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4189 Palavras
Fazia algum tempo desde a ligação de Luna em busca de Sofia. A garota mais nova acabou se assustando quando Melissa atendeu ao telefone e explicou que Sofia estava doente. Rapidamente, Luna explicou o que Melissa deveria fazer e agora a mesma se encontrava olhando Sofia dormir e já se passavam das 16h da tarde. Melissa descobriu que Sofia estava de folga por que viajaria na manhã seguinte para um evento beneficente que uma de suas clínicas estava oferecendo para pessoas de baixa renda, Melissa não sabia o que fazer já que Sofia não havia mencionado nada. Apenas acordou, tomou os medicamentos e voltou a dormir acordando apenas na hora para o almoço que Melissa mesmo acabou preparando. Sofia já não tinha mais febre. Melissa pensou em várias coisas estando àquelas horas acordada e sozinha ali. Sofia odiava lugares grandes, mas morava em um apartamento enorme para apenas uma pessoa. Melissa sabia que Sofia adoecia com facilidade e sempre ficava sozinha. Se Melissa não estivesse ali, como Sofia faria para lidar com as coisas? Sofia se sentia sozinha ali dentro? Melissa se levantou e foi em direção à varanda que lhe foi apresentada na noite passada. Ela não conseguia ver direto as pessoas, mas via pequenas formiguinhas andando em meio ao trânsito repleto de carros. O clima estava um pouco frio e ela entendeu e agradeceu pela ajuda de Morgan nas escolhas para roupas. Melissa pensou durante muito naquele instante, percebeu também que havia vários outros prédios por volta, mas que nenhum eram próximos uns dos outros. Ela se sentiu feliz por Sofia finalmente ter se tornado a pessoa que ela sempre desejou. Melissa suspirou quando ouviu uma voz atrás de si. - Às vezes, quando eu volto pra casa muito tarde da noite e não consigo dormir... - Ela olhou para trás encontrando Sofia vestida à um moletom enorme e pantufa nos pés. - Eu costumo olhar para essa varanda e vejo a cidade em um completo silêncio. Eu olho para todos os lados, todos os prédios e então, as vezes eu acendo um cigarro e imagino que posso voar. - Sofia acabou rindo por estar dizendo aquilo. - Eu imagino que eu posso voar como a Supergirl e eu poderia ir a qualquer lugar como nas histórias em quadrinhos. Melissa riu olhando para frente novamente, ela segurou as grades de p******o e tentou imaginar as coisas que Sofia dizia. - Eu não me imagino salvando o mundo dos criminosos por que sou desastrada o suficiente para tentar impedir o assalto de um banco e acabar abrindo um enorme buraco na parede para no fim acabar sendo acusada de cúmplice. - Explicou ainda rindo. - Então o que você imagina? – Melissa imaginava várias coisas naquele momento. - Eu sempre me imagino voando para Miami por que é lá que você está. – Melissa abriu seus olhos assustada com aquele aquela confissão. - Nos seus braços é o único lugar que eu tenho planos de estar, Mellz. Sofia abraçou Melissa por trás e deixou um beijo em seu pescoço causando um pequeno arrepio pelo corpo da latina. As mãos da americana rodearam a cintura e quase subiram em direção aos pequenos s***s. Ambas ouviram seus corações batendo muito forte. - Eu vi que você arrumou sua mala. - Sofia disse. - Você tem planos para ir embora? - Perguntou. - Por que você vai embora? Melissa suspirou. - Luna explicou que você viajará amanhã cedo para o evento beneficente! – Sofia riu deixando Melissa confusa. - Ela não disse para onde iríamos? - Perguntou. - Não! – Sofia riu mais ainda. - Mellz iremos ao Brooklin! - Melissa não entendia muito de geografia, mas ela entendia que aquele bairro ficava em Nova Iorque. Ela se sentiu um pouquinho i****a, mas acabou se virando para Sofia que apenas gargalhou quando percebeu que a americana estava vermelha. - Além do mais... - Sofia começou a explicar. - Iremos pela manhã e voltaremos perto do jantar. Você ainda quer ir embora? Melissa abriu a