Minha esposa silenciosa

1590 Palavras
Silas: — Certo! — concordei — Parece que está com pressa em seguida mudar. Ela não respondeu nada, apenas prosseguiu com os olhos no chão. O motorista abriu a porta do carro e eu entrei seguido por ela que se sentou ao meu lado. O cheiro suave de jasmin preencheu o carro, desviei o rosto para a janela do carro, tentando ignorar a presença dela. Como ela se chamava mesmo? — Qual é o seu nome mesmo? — questionei. — Erica Scott, senhor! — Erica Scott! — repeti. Agora, pensando sobre isso, não era mesmo estranho que aquela mulher não usasse o sobrenome dos Langford's? Mesmo que ela fosse uma filha bastarda e sua origem fosse duvidosa, Steven Langford não deveria tê-la registrado com o seu sobrenome? — De qualquer forma, agora é Mckinley! — declarei — Não se esqueça disso, Erica! — Sim, senhor! Ela estava começando a me irritar com aquela formalidade fingida. Então, no resto do trajeto de volta para casa eu ignorei sua presença. Todos os empregados da mansão nos aguardavam do lado de fora. — Bem vindo de volta, senhor Mckinley! — disseram em uníssono ao descermos do carro. — Esta é a Erica, minha esposa! — a apresentei ao empregados — Deixem-na confortável, afinal, ela vai ficar aqui por muito tempo. — Seja bem vinda, senhora Mckinley! — a cumprimentaram. — Obrigada! — ela agradeceu em um tom de voz quase inaudível. — O que foi que você disse? — provoquei. — Obrigada! — ela repetiu. — Eles não te ouviram! — Obrigada! — o tom de voz dela subiu mais um pouco, mas apenas o bastante para ser ouvida por mim e pelos empregados. — Melhor assim! — estendi a mão para ela — Vamos indo! Ela estendeu a mão para segurar a minha e quando seus dedos tocaram a palma da minha mão eles estavam totalmente gelados, como se ela nem sequer estivesse viva. O que era aquilo, além de me empurrarem para a filha bastarda ela ainda nem sequer tinha sangue nas veias? — Esta é a mansão Mckinley! — a apresentei — Pode ir a todos os lugares que quiser, menos no meu escritório. Também está proibida de deixar a mansão sem o meu consentimento, está entendendo? Ah, você já poderia se preparar para começar a provar do seu inferno pessoal, garota, e agora iria desejar nunca ter dito sim naquele maldito cartório. — Sim, senhor! — ela respondeu. A guiei escada acima em direção ao quarto e a fiz entrar. — Este quarto é seu! — declarei — Sinta-se a vontade para decorá-lo como quiser. — Meu? — O que? Não me diga que nunca teve um quarto antes? — questionei. — Não é isso, senhor! — ela disse com a voz baixa novamente — Achei que iríamos... Bem... — Achou que iríamos o que? — questionei — Dividir o mesmo quarto? A mesma cama? Ela apenas ficou em silêncio. — Eu ouvi dizer que você era ambiciosa, mas não imaginei que fosse tanto assim! — observei um tanto curioso — Parece que está mesmo disposta a tudo para garantir a sua posição de esposa de um magnata. É uma pena, porque eu não gosto que invadam o meu espaço pessoal. — Mas... É a nossa noite de núpcias! — ela insistiu unindo as mãos uma na outra. Aquela mulher era ainda pior do que eu pensei, além de uma mulher interesseira ela estava disposta a entregar seu próprio corpo a mim apenas para garantir que continuasse sendo a senhora Mckinley. — Tudo bem! — concordei — Já que insiste, eu vou trabalhar agora, esteja pronta às sete da noite. Ela não respondeu, apenas acenou com a cabeça em afirmativa. Muito bem, se ela estava disposta a tudo em nome de sua ambição, eu a faria experimentar um medo tão terrível que a faria ficar longe de mim. Só de olhar para ela já me irritava. Passei por ela e deixei o quarto rumo às escadarias. Javier já estava aguardando do lado de fora e assim que me viu se apressou em abrir a porta do carro para mim. — Para onde, senhor? — ele questionou ao assumir o volante do carro. — Para a Aurum! — respondi travando o cinto de segurança. — Mas, eu pensei que não fosse trabalhar, já que o senhor acabou de se casar hoje! — ele disse. — Javier, você não é pago para pensar! — falei — Me desculpe, senhor! — ele disse. — E além do mais, acha que o mundo para apenas por que eu me casei? A empresa ainda funciona hoje, os designers e funcionários da empresa não foram dispensados apenas porque eu me casei. — declarei — E