SIENA
Despeço-me da minha amiga curiosa e saio apressada, avistando o motorista dos MacKenzie com um sorriso gentil e o seu cumprimento cortês de sempre, mantendo a porta traseira do Bentley aberta para que eu possa entrar.
O trajeto, como sempre, é feito em absoluto silêncio, exceto pelos meus pensamentos, que estão a mil com a possibilidade de ver Ivarsen novamente.
Uma hora ou outra, pego Ulisses me observando pelo reflexo do espelho retrovisor, até que sua voz grave quebra o silêncio.
— Está tudo bem, senhorita? — Concordo com um sorriso forçado. — Certo — ele diz, retornando à atenção na estrada. — A senhorita é sempre tão comunicativa pelas manhãs, no entanto, hoje está silenciosa… Bom — ele me olha novamente e dá de ombros com um meio-sorriso —, só estranhei.
Eu sorrio de volta para ele, assegurando-lhe que estou bem.
Na verdade, sinto a tensão se espalhar por cada músculo do meu corpo e, quando nos aproximamos do grande portão da mansão, a sensação se intensifica. Observo os portões se abrirem e Ulisses avançar para dentro. Olho de um lado a outro, e não vejo a Ferrari de Ivarsen. Solto o ar com força e deslizo as palmas das minhas mãos suadas sobre a minha saia risca de giz.
Ele não está aqui. Mordo o lado interno da bochecha. Isso me dará tempo para acalmar o meu coração e não surtar pensando o que ele fará a seguir… quando nos encontrarmos novamente.
Assim que Ulisses estaciona, eu não o espero abrir a porta e desço, atrapalhando-me com os meus saltos, quase tropeçando pelo jardim. Como de costume, Finn recebe-me com sua expressão estoica e olhar treinado.
— Bom dia, senhorita. Madame Josephine já a aguarda no escritório. — Aquiesço com um meio-sorriso.
— Certo. Obrigada por avisar, Finn.
Passo por ele, tomando o caminho do escritório. Encontro a porta aberta e Josephine concentrada na tela do seu laptop. Para no limiar e, como se sentisse minha presença, seus olhos azuis se erguem encontrando os meus.
Josephine está usando óculos de grau e, com graciosidade, os coloca para baixo, descansando sobre a mesa.
— Bom dia, Siena! — cumprimentou-me com sua voz suave e um sorriso gentil.
Respiro fundo e devolvo o sorriso, percebendo que o meu atraso não significou nada para ela, que, por sinal, exibe um sorriso genuíno e contagiante nos lábios.
— Bom dia, senhora. Espero que me perdoe pelo atraso, tive um pequeno imprevisto essa manhã. — Mordo o lábio, impedindo-me de corar na sua frente.
Imagina se ela soubesse que o imprevisto tem nome e sobrenome. Ivarsen MacKenzie. Seu filho. Será que ela iria se importar se soubesse? Não era sua intenção fazer com que seu precioso Ivarsen abandonasse o luto? Minha mente gira em torno de muitas perguntas. Mas a situação é outra. Não estou seguindo o seu acordo. E nem me aproximei de Ivar pelo seu dinheiro. Mantenho meus lábios selados enquanto ela estuda-me com atenção.
— Noite difícil? — sonda com um estreitar de olhos.
Concordo, engolindo um caroço que começou a se formar na minha garganta.
— Entendo. — Acena para que eu me sente. Sento-me na cadeira à sua frente e cruzo minhas pernas, disfarçando o leve tremor em minhas mãos. — Espero que esteja bem.
Sorrio.
— Sim. Estou bem, obrigada.
Ela toca minhas mãos com duas batidinhas leves e se levanta, alcançando uma pasta marrom, colocando-a sobre a mesa, deslizando-a para mim.
— Nesse caso, tenho um trabalhinho para você. Alícia está preparando a nossa próxima coleção e mandou esse material para eu avaliar. Quero sua opinião, querida. — Engulo em seco e pego a pasta. — Precisarei me ausentar por algumas horas. Tenho um encontro com uma velha amiga para tomarmos um café e, provavelmente, almoçaremos juntas. Temos muito assunto para ser colocado em dia — avisa com uma piscadela. — Sinta-se livre para ir quando terminar, querida.
Assinto, desejando-a um proveitoso dia. Continuamos a conversar, até ela tocar em um assunto que eu estava evitando veemente pensar.
