SIENA
— Papai, por que está abraçando a Siena? — Prendo a respiração ao escutar a pergunta inocente de Paige. Ah, se ela soubesse que não era apenas um simples abraço…
Ivarsen engole em seco e olha para Adelaide como se pedisse ajuda. Ela acena, seus olhos castanhos expressando que ela sabia muito bem o que estava acontecendo aqui.
— Eu estava apenas…
— Estava pedindo para ela ir na viagem, é isso? — ela interrompe, balançando a cabeça freneticamente.
Ivarsen sorri e olha na minha direção, franzo o cenho com algumas perguntas na ponta da língua.
O que ela está falando? Que viagem é essa?
Ele se agacha e fica da altura da sua filha, acaricia a sua bochecha rosada e se inclina, sussurrando algo que só ela pode ouvir. Observo os ombros de Paige caírem um pouco e seu sorriso de menina travessa lentamente desaparecer. Ela olha para mim e desvia rapidamente; em sua face, vejo uma carranca se formando. Então a ficha cai. Ela havia me convidado para a casa de praia da família, e eu recusei, pelo visto, ela pediu ao pai para me convencer a viajar com eles. O que é uma loucura. Não dá para viajar com o Ivarsen depois de tudo que aconteceu, seria uma tortura.
Ivarsen fica de pé e toca a ponta do nariz da pequena de forma carinhosa como sempre faz.
— Vá com Adelaide. Eu esperarei lá embaixo para almoçarmos juntos — diz com um leve entusiasmo.
Paige aquiesce e se vira em seus calcanhares. Mas, antes que ela possa dar um passo, seu pai a chama.
— Anjo, não está se esquecendo de nada? — Ela vira novamente, encarando as sobrancelhas arqueadas do pai. — Se despeça da senhorita Leblanc. Você não a cumprimentou.
Balanço a cabeça com um sorriso amigável.
— Oi, Siena — murmura com um suspiro.
— Olá, Paige — respondo e me aproximo cautelosamente, abaixando-me a sua frente. — Estava pensando em terminar o livro que começamos a ler juntas, o que acha?
Ela coça o queixo e arrisca um olhar para o pai, então me olha novamente com um sorriso tímido começando aparecer em seus lábios delicados.
— Do Pinóquio? — pergunta com uma pontada de entusiasmo em sua voz infantil.
— Sim — confirmo e vejo seus olhinhos azuis como o mar do Caribe brilharem.
Seu sorriso se alarga e, em um rompante, ela enlaça o meu pescoço e beija a minha bochecha, me pegando de surpresa. Em seguida, se afasta, correndo pelo corredor como um pequeno furacão loiro.
Meu coração se aquece e um nó se forma em minha garganta. Fico de pé e, no mesmo instante, sinto uma mão quente espalmar o meu abdômen e lábios irresistíveis salpicarem beijos em minha orelha.
— Às oito. Eu irei buscá-la em seu apartamento. — Mordisca o lóbulo da minha orelha.
Ofego e jogo a cabeça para trás, levando as mãos para a sua nuca, onde arranho sua pele e puxo um punhado macio do seu cabelo.
— N-ão precisa — sussurro. Sua mão livre acaricia meu osso ilíaco enquanto sinto sua respiração quente resvalando o meu pescoço. — Eu… e-u prefiro encontrá-lo lá, tudo bem?
Ivarsen solta um poderoso grunhido e agarra a minha nuca.
— Não sei se me sentiria confortável com você andando sozinha por Nova Iorque. À noite, o perigo costuma estar à espreita, esperando por mulheres bonitas e atraentes como você, Siena.
Sorrio quando sinto sua risada maliciosa na minha nuca. Viro-me para ele e seguro sua gravata, enrolando um pedaço do nobre tecido preto no meu indicador.
— Eu sou uma menina grande, senhor MacKenzie. Sei me defender de qualquer ameaça que seja. — Estalo a língua e puxo-o pela gravata até estarmos com os narizes colados. — Eu posso arranhar e deixar marcas irreversíveis. Acredite.
Seus olhos azuis me encaram pesados de excitação e, então, sua boca toma a minha, abafando um gemido. Sua língua suga a minha com ferocidade enquanto seus braços se fecham ao meu redor, apertando-me com fervor. Sinto seu p*u duro contra minha coxa e estremeço. Minha b****a molhada, pulsando em resposta. Um longo som gutural escapa do fundo da sua garganta, despertando minha mente, que logo lembra-me onde estamos. Espalmo minhas mãos no seu peito e empurro-o respirando com dificuldade.
— D-devemos ter cuidado. Estou trabalhando. Não posso ficar de agarramento com o filho da minha chefe — exalto-me. Meu rosto em chamas.
Olho para Ivarsen, que não consegue disfarçar seu olhar de desejo, assim como um riso de diversão brincando em seus lábios.
— Estou falando sério.
Reviro os olhos e tento passar por ele. Sua mão se fecha no meu cotovelo, e ele me mantém imóvel contra o seu peito. Seu cheiro delicioso reacendendo meu corpo.
— Eu sei, e peço desculpas por isso. Mas resistir a você é uma tarefa impossível. — Estremeço com suas últimas palavras. — Mas você tem razão. Não fique chateada comigo.
— Eu não… estou.
— Certo. Até mais tarde. — Solta o meu cotovelo. — m*l posso esperar. — Ouço o seu sussurro, me fazendo sorrir como uma boba enquanto ando para longe dele.
Ulisses me conduz de volta ao meu apartamento para que eu possa almoçar. Como de costume, Aria já esperava por mim com uma deliciosa comida caseira, sua especialidade, e inúmeras perguntas relacionadas ao meu encontro com Ivarsen. Já deveria saber que ela não me deixaria em paz por tão cedo. Conto algumas coisas, claro, deixando de lado os detalhes picantes. Minha mente recusa-se a compartilhar como o CEO da MacKenzie Royal é um verdadeiro vulcão em erupção entre quatro paredes. Que aquela expressão serena e elegante é apenas uma fachada para esconder a sua verdadeira face.
— Eu estou chocada com tudo — exala com os olhos arregalados. — Ele tem um apartamento secreto e te convidou novamente para ficarem juntos?
Ela balança a cabeça mordendo o lábio inferior.
— Sim. — Solto uma risada sem graça. — Ele explicou que morava nesse apartamento desde a época da faculdade. Disse que era uma espécie de refúgio para se afastar da constante preocupação dos pais e que mantê-lo o fez muito bem. — Dou de ombros. — Anton, atualmente vive em um apartamento. Josephine confidenciou uma vez que seu filho caçula nunca gostou de ser controlado, então, quando completou dezoito, anos comprou um apartamento. — Sopro alguns fios de cabelo do meu rosto. — Mas não precisamos ser nenhuma gênia para saber que Anton se mudou apenas para ter privacidade para as suas conquistas.