"E mesmo que São Nicolau tenha sentido falta desta casa, o que ele não sentiu, você recebeu muitos presentes de outras pessoas que também acreditam que você é uma boa criança, digna de presentes."
Harry não disse nada, mas sua mão menor se moveu para pousar em cima da maior de Voldemort. Eles ficaram sentados lá enquanto o fogo crepitava ao lado deles, até que Voldemort considerou adequado quebrar o silêncio, finalmente abrindo o precioso presente de Harry para ele.
Lentamente, Voldemort desfez as fitas e o papel de embrulho. O pacote dentro estava coberto com outra camada de material: papel de seda branco puro. Isso também foi removido, revelando o presente que Harry tinha se esforçado para esconder.
Era um desenho, o que era esperado, e estava emoldurado, o que provavelmente era obra de Narcissa. O desenho era dele, Harry e Beligerante, o que também era esperado. O inesperado foi que Harry o desenhou não em forma humana, mas no que ele só poderia assumir que era sua forma de demônio.
Havia chifres e asas e até uma tentativa vaga de um esqueleto. Tantos pequenos detalhes que Harry deve ter importunado os demônios que frequentavam a mansão. Voldemort não conseguia desviar o olhar.
"Você gosta disso?" veio a voz tímida de Harry em seu ouvido.
"É perfeito", disse Voldemort automaticamente. Então ele piscou, sua visão pela primeira vez exigindo foco deliberado enquanto olhava o desenho novamente, observando a obra-prima que Harry deve ter passado horas trabalhando. "Absolutamente perfeito", acrescentou ele, desta vez virando-se para poder encarar Harry enquanto falava. "Você se saiu extremamente bem com os detalhes. É um lindo presente."
Harry corou com o elogio. "Trabalhei muito nas asas!" ele exclamou, gesticulando. "Eles são minha parte favorita."
"As asas são altamente impressionantes", concordou Voldemort, "mas, novamente, há tantas partes maravilhosas nessa imagem que acho difícil decidir do que gosto mais."
Harry sorriu mais largo, brilhante o suficiente para cegar o sol. Se eles estivessem sentados no sofá, Harry estaria sacudindo as almofadas do sofá em sua excitação.
Eles ficaram sentados por mais um momento. A atenção de Voldemort foi atraída de volta para a arte de Harry. "Você me desenhou de forma diferente," comentou Voldemort. À expressão confusa resultante de Harry, ele acrescentou, "Você não me desenhou assim." Ele gesticulou para sua forma atual. Sua forma humana .
"Oh", disse Harry. "Mas você é assim, não é?" A pergunta tinha um tom desanimado que fez Voldemort se sentir imediatamente culpado pelo que disse.
"Eu sou", disse ele de modo tranquilizador. "Eu só estava me perguntando por que você escolheu me desenhar assim, já que passo a maior parte do meu tempo assim." A maior parte do tempo que passava com Harry, de qualquer maneira.
"A Sra. Malfoy me disse que todos vocês têm asas e chifres. Então - então eu fiz a ela algumas perguntas, e ela me deixou olhar para as asas dela -" Harry interrompeu, parecendo nervoso. "Estava tudo bem? Eu não deveria ter feito isso? Sra. Malfoy também me ajudou a mantê-lo ocupado para que eu pudesse ter tempo para trabalhar nisso."
"Você não fez nada de errado," Voldemort disse com firmeza, mas por dentro ainda estava ... confuso. Ele colocou o desenho de Harry em seu colo e pegou as mãos de Harry. "O que eu não quero é que você se assuste desnecessariamente. Vou ter que falar com Narcissa sobre mudar de forma na sua presença-"
"Não é assustador?"
Voldemort fez uma pausa. "O que você quer dizer, Harry?"
"Não é assustador quando você muda. É legal!" Harry disse seriamente. "É Magica!"
Voldemort não sabia o que fazer com essa informação. Era ilógico que sua forma natural - uma forma que fazia os humanos adultos tremerem com um terror que o consumia - não assustasse esta pequena criança humana. Não apenas isso, mas parecia que nenhum dos demônios assustava Harry.
"Magia é ... legal," Voldemort concordou distante. Ele soltou as mãos de Harry e deu um tapinha em seu braço. "Você fez um excelente trabalho com o seu presente."
Harry acenou com a cabeça uma vez, então mordeu o lábio inferior. "Posso ... quero dizer, posso dar um abraço? Porque é Natal?" Harry adicionou rapidamente.
Eles se abraçaram, segurando por mais tempo do que era normal para eles fazerem. Agora, Harry era pequeno e frágil em seus braços - mas Harry não seria desse tamanho para sempre. Algum dia, Harry estaria mais velho e mais sábio, e ele esperançosamente olharia para trás em seu primeiro Natal juntos com ternura e calor.
"Vamos abrir o resto dos seus presentes," Voldemort disse suavemente, se retirando o suficiente para olhar Harry nos olhos. De repente, os quarenta ou mais presentes que Voldemort colocara sob a árvore para Harry não pareciam mais suficientes. Ele teria que esconder mais presentes, usando a pilha separada de Belligerent como desculpa. "E então vamos pendurar sua arte acima da lareira."
"Tudo bem", disse Harry alegremente. Ele se mexeu para olhar os presentes restantes sob a árvore. A grande pilha de presentes restantes. "Alguns desses são para Bell, certo?" Harry perguntou, sua voz cheia de dúvidas. "Eles não são todos para mim?"
Como responder de uma forma que não incomodasse Harry? Se Harry pensasse que estava recebendo coisas demais, ele as rejeitaria. "Alguns desses presentes são para Bell", disse Voldemort, o que agora era verdade. "Não se preocupe."
Uma vez que todos os presentes estivessem abertos, seria tarde demais para Harry protestar. Todos os novos pertences de Harry seriam perdidos entre as pilhas de dragões e cobras, os vários presentes indistinguíveis uns dos outros. E se Voldemort conjurou mais presentes enquanto Harry estava distraído com o desembrulhamento, foi um comportamento perfeitamente justificado.
"Tudo bem", disse Harry novamente. Ele deslizou para fora do sofá e começou a pegar as caixas. Belligerent trotou para se juntar a ele, quebrando as fitas com seus dentes pontiagudos.
Voldemort observou os dois com carinho e pensou que embora ele não celebrasse o Natal, ele poderia aproveitar o dia que era Harry-e-Natal juntos. Hoje ele tinha aprendido que Harry não tinha medo dele, de forma alguma, e isso era um presente de Natal por si só.
Fim
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