Capítulo — Th A boca nunca dorme. Ela só muda o ritmo. Já era fim de tarde quando eu cheguei. O sol ainda batia torto nas casas, deixando tudo alaranjado, mas a movimentação já tava daquele jeito que só quem vive aqui entende. Rádio chiando, vapores indo e vindo, olhares atentos nas entradas, motos passando devagar demais pra quem tá só de passagem. Eu subi direto pra minha sala. Aquela porta fechada sempre foi meu refúgio e meu peso ao mesmo tempo. Ali dentro, não dava pra fingir. Ou eu resolvia, ou a coisa crescia. Nd já tava lá. Sentado na cadeira de sempre, cotovelo apoiado na mesa, mapa do morro aberto, rádio desligado só pra gente conversar com mais calma. Quando ele me viu entrar, levantou o olhar devagar, daquele jeito que já diz muita coisa sem falar nada. — E aí — ele sol