boca e fechou diversas vezes tentando formar alguma coisa inteligente em sua mente. - Me deixe ver uma coisa... - Começou e Sofia apenas segurou o riso concordando. - Você vai pela manhã e volta pelo o finzinho da tarde? - Sim! - E o que eu irei fazer lá? - Perguntou Melissa. - Eu não posso simplesmente ficar o dia todo te olhando, embora seja tentador demais. Sofia riu e Melissa sentiu o famoso frio no estômago. Ela sabia que era perigoso, por que geralmente começa com um friozinho no estômago e termina com um enorme inverno no coração. - V-você ainda lembra como verifica a pressão arterial? - Sofia perguntou um pouco envergonhada. - É claro que sim, você costumava a testar em mim! - Melissa disse se lembrando do passado. - Se duvidar, eu sei até tirar sangue por que você vivia testando todos os tipos de agulhas no meu braço com aquele soro fisiológico. Eu tenho tremores de agulha por causa disso! – Ambas gargalharam. - Obrigada. Obrigada. Obrigada. Obrigada! - Sofia não se segurou e dessa vez, ela beijou Melissa nos lábios pegando as duas de surpresa. A loira engoliu em seco. A morena não pensou em nada. Melissa se aproximou por que a vontade que ela sentia de provar mais daquilo era muito grande. Sofia não se recusou... Então suas bocas se tocaram em um leve roçar, mas repleto de saudades. Elas ficaram paradas por um tempo, suas bocas estavam se reconhecendo. Então, apressada do jeito que era Sofia acabou levando suas mãos até a nuca de Melissa e a mesma segurou firme na cintura de Sofia e ambas comandavam com maestria aquele beijo. Ele começou lento e sensual, até que acabou se tornando selvagem quando Melissa pediu passagem com sua língua que rapidamente foi cedido por Sofia. Melissa juntou seu corpo com tanta vontade no de Sofia que logo suas mãos não queriam mais estar apenas em um lugar, mas sim em todos os lados. A latina não saberia dizer qual era seu segundo nome por que sua mente só rodava naquele momento. Ela acabou gemendo baixinho e Melissa sentiu sua calcinha molhar totalmente. - Por favor, seja a mãe dos meus filhos! - Sofia sussurrou baixinho assim que a falta de ar foi enorme demais para que elas duas continuassem com o beijo. - O que? - Melissa perguntou sem entender. - Hum? - Você disse alguma coisa? - Eu não me lembro de ter dito nada! - Sofia havia entendido. Ficou grata por Melissa não ter feito o mesmo. Lógico que Melissa havia entendido tudo, mas preferiu ficar quieta. - Desculpe por ter te beijado. – Sofia disse baixinho ainda olhando para os lábios de Melissa. - Eu te beijei. - Melissa disse. - Você é quem deve me desculpar por que você disse que beijos estavam fora dos seus limites. - Beijar você estava fora dos meus limites. - Explicou Sofia. - Agora, beijar você é a única coisa que eu quero fazer! E então, mais um beijo começou ali mesmo. Paradas no mesmo lugar que Sofia sempre se imaginou pegando impulso e voando para longe, para o lugar onde sua alma gêmea estava apenas para beija-la até não poder mais. Só que diferente da imaginação de Sofia, ela não precisou tirar os pés do chão para que sua vontade de beijar Melissa fosse sanada. 「...」 Elas estavam deitadas no grande sofá assistindo Sense8. Haviam assistido toda a primeira temporada e estavam no especial de Natal. Elas m*l trocavam beijos do que necessariamente assistiam algo. Embora Sofia tivesse comentado diversas vezes sobre aquela série, as cenas de s**o explícito que a mesma possuía, acabou deixando Melissa surpresa. A cena do s**o grupal nem se fala. Ambas estavam tão enroladas no edredom que quem via de fora acharia que era apenas uma única pessoa. - Então você acha que foi um pouquinho de chuva? - Melissa perguntou tentando deduzir quais fatores deixou Sofia de cama. - Sim, quando entrei no hospital na manhã passada, havia algumas gotas de chuva caindo do céu, mas não achei que seria forte o suficiente para me a****r dessa forma. - Explicou