A sua prometida chegará em breve Lord, não precisa ficar nervoso.
— Não estou, só que….
— Olha ela ali…
A olhei de relance, pensando se era a minha Melissa ou não. Mas no decorrer da conversa pude perceber que não se tratava da mesma.
À noite fui surpreendido por uma moça branca, de incríveis olhos grandes e verdes. A boca era extremamente carnuda, convidativa. Automaticamente senti-me atraído por ela, e não pela minha prometida.
— O senhor Lord precisa de mais alguma coisa da casa?
Quis gritar o seu nome, mas nada saia dos meus lábios. Apenas murmurei um antigo poema. A moça sorriu e logo pegou na minha mão, levando-me para o celeiro.
— Achei que estivesse esquecido da sua promessa senhor.
— Qual promessa?
Ela sorriu radiantemente.
— De fugir comigo.
Observei as trouxas dela no canto do estábulo e fui correndo pegar. Juntos fomos para outra parte da cidade e começamos a nossa própria história.
Quando despertei notei Melissa me olhando seriamente, me virei para o lado reparando que chorava.
— O que foi? Fui m*l contigo nessa vida? Parecia gostar muito de mim.
A minha aluna pegou na minha mão para tocar no rosto dela, imediatamente fiz carícias naquele pele.
— Aquela senhora, sua mãe, nos perseguiu até os confins da terra e mandou um dos seus empregados arrumar uma cilada. Acabei morta, desfrutamos pouco daquela vida.
— Oh meu amor.
Abracei-a fortemente contra os meus braços, acalmando-a quase que instantaneamente.
****
No dia seguinte na aula, notei os papas anjos amolando muito a minha Melissa, porém eu como o seu professor o máximo que podia fazer era mandá-los se sentar para não atrapalhar a aula didática.
No almoço a minha ex-veio falar comigo.
— Olha o seu casinho juvenil está a dar muito na cara, se continuar com isso vou te denunciar para o corpo docente da faculdade.
— Faça isso. — Ditei bravo, arrumando as provas dos alunos. — Mas faça com provas, se não eu que coloco você na cadeia.
Ela sorriu diabolicamente voltando para a sua sala.
Melissa
Não pude ficar com Rafael hoje, pois precisava desvendar um mistério que se assolou na minha mente. Aquele assassino daquele século era familiar.
Entrei num galpão abandonado, pois uma aura estranha puxava-me para aquele lugar.
— Até que enfim Melissa.
— Quando vai me deixar em paz barqueiro, se não te fiz nada?
— Engana-se está a dificultar as coisas para mim.
Ele saiu de onde estava, e no corpo de um homem bem forte conseguiu me tocar, no entanto, Rafael surgiu do nada impedindo o seu golpe. Só que ambos os três fomos enviados para uma floresta muito sinistra.
— O que foi isso?
Disse ele olhando para as suas mãos ensanguentadas, segurando uma machadinha afiada.
O meu outro eu caído no mato daquela floresta e Rafael usando trajes indígenas segurando-me fortemente enquanto chorava.
Olhei-o estarrecida, entendendo de antemão o motivo pelo qual me perseguia tanto.
— Pai, por que fizeste isso?
Gemi ao dizer tais palavras antes de finalmente desfalecer.
Somente assim voltei para o tempo atual, os três foram puxados para trás.
— O que? Não pode ser?
— Aí está toda a sua origem, o fato que te faz vim atrás de mim por tantos séculos. Seu carma, minha cruz.
O barqueiro ao se dar conta da sua penalização dos céus correu em desespero, assim eu e meu amor fomos para casa.
****
Meses depois finalmente estamos prestes a selar os nossos votos, igual naquela vida na Índia iríamos ter um final feliz nessa vida também. No entanto, antes de chegarmos juntos na igreja, um homem de terno e gravata parou a poucos centímetros do meu noivo, atirando nele sem pestanejar.
Foi tudo tão rápido, não consegui premeditar. Tudo o que pude fazer era tomá-lo nos meus braços apertando forte o local do ferimento, aquilo jorrava muito sangue. Ele morreria antes de chegar ao hospital.
As pessoas em volta murmuravam chamando uma ambulância enquanto eu encarava o homem ainda ali parado.
— Barqueiro….
— Não sou ele, esse daí virou fumaça. Desistiu tudo por você cara Melissa.
Contive as lágrimas, a mão do meu noivo sobre a minha face, a enxurrada de sangue manchando toda a vestimenta branca.
— Melissa…. Meu… amor…
— Poupe as suas energias, quero acabar com esse maldito!
— Não vá… fica aqui comigo, precisando tanto de você Melissa… - cuspiu sangue
Apertei-o mais contra o peito, sentindo o coração dilacerado.
— Se soubesse que terminaria assim ainda teria voltado para ele?
— Sim!
Sorriu torto.
— Vocês são tão patéticos.
Dizendo essa frase estúpida desapareceu das minhas vistas que podia enxergar até o sobrenatural. Ele não possuiu ninguém, apenas veio diretamente do inferno me punir.
Chorei por que não pude detê-lo.
Olhei Rafael morrendo, desfalecendo pouco a pouco enquanto citava a nossa frase.
Vinte anos depois
Paris/França
Nos meus quarenta anos dei-me de presente essa viagem, e nos meus sonhos saberia exatamente o que aconteceria daqui uns três minutos.
Um jovem rapaz aproximou-se enquanto olhava os quadros da galeria, perguntando se poderia se juntar a mim, respondi que sim em francês.
Olhamos mais mutuamente do que as imagens das telas, sorrindo por vezes na mesma direção, e enfim ele disse na sua nova língua natal.
— Minha alma reconhece a sua.
— Eu sei.
Ficamos de frente, pegou nas minhas mãos com um sorriso lindo no rosto. E atentamente ouvi a sua jornada para me encontrar. O meu eterno amor me olhava da mesma forma, com o mesmo brilho no olhar. Podia amá-lo nesse novo corpo, da mesma maneira que ele continuaria me amando. Agora uma nova jornada nos aguarda.
Fim