“Gostaria de ser invisível, assim ninguém poderia saber sobre os meus sentimentos”
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Estados Unidos
Boston, Back Bay
Motherhood Hospital Children
[ 00:15 a.m]
— Alô? — perguntou a mais velha surpresa por ver que a ligação era de fora.
— Maria? — falou o loiro, tenso do outro lado da linha.
— Senhor Matteo? — perguntou a mulher surpresa com a ligação do patrão e àquela hora.
— Er, Maria… desculpe estar telefonando nessa hora, mas… eu queria saber se está tudo bem com Catarina. — perguntou tenso.
A mais velha ficou surpresa. O patrão nunca telefonava diretamente para ela. Comemorou internamente, pensando que talvez ele estaria disposto a voltar para América e cuidar da sua menina.
— Está sim, senhor Matteo. Hoje foi a formatura de nossa menina, e eu acho que a essa hora, ela deve estar com Suzume. Elas devem estar se divertindo. Não se preocupe... quando o senhor vai aparecer?
— Eu… estarei retornando da Rússia na quarta. Vou ter que ir a Londres resolver algumas questões, mas… até o final do mês, estarei aí, tudo bem?
A mulher sorriu, animada, e disse:
— A nossa menina vai ficar feliz em te ver!
Matteo sorriu fraco. Sentia falta de sua sobrinha, bem mais do que imaginava. Suspirou fundo e disse:
— Então nos vemos em quinze dias… amanhã, eu telefono. Boa noite, Maria, e desculpe incomodar.
— O senhor nunca incomoda, senhor Matteo. Até daqui a quinze dias…
Maria desligou o telefone, com um sorriso nos lábios. Encarou o bebê da afilhada nos braços da mãe mamando e foi inundada por boas recordações de quando Catarina era pequena. Com um sorriso nos lábios e os olhos marejados, percebeu que o telefone tocou novamente e sorriu ao ver o nome de Suzume na tela. Pegou o aparelho e levou ao ouvido e disse, com um sorriso estampado no rosto:
— Oi, minha princesa. Espero que estejam se divertindo e… — Maria é imediatamente interrompida por uma voz falha e baixa:
— Maria…
A mais velha sentiu o coração estremecer ao perceber a voz trêmula do outro lado da linha. Um silêncio sepulcral tomou conta do ambiente e Maria teve a certeza de que algo muito r**m havia acontecido. Antes de perguntar alguma coisa, uma outra voz tomou conta da linha e Maria sentiu todo o seu corpo retesar:
— Maria, é Christopher…
— O que houve com a minha menina? — perguntou, já se levantando e pegando seus pertences. Estava preparada para partir a qualquer momento por Catarina.
— Agora, ela está bem… Onde você está, Maria? Vou buscá-la.
— Motherhood Hospital Children… senhor Christopher, por favor, me diga a verdade. O que aconteceu a minha menina? — falava já a senhora chorando.
— Conversamos no caminho, Maria. Mas eu juro, ela está fora de perigo.
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Durante o caminho, Christopher refletia sobre tudo o que havia acontecido. O mais velho decidiu ir à festa pois sabia que hoje seria um dia difícil para ela. Sabia que Hannah não iria à festa da filha, pois soube por um amigo que a loira havia viajado para a Europa com um homem. Matteo também não poderia ir, pois estava na Rússia, numa reunião da sua empresa. Naquela noite, quando viu o olhar vazio de Catarina na formatura, sentiu que algo muito r**m iria acontecer. Foi para casa e ficou o tempo inteiro pensando na garota. Não satisfeito, resolveu ir à sua casa. Parou numa conveniência que tinha uns doces que ela adorava, comprou vários e durante o percurso, repassava a desculpa esfarrapada que daria apenas para saber se ela estava bem. Quando chegou em casa, ouviu os gritos estridentes de Suzume e sentiu o corpo estremecer. Sem hesitar, subiu as escadas quase tropeçando nos próprios pés, se deparando com o jardineiro que parecia desesperado. Sem perder tempo, ele se encaminhou ao quarto de Catarina e adentrou sem aviso, mas ao ver ela desmaiada nos braços da amiga sentiu o coração dilacerar e uma dor invadir a sua alma. Então, estava certo!
CABRUM…
CHUÁAAA
Começou a chover torrencialmente. Christopher suspirou fundo. Hoje, eles conseguiram evitar o pior, mas e se ela tentar novamente? Parou num sinal e olhou sua imagem pelo retrovisor do carro e disse a si mesmo:
— Não permitirei que isso aconteça novamente, minha princesa… eu te prometo!
O carro chegou na frente da maternidade e Maria adentrou no veículo sem demora. Os olhos assustados, as rugas no rosto, marcas da idade avançada, franzidas: tudo em seu semblante indicava preocupação. Sem hesitar, ela perguntou:
— O que aconteceu com a minha menina?
O homem suspirou fundo e com a voz entristecida, respondeu:
— Ela tentou se matar.
— Meu Deus! — disse a mais velha, levando as mãos até a boca, contendo o choro.
— Mas… ela está bem. Vou levar você até ela. Catarina vai gostar da sua companhia. — respondeu com um sorriso nos lábios. O mais velho se aproximou da mulher, colocou as duas mãos em seus ombros e disse olhando em seus olhos: — eu prometo que isso não vai acontecer novamente.