Sofia. - Você precisa tomar mais cuidado com essas coisas! - Começou Melissa. - Embora pareça que não é nada, uma gota de chuva pode muito bem causar todo um estrago. Fico me perguntando o que você faria se estivesse sozinha? Quer dizer, Karen está longe e... Você não aparenta ter empregada! Sofia olhou para a televisão por um momento e suspirou ao responder Melissa. Ela não tinha mais febre à horas, seu corpo parecia um pouco cansado apenas. - Minha mãe está na cidade e Luna sempre fica a disposição. - Sofia esclareceu. - Há vezes em que eu mesma tomo meus medicamentos e como não tenho o hábito de faltar no hospital, meu chefe já sabe o que se passa. Tenho amigos lá dentro que sempre vem nesse momento e eu tenho a Hells... - Hells? - Perguntou curiosa. - Sim, Mellz. - Sofia acabou rindo dela. - Ela é a senhora encarregada de me ajudar com o apartamento. Melissa começou a entender. - Ela trabalha quanto tempo pra você? - Acho que à quase 8 anos. - Esclareceu. - Nossa, tem tanto tempo que estou chocada! - Deve ter visto tantas pessoas entrar e sair... - Melissa disse enciumada. - Não exatamente. - Explicou Sofia. - Eu realmente nem passo tanto tempo aqui dentro e as poucas vezes que trouxe pessoas aqui foram meus pais, irmãos, amigos e apenas 1% dessas pessoas eram com esse propósito. - Sofia fez uma careta. - As vezes s**o casual é cansativo demais e não compensa o prazer. Melissa engoliu em seco. - Está tarde, que horas teremos de levantar amanhã? - Ela mesma mudou de assunto. Sofia riu ao olhar para ela. - O evento começa às 07h00minh, mas como moramos um pouco longe e teremos de enfrentar o trânsito logo cedo... As 05h30minh AM. - p**a que pariu! - Eu consigo acordar, mas se você não conseguir não há problema em você ficar e me esperar no apartamento. Assim, você pode até sair e conhecer mais da cidade... Aproveitar suas férias realmente. Melissa revirou os olhos e puxou o rosto de Sofia com delicadeza para que ela mesma pudesse encarar os olhos da outra. - Eu estou aqui por você! - Foi clara e direta. - Eu não quero conhecer Nova Iorque por que você é a única coisa maravilhosa o suficiente para chamar minha atenção aqui. - Melissa beijou os lábios de Sofia mais uma vez. - Então trate de sair de cima de mim para que possamos ir para o quarto nos preparar para dormir por que você não vai se livrar tão fácil de mim, dessa vez! - Certeza? - Sofia engoliu em seco. - Absoluta! Absolutamente que Melissa se deu m*l, já que na manhã seguinte para ela conseguir se colocar de pé foi um enorme sacrifício. Ela não era tão adepta ao sono, mas sempre que ficava exausta acabava dormindo por todos os lugares. Como ela não havia dormido direito no dia passado por preocupação com Sofia e passou boa parte da noite acordadas assistindo aquele maldito seriado, seu corpo implorava por mais algumas horas de sono. Enquanto ela banhava, Sofia fazia um pequeno café da manhã para as duas e havia um enorme sorriso em seu rosto. Ela estava certa de que dessa vez não haveria erros e que ela não precisava ficar sempre na defensiva. Quando Melissa apareceu pronta, Sofia lhe estendeu o café da manhã e um jaleco com apenas o nome da clínica Gonzáles no braço direito. Embora fosse o nome de Sofia que estivesse sobre seu peito, ela sentiu mais uma vez orgulho pela grande profissional que a mesma havia se tornado. Foi entre risadas que a trajetória até o local foi feito. Melissa contava coisas engraçadas por que se sentia nervosa o tempo todo. Ela sabia que encontraria as irmãs de Sofia ali e até mesmo seus pais, mas não queria tocar nesse assunto e gerar complicações. Ela queria apenas fazer o bem sem se importar a quem, como sempre ouviu falar por aí. Levou em torno de 50 minutos a viagem toda e quando chegaram no lugar, encontraram um campo aberto enorme com diversas barracas montadas e várias pessoas de branco circulando por ali. Sofia sorria ao cumprimentar