Luna narrando A cidade tem barulhos diferentes quando a gente anda longe do morro. É como se os passos ecoassem mais, como se os olhares demorassem mais tempo na nossa pele. Samanta adorava caminhar. Sempre foi dela isso, essa mania de explorar os cantos, como se pudesse mapear o mundo com o próprio corpo. Eu só fui junto pra tirar o peso da cabeça, espairecer, fingir que as coisas não tavam tão tensas. Mas no fundo... eu sabia. — Bora cortar por aqui? — ela sugeriu, apontando pra uma rua mais estreita. A viela era limpa, mas vazia. Tinha algo errado. Meu estômago virou. Mesmo assim, fui. Sempre fui boa em ignorar presságios. — Acha que Dante tá desconfiado de mim? — Samanta perguntou do nada. Parei. — Por que tá perguntando isso? Ela desviou o olhar. — Sei lá. Ele me olhou estran

