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1136 Palavras
SIENA Esfrego minha face e suspiro, tentando levantar-me, mas uma mão espalmada possessivamente sobre meu abdômen bloqueia os meus movimentos. Viro-me lentamente e prendo a respiração, encarando seu rosto imerso no reino dos sonhos. Meu coração troveja no peito e um sorriso satisfeito permeia os meus lábios. Foi real… Ivarsen, eu e seu modo animalesco como me fodeu. Surpreendeu-me que, debaixo da casca de homem discreto e observador, exista uma fera insaciável, que é capaz de levar uma mulher ao céu e ao inferno, envolvê-la e torcê-la até não sobrar nada além de prazer e luxúria. Meus olhos deslizam descaradamente pelo seu corpo nu, admirando todos os músculos firmes e salientes, vislumbrando polegadas do seu abdômen, que contornei com a língua, e seu p*u semiereto, pulsando suavemente e começando a se avolumar diante dos meus olhos. Mordo o lábio inferior entre os dentes, desejo começando a corroer-me sem remorso. Pego sua mão vagarosamente e a retiro do meu corpo, em seguida, tomando bastante cuidado para não o acordar, me levanto na ponta dos pés, sussurrando um pequeno pedido de desculpas, que obviamente ele não pode ouvir. Solto um meio gemido quando uma pontada dolorosa atinge minha i********e nua. — “Vou te comer em todas as posições possíveis, querida. Farei você se lembrar a cada segundo que eu estive aqui, pois, quando respirar, me sentirá ainda mais fundo dentro de você. Eu confiscarei a p***a do seu ar. Eu serei a sua melhor lembrança.” Fecho os olhos, me lembrando da sua voz rouca de desejo sussurrando palavras sujas no meu ouvido enquanto me fodia contra o azulejo frio do banheiro. Ivarsen tem razão quando diz que ele será a minha melhor lembrança. O sexo, os beijos vorazes e o seu desejo animalesco arrebatando-me profundamente não são algo que eu esquecerei tão fácil. Saio dos meus delírios escutando um gemido suave escapando dos seus lábios cheios e giro em meus calcanhares, marchando para fora do quarto. Na sala, alcanço o meu vestido jogado sobre o assoalho, visto-o e procuro minha pequena bolsa de mão e o celular, encontrando-os descansando sobre a pequena mesa de centro, recolho-os e, com um breve suspiro, deixo o seu apartamento. Confesso que não sei como encará-lo depois de tudo que aconteceu. Ivarsen ainda é um enigma e, como aquela outra noite, ele pode querer-me o mais longe possível. A memória da sua falecida esposa ainda é muita viva em seus pensamentos. Pisco os olhos lentamente, uma, duas, tentando ajustar os meus olhos à claridade assim que os primeiros raios de sol me alcançam. Estremeço, ainda mais por perceber que já está tarde e chegarei atrasada para o trabalho. Mordo ansiosamente o lado interno da bochecha quando avisto um táxi se aproximando e me apresso em estender e balançar a mão. Por sorte, ele para e entro, passando o endereço ao motorista. Descanso minha cabeça contra a janela com um sorriso sonhador se desenhando em meus lábios. Se, por acaso, eu não tiver outra chance como essa, terá valido a pena, mesmo que Ivarsen tenha despertado sensações perigosas no meu coração quebrado. Minutos depois, o motorista do táxi informa que chegamos ao meu prédio. Pago a corrida e desço, passando pela portaria, encontrando o sorriso acolhedor de Seb. — Bom dia, senhorita Siena — ele cumprimenta gentilmente. — Bom dia, Seb — respondo-o, ignorando o rubor que se espalha pela minha face. Esse é o horário que ele costuma ver-me saindo para o trabalho, e não chegando. Balanço a cabeça e pego o elevador. Olho o meu reflexo desgrenhado pela parede metálica e suspiro. Estou uma bagunça. Face corada e amarrotada, lábios inchados e fios soltos. Não há dúvidas sobre o motivo do meu estado. Assim que as portas do elevador se abrem, começo uma maratona até o meu apartamento. Pesco a minha chave na bolsa e abro apressadamente a porta, encontrando Aria no meio da sala e, assim que percebe a minha presença, ela leva as mãos ao peito e solta um grito agudo. — Droga, garota! Você me assustou — resmunga, andando até mim. — Eu fiquei preocupada. — Ela me encara e morde o lábio como se estivesse pensando em algo. — Quer dizer, um pouco — fala enquanto enrosca seus dedos delicados em meu rosto, inclinando um lado após o outro. Como se estivesse analisando-me. — Hum… foi o que pensei. — Arqueio uma sobrancelha, retirando-me do seu toque especulativo. — Eu sinto muito se não avisei que dormiria fora — murmuro, andando até o meu quarto, escutando os seus passos em meu encalço. — Só que… as coisas tomaram um rumo inesperado e eu acabei esquecendo. — Viro-me para ela com um pedido de desculpas silencioso. Aria apenas dá de ombros com um sorriso malicioso nos lábios à medida que ela aperta os olhos, deslizando-os por todo o meu corpo. — Eu posso imaginar — diz, tocando a minha clavícula e virando-me na direção do espelho, cutucando uma pequena marca de dentes, exibindo um vermelho-vivo cravado na minha pele e não achei ser possível, mas corei como uma maldita adolescente sob o seu olhar ferino. — Pelo visto, o herdeiro da MacKenzie Royal é um exímio amante entre quatro paredes, hein? — indaga, cutucando uma costela. Mordo o lábio, reprimindo que uma risada nervosa escape dos meus lábios. — Sim, ele é! — concordo, olhando distraidamente através do espelho a marca que ele deixou em minha pele. É loucura dizer isso, mas eu gostei. Passo as pontas dos dedos suavemente, lembrando-me o exato momento em que ela foi feita. Seus lábios contornando minha pele, sugando-a avidamente enquanto investia de maneira bruta e profunda dentro de mim. Em outra ocasião, uma marca como essa no meu corpo faria minhas entranhas revirarem, no entanto, ela me faz vibrar e ansiar por mais. Assusto-me com Aria estalando os dedos na frente do meu rosto, balançando a cabeça, seus olhos brilhando diversão. — Ah, Siena… Sua vaca sortuda! Você vai me contar todos os detalhes, ok! Ela passa por mim, acertando um leve tapa no meu traseiro, andando despreocupadamente em direção a minha cama, onde se senta dobrando os joelhos. Esfrego a palma da mão no meu queixo, no fundo, não querendo compartilhar os momentos quentes que Ivarsen me proporcionou. É Aria, poxa! A minha melhor amiga, irmã de coração. Mas compartilhar todas as sensações que experimentei é assustador. Não posso, não sem entender o que está acontecendo entre nós. Quando sua expressão se torna ainda mais resignada, ouço o som de notificação do meu celular. O pego dentro da bolsa e visualizo o nome do Ulisses no visor, solto um praguejo. Merda! Estou atrasada para o trabalho. Josephine já deixou claro que odeia atrasos. Expulso Aria do meu quarto sob os seus protestos, tomo banho e arrumo-me em tempo recorde.
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