todas aquelas pessoas e Melissa suspirava inúmeras vezes. Até que seu riso morreu quando um cara forte e musculoso surgiu na frente de Sofia a puxando para um abraço e um beijo no que Melissa deduziu ser o canto dos lábios. - Já falei para você parar com a mania de me agarrar por aí! - Sofia não havia gostado nenhum pouco da recepção de Joe, seu amigo de profissão que se prontificou de estar ali. Ele era pediatra e talvez ele fizesse parte do 1% que havia frequentado a casa de Sofia, talvez. - Você acostuma. - Sofia o empurrou para longe. - E quem é essa coisa linda? - Olhou para Melissa que apenas bufou. - Por que ela está com um de seus jalecos? - Conheça minha namorada, Melissa Mickeize! - Sofia disse no impulso fazendo tanto Joe como Melissa olharem para ela surpresos. - E não é da sua conta! - Você não namora você mesma me disse! - Ele parecia incrédulo. - Ela não namora com você! - Melissa se meteu segurando na mão de Sofia. - Vamos amor, me mostre onde iremos ficar e como eu posso te ajudar. - E deixaram o i****a para trás. - s*******o! - Me irrita na mesma intensidade que se oferece para me ajudar com os eventos. - Sofia foi guiando Melissa em direção onde seus irmãos estavam. - Ele sempre tá envolvido nessas coisas? - Melissa estava com ciúmes novamente. - Sim, principalmente quando o namorado de Claire não pode vir. – Melissa apenas concordou em silêncio já que não podia fazer exigências e por que Claire e Luna estavam olhando para ela de forma séria. - Olá, idiotas. Como estão? - Eu sou quem pergunto: como você se sente? – Claire era a irmã mais velha, consequentemente a mais difícil de agradar, por tanto Melissa sempre fez questão de se tornar amiga da mesma, mas agora isso parecia bem complicado. - Olá, Melissa. Quanto tempo! – E simplesmente puxou a americana para um abraço apertado e ela sentiu um alívio correr pelo seu corpo. - Eu estou bem, foi apenas um drama do meu sistema imunológico. - Sofia disse tentando disfarçar a tensão naquele momento. - Eu fiquei eufórica com a chegada de Mellz. - Espero que a chegada dela não cause outras coisas também! - Melissa tremeu nos braços de Luna quando ouviu a voz pesada da mãe de Sofia. Luna quem estava lhe cumprimentando apenas disse baixinho no ouvido dela. - Fica calma, você mostrar nervosismo ela vai cair matando. Ótimo, até parece que é disso que eu preciso! - Melissa pensou. - Bom dia, mamãe. Como você está? Dormiu bem? - Sofia começou. - Eu estou ótima, obrigada por perguntar. - Deixe de drama. Seu pai quase entrou no primeiro avião e veio pra cá! – Sônia tocou Sofia verificando a temperatura dela. - Ótimo, sem febre e nada de exagerar. Espero que Melissa tome conta de você e fique de olho! Melissa corou, mas olhou para a sua ex/futura sofra e concordou. - Não se preocupe, eu cuidarei dela. - Eu espero, caso contrário será uma pena você estar na sua pele! - Mãe, pare... - Luna disse, ela gostava de Melissa. - Deixe as duas e no jantar em família que iremos ter no final de semana você aproveita e conversa como uma pessoa normal, sem ameaçar ninguém! – Sônia revirou os olhos. - Mãe, você fica na organização e compartilhamento das fichas, tudo bem? - Sofia já tinha parado de ouvir o que sua família estava dizendo por que estava focada demais em segurar a mão de Melissa e olhar para a lista de pessoas que ela iria consultar ali. - Estão todos aqui? - Ela olhou para sua irmã mais nova. - Sim, pediatra, cardiologista, ortopedista, oftalmologista, clínico geral, dentista, ginecologista e dermatologista. - Ela olhou para a lista que possuía em mãos. - Há voluntários das faculdades próximas também que ajudarão com coisas básicas como distribuir e entregar os remédios que cada médico repassar. Melissa ficou confusa. - Vocês trazem remédios também? - Perguntou. - Sim, cada médico aqui faz uma coleta e doa determinado valor para comprar os suprimentos necessários. - Explicou