para completar, não há nada de especial em ter me casado com uma mulher materialista e interesseira! Ele apenas me lançou um olhar pelo espelho retrovisor e se ficou no volante, dando partida no carro, deixando a mansão em seguida. O prédio da Aurum ficava na Central Business District , o principal bairro comercial de Sydney. Nossa empresa havia sido fundada por meu avô Hamish Mckinley que havia chegado a pouco tempo das Terras Altas da Escócia, em Sidney ele se encantou por uma bela australiana chamada Matilda Williams e decidiu fazer da Austrália seu lar, porém, o namoro com Matilda não deu certo e ela o abandonou por um homem mais rico. Furioso, vovô abriu sua própria marcenaria dando a ela o nome simples de Coorie, e foi através da marcenaria que ele conheceu Grace Stewart, minha avó. Parecia uma história feliz, já que depois de se casarem vovô conseguiu evoluir de um pobre jovem escocês e sonhador a empresário. Mas, a minha história não se parecia nada com a do meu avô, ele foi feliz em abundância, e eu apenas vivia um dia após o outro. — Bom dia, senhor Mckinley! — Olívia me cumprimentou tão logo eu deixei o elevador. — Qual a minha agenda para hoje? — perguntei. — Tem uma reunião com os acionistas sobre o novo lançamento da Aurum. — ela contou — Eles estão ansiosos para saber há quantas andam os novos movéis. — Só isso? — Ah, Matteo Goodwin ligou novamente! — ela disse me seguindo — Ele quer saber se poderiam... — Não! — neguei a cortando — Sem chances de ter uma parceria com aquele cretino. — Tudo bem! — ela concordou — E sobre o senhor Dickson... — Ele está na minha sala! — completei abrindo a porta. — Ei, Silas! — Henry acenou para mim. — Pode ir agora, Olívia! Ela acenou brevemente com a cabeça e deixou a minha sala. Na parede atrás da minha cadeira "Aurum" estava escrito em letras grandes e mais abaixo e com letras menores estava "conforto e sofiaticação". — Parece que a Olívia é a única funcionária da empresa que não tem medo de você! — Henry observou enquanto se servia de uma dose de whisky. — Por que eu sou um monstro agora? — observei. — Porque você é um chefe c***l e desalmado. — ele me corrigiu — E eles vivem morrendo de medo de você. — Ainda não se cansou de entrar na minha sala sem ser convidado? — questionei ao entrar e fechar a porta atrás de mim. — Já se cansou da sua esposa? — ele perguntou — Não era para estar em lua de mel agora, se deleitando com os prazeres da vida de casado? — Ela não faz o meu tipo! — respondi — É magra demais e fingida demais, e ainda para completar ela sempre responde as minhas perguntas em um tom de voz baixo e me chama de senhor. — Senhor? — Henry gargalhou alto — Você é o chefe dela? Puxei a cadeira e me sentei enquanto ele quase rolava no chão de tanto rir. — Se bem que, tem uma certa lógica! — ele disse — Já que você praticamente comprou a sua adorável esposa. — Tem algo realmente importante a dizer? — questionei. — Sim! — ele revirou o whisky nos lábios e se sentou a minha frente — O Matteo me procurou ontem a noite no bar que sempre vamos, ele parece estar mesmo. — Não se engane, Henry! — falei — Ele não se arrependeu do que fez. Ele só quer alguém em quem ele possa se apoiar para fazer o nome dele crescer, não fale mais com ele. — E se ele estiver mesmo arrependido? — Henry questionou — Ele pareceu estar sendo bem sincero. — Não existe sinceridade quando o assunto é o Matteo! — declarei — Você já deveria saber disso já que foi tão prejudicado por ele quanto eu. — Você tem razão, Silas! — ele concordou — Acho que eu estou ficando meio mole. — Por que você não tira umas férias? — propus — Talvez esteja trabalhando demais. Por que não viaja para algum lugar tranquilo e sossegado? — Com um novo projeto as vésperas de ser lançado? — ele sorriu — Mas nem pensar. — Tudo bem então! — abaixei a cabeça e voltei ao trabalho. Após a reunião com os acionistas da Aurum, Henry e eu descemos para o andar de produção. A nova linha de móveis já estava quase pronta para ser lançada. Um detalhezinho aqui e ali e tudo pronto. Aquilo era tudo o que faltava para o novo lançamento da Aurum. Fazer móveis bonitos e sofisticados eram o negócio da nossa família. Era assim por muito tempo.
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