— Ivarsen passou a noite fora, após sete anos recluso. Eu estou… chocada e, ao mesmo tempo, aliviada. — Suspiro internamente, escutando Josephine desabafar enquanto meu coração acelera loucamente a cada minuto. Cerro os punhos por baixo da mesa e evito o seu olhar. Apenas a escuto falar com um misto de culpa e vergonha corroendo o meu peito. — Siena? — Ela se levanta e segura o meu queixo, me fazendo prender a respiração. — No fundo eu tenho que te agradecer.
— Tem? — Franzo o cenho. Confusão brilhando em meus olhos.
— Sim. Tenho. — Ela se afasta olhando através da janela. — Você uma vez me disse que, se Ivarsen não estava com alguém, é porque ele não se sentia pronto. E olhe agora… — Ela sorri, incrédula. — Ele está se abrindo por vontade própria. Eu não precisei interferir. Ele escolheu dar o primeiro passo. — Suspira e vejo uma lágrima solitária rolando na sua face. Seus olhos azuis estão nos meus e eu congelo. — Obrigada, Siena. Por me fazer ver a realidade. Espero que essa mulher que o trouxe novamente a vida o faça feliz. Odiaria ver meu filho de coração partido outra vez.
Lancei um olhar preocupado para ela, que apenas sorriu e se recompôs como uma verdadeira rainha. Mesmo que eu tente disfarçar, não posso deixar de me sentir desleal.
Essa mulher à qual ela se refere sou eu. E suas expectativas estão deliberadamente altas. Talvez se eu me afastar de Ivarsen agora, não causarei danos, e ele pode seguir em frente outra vez.
Josephine se despede e, sozinha no seu escritório, permito que minha mente se afogue em pensamentos e lembranças. Estou completamente imersa e não percebo que as horas passaram tão depressa. Olho para o meu relógio de pulso e constato que já está se aproximando o horário do meu almoço.
Levanto-me e alongo os meus braços e pernas antes de alcançar a minha bolsa e o celular.
Quando estou atravessando o corredor principal, sinto um puxão em minha cintura por trás e uma grande mão se fechando na minha boca, silenciando um grito estrangulado.
— Fiquei chateado por encontrar um lado da cama vazio, querida. — Sua voz rouca invade minha mente e meu corpo relaxa contra o seu. — Planejava acordar e ter um bom sexo matinal. — Sua língua chicoteia e se arrasta pelo contorno da minha orelha. Prendo a respiração e, em um impulso, Ivarsen gira meu corpo e o prensa contra a parede. Seus olhos estão cravados nos meus, cheios de luxúria, e algo que eu não consigo decifrar. — Não pensou que após eu ter provado seu gosto me afastaria, pensou? — Não respondo, ainda atordoada com sua intensidade. — Ele segura meu rosto e roça seus lábios nos meus, se afastando logo em seguida. — Eu não estava brincando quando disse que você estava me consumindo, Siena. Podemos nos ver hoje à noite no meu apartamento? — Sua pergunta é acompanhada de um tom erótico e rouco que me deixa sem ar.
O brilho irresistível em seus lábios cheios era um convite a mergulhar em beijos vorazes e
demorados, assim como o olhar em seu rosto, que me hipnotiza completamente.
Sinto as pontas dos seus dedos deslizarem pela minha coxa e afundar sob a barra da minha saia. Meu corpo todo em chamas, deleitando-se com o seu toque. Arfo quando o sinto empurrar mais para cima, aproximando-se da minha i********e molhada.
— É-é um convite? — consigo perguntar em minha voz trêmula.
— É um convite — replica, sussurrando no meu ouvido, seus dedos cada vez mais habilidosos percorrendo o caminho de maneira lenta e tortuosa.
Ofego, reprimindo um gemido.
— T-udo bem. Eu aceito… — sussurro, agarrando as lapelas do seu terno. Aparentando satisfeito com minha resposta, seus olhos assumiram uma expressão de desejo, e o ar pareceu engrossar à nossa volta, até uma familiar voz nos tirar da nossa névoa de luxúria e desejo.
— Papai? — Afasto-me em um pulo quando ouço a voz meiga de Paige à nossa frente.
Constrangimento colore a minha face quando olho para Adelaide, que não consegue disfarçar o choque ou talvez divertimento. Paige apenas olha entre mim e o pai com seus grandes olhos azuis, confusão estampada neles.