LEONARDO FRASER NARRANDO: Ela se sentou, dura na cadeira como se estivesse pronta para levar um soco. Ombros erguidos, olhos fixos em mim. A tensão entre nós dava pra cortar com uma faca. E ainda assim… tinha alguma coisa estranha naquela atmosfera. Algo que não era só raiva ou vergonha. Era quase como se… estivéssemos presos um ao outro. Contra a nossa vontade. Respirei fundo e me sentei também. A cadeira rangeu sob o meu peso. Peguei a caneta sobre a mesa, rolei entre os dedos. — Vamos fingir, por um momento, que nada aconteceu ontem. Só por dez minutos — comecei, olhando para ela. — Pode fazer isso? — Posso tentar — ela respondeu, cruzando as pernas. A postura era profissional, mas os olhos… os olhos me atravessavam. — Isadora Nogueira, certo? Ela assentiu. — Conte sobre a sua ex