Luna. - Mama, você vai ter que levar cinco voluntários com você para o portão do parque, quando passei por lá havia uma fila enorme e a banda que vai animar a galera já estava se preparando pra iniciar juntos à vocês. - Está tudo pronto aqui. – Sônia olhou sua prancheta e encarou suas três filhas de uma forma muito intensa. - Estou orgulhosa das pessoas que vocês se tornaram. - Ela sorriu. - Eu amo vocês, agora vamos colocar essa p***a pra quebrar! Melissa acabou gargalhando. Ela sabia que Sônia não era uma pessoa má, da mesma forma que ela não era tão séria. Só que tinha aprendido a apreciar a loucura da mulher. - Melissa ficará com... - Luna começou. - Comigo. - Interviu Sofia. - Mande apenas quatro voluntários e eu terei Melissa, ensinei algumas coisas e treinamos durante o caminho até aqui, ela vai saber me ajudar sem problema algum! - Tudo bem, então. - Luna respirou fundo. - Pessoal, é agora! E cada um foi para um canto. Sofia puxou mais uma vez Melissa para uma barraca enorme branca onde tinha uma mesa e algumas cadeiras. Havia também uma salinha que servia como um lugar para analisar de forma privada quem fosse necessário. - Você senta aqui do meu lado. - Sofia mostrou a cadeira ao lado da sua. - Você anota as informações dos pacientes para essa Ata aqui... - Entregou a mesma para Melissa. - E anota de forma legível na ficha do paciente. E encaminha ele para a tenda 3 que é onde estão retirando carteiras de identificação que ajudará na hora de fazer a retirada dos medicamentos. - Tudo bem, então não será necessário eu verificar a pressão de ninguém? - Perguntou olhando curiosa. Sofia estava colocando outro jaleco já que ela apenas usava uma calça branca, tênis preto nos pés e uma blusa para o frio também preta. - Não, os universitários farão isso nas fichas de acordo com o número do atendimento. Eles são quem entregarão para você. - Sofia se sentou ao lado de Melissa e depositou um beijo na boca dela. - Não dê muita atenção para eles, adoram conversar e isso acaba prejudicando quem irá ser atendido por causa da demora. Preciso que verifique isso pra mim à cada 15 minutos, tudo bem? - Claro! – se lembrou de um detalhe. – Por acaso, à alguém com uma maldita queda por você? Sofia riu antes de encara-la e responder: – Talvez, nunca notei... – E assim elas ouviram a música começar a tocar em algum lugar por ali, não estava alto e isso foi fundamental. Logo chegaram quatro adolescentes todos de brancos e com jalecos em seus corpos. Todos com seus equipamentos em seus bolsos e como Luna já haviam explicado para eles como Sofia trabalhava, funcionou perfeitamente. Pessoas começavam a entrar e Sofia começava seu trabalho. Obtendo uma face totalmente séria e profissional, atendendo cada um de forma distinta e sempre educada. Havia alguns que falam com Melissa outros que nem notavam ela ali, Sofia precisou pedir pra Melissa ver o que estava acontecendo quando uma pequena demora foi gerada e logo mais vozes altas foram ouvidas. Tanto Sofia quanto Melissa acabou indo ver o que estava acontecendo. - Esse jovem fica saindo toda hora pra ir conversar com aquele garota ali! - Uma mulher de aproximadamente 40 anos disse para as duas mulheres. - É a vez da minha mãe e ele simplesmente sumiu com a ficha dela e essa moça não nos permite entrar! – Sofia suspirou olhando para Melissa. - Pegue meu celular e chame Luna, por favor? - Foi o que ela disse antes de Melissa deixar ela para resolver aquilo. - Bom, eu sinto muito por isso... Darei um jeito para que não se repita. - Explicou sorrindo. - Seu nome é Marie, certo? - Apontou para a garota que estava recebendo as fichas, a mesma concordou. - Faça uma nova para ela enquanto eu converso com a mãe dela lá dentro. - Marie foi logo fazer o que a médica mandou, foi o tempo de Melissa voltar para o lado dela. - Vocês dois, venham aqui! Os dois jovens sabiam que ela era uma médica de grande nome