CAPÍTULO – NARRADO POR FERNANDA (Noite – Th ainda na boca) A casa estava silenciosa. Daquele silêncio leve, quase confortável, que só aparece quando a gente percebe que finalmente conseguiu respirar depois de um dia cheio. Eu estava sentada no chão da sala, as pernas cruzadas, o notebook aberto sobre o tapete e uma pilha de currículos espalhados ao meu redor. A luminária da mesa de canto era a única luz acesa, deixando a casa com aquele ar de aconchego que eu tinha aprendido a valorizar. Th ainda estava na boca. Eu sabia que ele dizia que tava tudo “de boa”, mas eu conhecia o jeito dele. Quando ele demorava assim, era porque tinha coisa séria acontecendo. Aquele pressentimento chato insistia em cutucar meu peito, mas eu tentava me distrair mergulhando no trabalho da ONG… e funcionava, p

