CAPÍTULO — NARRADO POR TH A noite já tinha engolido o morro inteira quando eu finalmente consegui respirar e dizer pra mim mesmo que ia pra casa. Era sempre assim: eu decidia ir embora umas dez vezes antes, mas sempre aparecia alguma coisa pra resolver. A boca não dormia, nunca dormia, e mesmo quando o movimento tava calmo, a responsabilidade nunca me deixava relaxar. Fechei o rádio, botei no cinto, e desci as escadas do barraco principal. A rua tava mais silenciosa que o normal, só uns grupos conversando baixo, uns motoqueiros descendo, o som de uma televisão vazada de algum barraco. O morro tinha uma respiração própria — de dia era barulho, grito, música, vida pulsando; de noite ficava num silêncio que só quem manda ali sabe decifrar. Eu ia indo pro beco que dava acesso à laje, onde m

