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Proibida para o Sub

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Sinopse

Luna passou anos tentando apagar o sobrenome que a ligava ao crime. Irmã do dono do morro, foi mandada para longe, criada em silêncio, como se pudesse ser poupada do inferno que engoliu sua família. Mas quando a tragédia chama, ela volta. E volta direto para os braços de quem nunca deveria ter olhado.Kael é o sub de confiança. Braço direito. Cão de guarda. O homem que limpa o sangue e mantém a ordem. Nunca falhou com o chefe. Nunca quebrou uma regra. Até Luna reaparecer, carregando nos olhos a dor que ele sempre tentou enterrar. O problema é que ali, no alto do morro, amor não é refúgio. É fraqueza. É arma nas mãos de inimigos.Enquanto os becos se enchem de ameaças, segredos e tiros perdidos, Kael e Luna vivem um romance proibido, cercado por desconfiança, lealdades divididas e o peso de um passado que pode destruir tudo.Porque amar a irmã do chefe é mais que perigoso. É imperdoável.

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O Retorno
Luna Narrando O carro subiu aos trancos, sacolejando nas pedras soltas da ladeira. A cada metro vencido, o cheiro da minha infância se infiltrava pelas frestas da janela. Poeira quente, fumaça de churrasquinho, o funk estourando dos becos e o gosto de perigo grudando na língua como se fosse saliva antiga. Aquela era minha casa. E ainda assim, parecia o lugar mais estranho do mundo. Passei anos tentando apagar meu sobrenome. Anos fingindo que não lembrava dos gritos de madrugada, das sirenes que nunca subiam até aqui, dos corpos jogados nos becos e das ordens sussurradas atrás de portas trancadas. Fui mandada embora como se isso me salvasse. Como se distância curasse sangue r**m. Mas mãe morreu. E quando a morte chama, não tem estrada longa o suficiente. Voltei. O motorista olhou pelo retrovisor com um receio m*l disfarçado. Ele sabia quem eu era. Mesmo com o cabelo preso, os óculos escuros e o silêncio no rosto, o morro tem memória. E gente como eu nunca some de verdade. Só fica quieta por um tempo. — Chegamos. — A voz dele cortou seco, como se quisesse encerrar logo aquela corrida amaldiçoada. Desci do carro devagar. O portão estava aberto. Ainda havia pichações nos muros, marcas de tiros camufladas com tinta velha, o portão torto, o cachorro magro. Tudo estava igual. Exceto eu. Subi os três degraus da entrada e empurrei a porta. A sala cheirava a vela queimada. Um altar improvisado com a foto da minha mãe no centro ocupava a mesa da sala. Sorri pequeno, sentindo o aperto queimar por dentro. Não tinha tempo pra luto. Tinha só silêncio. E lembrança. — Não achei que tu viria. A voz veio de trás. Grave. Baixa. Familiar como cicatriz. Virei devagar, o coração disparando no peito como se reconhecesse o som antes da mente entender. E ali estava ele. Kael. O tempo não tinha sido c***l com ele. Tinha sido cúmplice. Pele cor de café escuro, músculos marcando sob a camiseta preta, a tatuagem no pescoço que eu mesma vi nascendo, traço por traço, agora parecia parte dele. Os olhos castanhos quase pretos ainda carregavam aquela fúria silenciosa. Mas havia algo mais. Algo que me fez prender o ar. — E você? Ainda achando que pode vigiar tudo sozinho? Ele cruzou os braços. Não sorriu. Mas os olhos vacilaram por um segundo. Rápido. Como se a minha presença tivesse bagunçado algo que ele tentou manter intacto. — O Dante não queria que tu subisse. — falou, frio. — Era pra tu ficar longe disso aqui. — Não vim por ele. Vim pela minha mãe. — Ela morreu por causa disso aqui. Fiquei em silêncio. Porque eu sabia. E mesmo sem ele dizer, eu lia nas entrelinhas. O morro matou minha mãe. Não com bala, mas com tudo o que carrega. Com peso, com nome, com a guerra que nunca termina. — Ainda é o cão de guarda dele? — perguntei, sem conseguir evitar o tom de ironia. Kael se aproximou. O suficiente pra eu sentir o cheiro dele. Mistura de suor, pólvora e algum perfume barato. O tipo de cheiro que só quem vive no front carrega. Os olhos dele cravaram nos meus. Não de forma agressiva. Era pior. Era íntima. — E tu? Ainda acha que pode fugir do sangue? Engoli seco. Porque a resposta era não. Eu tentei. Por anos. Mudei de nome. Virei outra pessoa. Estudei, trabalhei, fui invisível. Mas nada disso apagava o que estava debaixo da pele. Ele não tocou em mim. Mas bastava aquele olhar. Bastava o som da respiração dele pra fazer o chão tremer. — O morro tá diferente — comentei, tentando quebrar o peso entre nós. — Não. Só tu que voltou com os olhos limpos. — Eu voltei com os olhos abertos, Kael. E eu não vou sair