Capítulo 02

1127 Palavras
TH – Thiago, o Dono da Rocinha Thiago, conhecido apenas como TH no morro, não nasceu com privilégios. Pelo contrário: sua vida sempre foi marcada por dificuldades. Desde pequeno, viveu com pais ausentes e rígidos, que pouco se importavam com os sonhos ou medos do filho. A casa era pequena, o dinheiro sempre escasso, e a violência fazia parte do cotidiano. Aprendeu cedo que, para sobreviver, precisava ser duro, rápido e calculista. Não podia se permitir fraquezas. Na adolescência, Thiago já mostrava traços de liderança. Não pelo carisma, mas pelo respeito que impunha. Ele não precisava gritar, bater ou ameaçar para que os outros o seguissem — sua presença já ditava regras. O respeito vinha acompanhado de medo, e o medo consolidava sua autoridade. Quem ousasse desafiá-lo rapidamente aprendia que desafiar TH tinha consequências. Ele começou pequeno, controlando b***s e pequenas vendas no morro, sempre observando, estudando quem eram os líderes, quem tinha ambição, quem traía, quem confiava em quem. Cada movimento de Th era pensado: ele não se deixava levar por emoção ou paixão. Paixões, segundo ele, eram para os fracos. Frieza e calculismo eram a chave para o poder. Com o tempo, conquistou seu espaço. Não havia pressa, apenas estratégia. Aliou-se às pessoas certas, eliminou ou subjugou as erradas e, pouco a pouco, construiu uma reputação sólida. A Rocinha, que sempre teve muitos conflitos internos, precisava de alguém que impusesse ordem e respeito, e Thiago se mostrou capaz de fazer isso com mão firme. Ao seu lado, desde o começo, estava ND — o braço direito e melhor amigo. ND conhecia Thiago como poucos, sabia de seus pensamentos antes mesmo que ele os verbalizasse. Juntos, formavam uma dupla imbatível: Thiago comandava com frieza e calculismo, ND executava com lealdade e eficiência. Eram a combinação perfeita entre mente estratégica e ação imediata. Enquanto Thiago estudava o cenário, ND agia sem questionar, protegendo e ampliando o poder do chefe. A vida difícil que Thiago teve com os pais o ensinou a nunca depender de ninguém. Aprendeu que sentimentos e apego eram vulnerabilidades. Por isso, mesmo com todo o poder que conquistou, ele nunca se apaixonou. A emoção era luxo, distração. Seu coração era blindado, e qualquer fraqueza emocional era cuidadosamente escondida. Hoje, Thiago é o dono da Rocinha. Sua palavra é lei, seu olhar impõe silêncio. Ele comanda sem perder a calma, sem demonstrar raiva ou alegria em excesso, sempre analisando, sempre calculando o próximo passo. A fama de frio não é apenas aparência: é estratégia, é proteção, é sobrevivência. Quem entra na vida de TH precisa entender que ali não há espaço para erros, nem para sentimentalismo. Ele é o exemplo vivo de que o poder não é dado: é conquistado. E Thiago, desde cedo, soube que conquistar significava controlar, estudar, agir e nunca, jamais, se apegar. E ao lado de ND, seu parceiro inseparável, ele mantém o morro unido, temido e respeitado, construindo uma lenda que poucos ousam desafiar. Rotina de TH – Thiago, o Dono da Rocinha O sol ainda nem tinha aparecido direito, mas Thiago já tava de pé. No morro, não existe moleza, e TH sabe disso melhor do que ninguém. Ele vestia a camiseta básica, um moletom leve por causa do vento da manhã, e o tênis surrado que já tinha visto muito chão. O celular vibrava com mensagens do ND, avisando dos corres da noite anterior e das novidades da comunidade. “Tá ligado, chefe, o bagulho ontem lá embaixo foi tranquilo. Mas tem uns muleque metendo a mão nas quebrada dos outros, cê quer que eu resolva?” TH leu a mensagem e suspirou, sem emoção. “Resolve. Sem alarde. Ninguém pode falar nada fora do combinado.” Era assim que ele comandava: frio, calculista, sempre três passos à frente. Sem gritar, sem perder tempo com conversa fiada. No morro, respeito e medo andam juntos, e TH sabia exatamente como manter os dois. Depois, foi pro ponto da comunidade. Subindo pelas vielas, cumprimentava os mais velhos com um aceno discreto, e os mais novos abaixavam a cabeça só de sentir sua presença. Era respeito puro, sem precisar falar muito. ND tava logo atrás, observando cada movimento, sempre pronto pra ação. “Chefe, uns mano do outro lado da Rocinha tão armando treta com a galera do nosso corre. Cês quer que eu mande uns parça lá pra conversar ou já chega batendo?” TH parou, olhou pro horizonte da favela e respondeu com calma: “Primeiro conversa. Se eles vacilar, ND resolve. Sem chamar atenção, sem deixar rastro. Vocês sabem que quem vacila paga.” Enquanto andava, os meninos que vendiam suas paradas no morro se aproximavam, trazendo notícias, boatos e às vezes pedidos de ajuda. TH escutava tudo, absorvia cada detalhe, mas falava pouco. Suas ordens eram poucas, mas claras. Uma palavra errada, e alguém podia sumir do mapa. Depois do ponto, ele passou na “base” — um dos esconderijos menores que controlava a venda de drogas e protegiam o perímetro do morro. A galera o olhava com medo e respeito. TH se sentava, pegava um copo de café, nada mais. ND já tava conversando com os moleques, passando instruções e garantindo que tudo rodasse liso. O dia de TH não tinha hora pra acabar. Ele acompanhava o corre de cima, decidia quem entrava ou saía da Rocinha, resolvia tretas internas antes que virassem um problemão e mantinha os negócios da comunidade nos trilhos. Mas tudo isso sempre com frieza. Nunca se deixava levar por raiva ou emoção. Para TH, sentimentos eram fraquezas, e fraqueza podia custar caro. Quando a noite chegava, o morro mudava de ritmo. Luzes piscando, música alta, gente na rua, negócios rolando. TH observava tudo de cima de um prédio estratégico, ND ao lado, pronto pra qualquer emergência. Ali, cada olhar, cada risada, cada gesto podia ser sinal de respeito ou de desrespeito. E TH sabia interpretar cada um deles. Pra ele, ser chefe da Rocinha não era glamour, não era festa. Era estratégia, controle e medo. Quem não entendia isso não durava muito. E TH, com ND sempre ao lado, mantinha a ordem com punho firme e mente fria. Mesmo com o poder todo, ele não se apaixonava, não se deixava levar. O amor é distração, e no corre do morro, distração pode ser fatal. Para TH, só o respeito e o medo importavam. No final da noite, depois de conferir cada ponto, resolver cada problema e garantir que a Rocinha permanecesse unida, TH voltava pra casa, silencioso, observando a cidade do alto. Um líder que se tornou lenda, calculista, frio e temido. E assim seguia mais um dia na Rocinha: sempre à frente, sempre no controle, sempre sem se apegar a nada além do que realmente importava — o poder.
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