Bruna narrando Nasci no Babilônia e aprendi cedo que ninguém vai te estender a mão se você não souber pegar. Perdi meus pais ainda criança e a cidade engoliu meu pranto como se fosse mais um lixo largado na rua. Minha avó, dona Tereza, foi quem me criou; uma mulher de olhos fundos, sempre com um copo na mão e um cigarro no canto dos lábios. Ela me dava teto, pão e uma lição amarga: carinho não enche barriga. Cresci ouvindo que a vida não é justa e que quem chora demais acaba virando presa. Foi ali, entre a fumaça e o som das vozes do Babilônia, que aprendi a me virar. Minha infância não teve conto de fadas. Tinha panela no fogo, roupa pra lavar e vizinha metida a conselheira dizendo que menina precisa se cuidar. Enquanto as outras meninas iam à escola e sonhavam com casamento, eu já saca

