que conseguisse responder. Tocou a foto com delicadeza.
— És tu... És a minha filha.
O silêncio caiu pesado. Gabriella recuou um passo, como se a frase tivesse o peso de um raio.
— O quê...?
Rosa avançou, suplicante.
— Gabriella, eu sou tua mãe. Foste arrancada de mim há vinte anos. Nunca deixei de te procurar, nunca deixei de te amar.
Gabriella sentiu-se tonta. As paredes giravam.
— Não... não pode ser. Sempre me disseram que Eloísa...
— Eloísa criou-te, sim — murmurou Rosa, a voz carregada de dor. — Mas foste gerada em mim. Teu primeiro choro ecoou nos meus braços. Depois, por chantagem, manipulação e poder, tiraram-te de mim.
As lágrimas desciam pelo rosto de Gabriella, misturadas ao choque.
— Então... toda a minha vida foi uma mentira.
Rosa estendeu as mãos, hesitante.
— Não, filha. Teu coração sempre soube. Esse vazio, essa frieza que sentias... era porque não estavas no lugar que te pertencia.
Gabriella caiu numa cadeira, as pernas fracas.
— E por que nunca me disseste antes?
— Porque me ameaçaram. Porque tinha medo de destruir a tua vida, de te expor ao escândalo. Mas agora... agora já não posso mais calar.
🌹 O Abraço Perdido
Com lágrimas correndo, Rosa ajoelhou-se diante da filha.
— Perdoa-me por não ter estado contigo em cada aniversário, em cada dor, em cada vitória. Perdoa-me por ter deixado que outra ocupasse o meu lugar.
Gabriella olhava-a, o peito em chamas. Por um momento, resistiu. Mas então algo mais forte falou: a necessidade de amor, a sede de verdade.
Deixou-se levar, abraçando Rosa com força.
— Eu não sei como viver com isso... mas sinto que finalmente encontrei o que me faltava.
As duas choraram juntas, o tempo apagado, como se vinte anos de separação se dissolvessem naquele instante.
🌹 As Sombras da Verdade
Mas a felicidade tinha um preço. Pela vitrine da loja, uma figura observava: uma criada da mansão, enviada por Eloísa para vigiar. O recado chegaria em breve.
Eloísa, ao receber a notícia, apertaria os dentes com ódio.
— Maldita Rosa... ousaste quebrar o pacto. Agora vais pagar.
🌹
Naquela noite, Gabriella voltou para a mansão diferente. Caminhou até o quarto, segurando ainda o perfume do abraço da mãe verdadeira. No diário, escreveu:
“Hoje descobri quem sou. Hoje renasci. Mas sei que o preço da verdade será alto. Estou pronta para enfrentá-lo.”
E, sozinha na sua loja, Rosa agradecia em oração:
— Obrigada, Senhor. Mesmo que venha a tempestade, pelo menos pude dizer-lhe: sou tua mãe.
✨ Neste capítulo temos:
Revelação completa: Rosa admite que é a verdadeira mãe de Gabriella.
Emoção intensa: lágrimas, choque, o abraço perdido finalmente acontece.
Consequências imediatas: Eloísa descobre que a verdade foi dita e promete vingança.
Gabriella sente-se renascida, mas já entende que a guerra está apenas a começar.