daqui sem respostas. Ele assentiu. Mas era aquele tipo de assentir que não dava razão. Era mais um vamos ver até onde você aguenta. — Então tu se prepara. Porque esse lugar... esse lugar não perdoa quem volta com saudade. Ele virou as costas e saiu. O coração batia no meu peito como um tambor de guerra. Eu o observei desaparecer no corredor. E só então percebi que minhas mãos tremiam. Kael. O homem que nunca deveria ter olhado pra mim. O braço direito do meu irmão. O único que sabia quem eu fui. O único que podia me destruir com um olhar. E mesmo assim, tudo dentro de mim gritava. Eu voltei por causa da minha mãe. Mas agora, eu sabia. Kael ia ser o meu inferno. Ou meu refúgio. Ou os dois. A porta do corredor bateu. E segundos depois, ouvi o som das botas pesadas no chão gasto da sala. O ranger do couro, o clique do isqueiro, o cheiro do cigarro. Dante sempre foi assim. Nunca chegava falando. Chegava impondo..Quando eu o vi, quase não reconheci. Ele estava maior, mais marcado, o rosto mais duro do que qualquer lembrança que eu guardei. As tatuagens cobriam os braços como uma armadura de tinta. A corrente no pescoço ainda era a mesma, a que ele usava desde moleque, com a medalhinha da mãe pendurada. Mas os olhos… não. Aqueles não eram mais os olhos do meu irmão. Eram de um homem que viu demais. — Pensei que tu fosse mais esperta — ele disse, sem me encarar de verdade. — Pensei que você fosse mais irmão — respondi, encarando de volta. Ele tragou fundo, soltando a fumaça como se ela pudesse carregar embora a tensão entre nós. — Tu não devia ter voltado. — Não vim pedir permissão. — Esse lugar não é pra tu, Luna. Nunca foi. — E por isso me mandaram embora? Como se eu fosse uma mancha que dava pra esconder? Ele finalmente olhou nos meus olhos. E ali, por um segundo, vi o Dante que me colocava no colo quando o mundo desabava. Mas foi só um segundo. Depois, veio o chefe. O dono do morro. O homem que mandava matar com um aceno. — Eu fiz o que precisava pra te proteger. — Proteger? — ri, amarga — Você me escondeu. Me cortou da vida da mãe. Me apagou da história da nossa família. Isso não é proteção, Dante. Isso é exílio. Ele bateu o cigarro no cinzeiro com mais força do que precisava. — Tu sabe o que fizeram com a Letícia? Com a Karine? Com a Luana? Todas as minas que se meteram com gente do comando? Mortas. Estupradas. Ou pior. Eu tirei tu disso. Era o único jeito. — Era o único jeito pra você. Pra manter sua consciência limpa enquanto mandava gente morrer todo dia. Ele deu dois passos na minha direção. O rosto tenso, os dentes cerrados. — Tu acha que é fácil segurar esse morro, Luna? Acha que é só dar ordem e pronto? Eu tô aqui todo dia enterrando amigo, limpando sangue do chão. Não tem espaço pra fraqueza. E tu… tu era minha fraqueza. As palavras dele bateram fundo. Como um tapa. Porque doía. Porque eu entendi. Mas isso não mudava o abandono. — E a mãe? Você afastou ela de mim também? Ele hesitou. E esse silêncio foi mais revelador do que qualquer confissão. — A mãe concordou? — Ela tentou te trazer de volta várias vezes. Mas eu não deixei. Porque sabia que, se tu pisasse aqui, não sairia viva. E olha só. Voltou. E a primeira coisa que fez foi dar de cara com o Kael. — Eu nem sabia que ele ainda estava com você. — Ele nunca saiu. Porque ele não quebra. Diferente de muita gente por aí. — Não coloca culpa nele. Eu voltei pela mãe. Não por ninguém mais. — Tu voltou porque não sabe viver sem verdade. Mas deixa eu te lembrar de uma coisa, Luna. Aqui em cima, verdade mata. Curiosidade também. E amor… amor é sentença. Engoli seco. — Então é isso? Vai me mandar embora de novo? Ele cruzou os braços. Respirou fundo. Depois, jogou o cigarro fora. — Tu vai ficar. Mas vai seguir minhas regras. Sem andar sozinha. Sem se meter nos corres. Sem mexer com quem não deve. — Tipo o Kael? Ele não respondeu. Mas os olhos disseram tudo. — Ele é meu irmão. De guerra. De sangue. E tu… tu é a única coisa que pode destruir tudo o que construí. — Eu não quero destruir nada. Mas não vou mais ser apagada. O silêncio caiu entre nós. Longo. Carregado. Dante respirou fundo, como se estivesse tentando engolir a raiva. Ou o medo. — Tu vai dormir no quarto da mãe. Eu mandei arrumar. E amanhã, vamos conversar de verdade. Sobre tudo. Inclusive sobre a morte dela. Eu assenti, sentindo o coração apertar. — Boa noite, Dante. Ele não respondeu. Apenas virou as costas e sumiu pelo corredor. Como sempre fazia. E ali, sozinha, entre paredes que guardavam mais fantasmas do que memórias, eu percebi. Eu estava de volta. Mas nada ia ser como antes.

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