por que ambos haviam pesquisado e sabiam que àquelas horas extras valeriam ouro em sua carga horária. Eles seguiram Sofia até a tenda onde ela estava. - Espero que isso não volte a acontecer! - Ela olhou séria para eles. - Que tipo de profissionais vocês querem se tornar ao abandonar pacientes? Vocês irão fazer um juramento, como podem se comprometer dessa forma? – Ela não sabia direito o nome deles e nem fazia questão de saber. - Desculpe, nós não iremos fazer mais isso! - Um deles falou arrependido. Foi o tempo em que Luna entrou com Melissa na tenda. - Não mesmo, por que vocês irão para suas casas! - Eles a olharam assustados. - Luna, peguem o crachá de cada um e envie um relatório para as respectivas universidades avisando o ocorrido, por favor? - Claro. - Sua irmã mais nova o fez rapidamente. - Podem ir! - Vamos logo, eu não posso permitir que mais pacientes fiquem na espera por causa desses idiotas! - Resmungou Sofia. Melissa queria rir, mas sabia que não era o momento. Por isso, apenas voltou para o seu trabalho por que não queria que sobrasse para seu lado. Próximo à hora do almoço, o pessoal deu uma pausa e não havia muitas pessoas circulando por ali. O movimento ficou mais fraco dando um momento de tranquilidade para todos eles. Os próprios moradores do bairro fizeram questão de preparar o almoço dos médicos e voluntários como um agradecimento. Melissa quase ajoelhou e agradeceu por que estava morrendo de fome. Embora Sofia tivesse a mandado ir se alimentar várias vezes, a americana ficou com receio de acabar atrasando as consultas. Sonia, Claire e Luna estavam sentadas em uma mesa afastada. Logo, Sofia e Melissa se juntaram a elas com seus pratos e suco. - Tente não exagerar tanto. - Sonia olhou para as filhas. - Embora tenham feito com carinho, não sabemos o quão temperado está e eu não quero ninguém com intoxicação alimentar aqui. - Esclareceu. Melissa quase achou que ela iria gerar algum tipo de preconceito. - Inclusive você, Mel. Eu bem me lembro de que você costumava comer de tudo! Melissa sorriu em agradecimento e começou a comer em silêncio. Até que Luna começou a puxar assunto com ela e quando menos esperou até Sônia fazia perguntas sobre o SPA que lhe pertencia. Então ela percebeu que todo o medo que sentia de não ser aceita havia sido em vão. O retorno ao trabalho já foi mais tranquilo e quando menos esperou, o dia havia acabado. Seus corpos precisavam de um banho e uma cama com urgência. Enquanto Sofia dirigia de volta para casa, Melissa olhava para ela se perguntando como ela conseguia aguentar tudo aquilo. - Por que você está me olhando tanto? - Perguntou Sofia tentando prestar atenção no trânsito. Aquilo estava um caos e ela queria chegar logo em sua casa. - Por que você é tão linda que eu não consigo manter meus olhos longe de você! - Foi o que Melissa respondeu. Foi tão natural que Sofia quase bateu o carro no que estava na frente dela por que se sentiu envergonhada. - Melisssa! - Tentou disfarçar. - Você me diz essas coisas e eu não sei como agir. Você é a única que me deixa vermelha nessa facilidade! – E Melissa sorriu. - Você tem planos para amanhã? - Perguntou. Sofia suspirou em pesar. Ela sabia que haveria um momento em que precisaria deixar Melissa para ir trabalhar, sempre haveria esse momento. - Eu preciso ir ao hospital. - Explicou Sofia. - Tenho algumas cirurgias marcadas amanhã. – Melissa perdeu o sorriso que carregava no rosto e Sofia se sentiu culpada. – Mas eu vou ter o dia totalmente livre na sexta e sábado durante o dia. - Explicou. - Sábado pela noite ficarei de plantão até domingo ao meio dia. - Podemos fazer alguma coisa, o que acha? – Melissa pensou. Seria apenas um dia de atraso, ela poderia lidar com isso. - Eu acho perfeito! - Pronto, lá estava o sorriso no rosto das duas mulheres novamente. Era a hora de tornar aquilo oficial.
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