Capítulo — Fernanda A ONG nunca esteve tão viva. O sol da manhã entrava pelas janelas grandes, batendo no chão claro, refletindo nos desenhos coloridos colados nas paredes. O cheiro de café ainda pairava no ar, misturado com tinta guache, papel novo e aquela bagunça boa que só criança sabe fazer. Eu observava tudo de um canto, com um sorriso que não cabia no rosto. Era aquilo. Era exatamente aquilo que eu tinha sonhado. As crianças chegavam aos poucos, algumas correndo, outras de mãos dadas com os irmãos menores, algumas tímidas, paradas na porta, olhando tudo com curiosidade. Os olhinhos brilhavam ao ver os brinquedos organizados, as mesas com lápis de cor, livros, jogos educativos. — Bom dia, tia! — um deles gritou do nada, correndo na minha direção. — Bom dia, meu amor — respond

