ISADORA NOGUEIRA NARRANDO: Saí da sala do Leonardo sem olhar para trás. Se eu tivesse olhado, talvez tivesse perdido a força nas pernas. Talvez tivesse voltado lá e dito tudo que estava entalado na garganta. Mas não. Eu precisava seguir. Engolir o gosto amargo da humilhação e continuar andando. Como sempre fiz. O salto dos meus sapatos batia firme no piso da recepção, e eu não sabia se aquele som era mais alto que a voz dele ainda ecoando na minha cabeça. — Precisa tanto quanto precisa de um homem que te f**a melhor que o seu ex, igual disse na noite passada. A audácia. A frieza. A crueldade calculada. E eu? Eu ali, sentada diante dele, engolindo tudo com a mesma dignidade que restava numa mulher prestes a desabar. Eu aceitei. O salário, o emprego, as entrelinhas. Porque não dava pra s

