Luna Narrando Cheguei em casa com os pés doendo, mas era dentro que doía mais. Fechei a porta. Tranquei. Encostei as costas e fiquei ali parada, no escuro, ouvindo o silêncio. Era pesado. Vivo. O tipo de silêncio que grita. Como se a casa toda soubesse que agora nada mais era o mesmo. O caderno ainda tava comigo. O que minha mãe escondeu. As palavras dela viraram mapas. E cada rabisco era uma pista. Uma rota de colisão com o passado. Sentei no chão da sala, com as pernas cruzadas e a cabeça baixa. Comecei a reler tudo. Cada página. Cada anotação. Até que encontrei. Uma folha grudada no final do caderno. Amassada. Tinta desbotada. — Ele não era o alvo. Mas estava lá. E alguém precisava morrer para salvar Dante. E, abaixo disso, um nome escrito com força: — Maurício Oliveira. Li e reli

